BBB26: Matheus admite obsessão pelo jogo após rejeição histórica: 'Insistindo no erro'
Eliminado com 79,48% dos votos, ex-brother reconhece excessos, diz que confundiu estratégia com ataque; veja
A eliminação de Matheus do BBB 26, marcada pela maior rejeição da temporada, 79,48% da média dos votos, abriu espaço para um momento de reflexão profunda fora da casa. Em entrevista exclusiva à Quem, concedida nesta quinta-feira (29) nos bastidores da Rádio Globo, o ex-brother falou com franqueza sobre erros, excessos e o impacto de perceber que sua leitura do jogo estava completamente isolada da percepção do público.
O estalo, segundo ele, veio logo após deixar o confinamento, ao encarar o resultado da votação. Uma frase dita por Edilson, o Capetinha, passou a martelar sua cabeça. "O que o Capetinha [Edilson] falou foi crucial para mim: 'está todo mundo errado e tu está certo?'. Foi a primeira voz que ecoou na minha cabeça quando saí da casa e vi o número enorme de rejeição", relatou. A partir daí, não houve mais como sustentar a ideia de que sua visão era a única correta.
Matheus admite que se deixou levar por uma certeza absoluta que virou obsessão. "Não tinha como eu continuar insistindo no erro de achar que só eu estava certo. Eu estava obcecado pela minha certeza e não estava observando o horizonte. Poderia ter reconhecido lá dentro que eu tinha errado, poderia ter voltado atrás, fui muito cabeça dura. Foi um arrependimento que estou carregando depois de 48 horas de ter saído da casa", confessou.
A intensidade com que encarou o jogo também foi um ponto central de autocrítica. Para ele, o desejo de se posicionar acabou extrapolando limites. "Acredito que tive um exagero de opiniões, uma vontade muito grande de jogar, e acredito que deveria ter dosado isso. Extrapolei isso a ponto de começar a ter falas que nem condizem com os meus valores aqui fora", avaliou.
Ao ser questionado se havia sido ele mesmo dentro da casa, o bancário fez uma separação clara entre essência e comportamento. "Acredito que o meu estilo de jogo fui eu mesmo. Mas eu estava tão decidido a querer estar certo que muitas pautas que eu levantei lá, hoje, me assistindo, não concordo comigo." Segundo ele, o confinamento potencializa reações e distorce percepções. "A tensão é algo que triplica o seu raciocínio lá. Então, até dormindo a gente está pensando em jogo. Você é seu único advogado lá, você não tem um advogado para nota de repúdio, para nota de esclarecimento, para defesa. Então, você é o único representante do seu sonho dentro do BBB."
Nesse cenário, a tentativa constante de se proteger acabou assumindo um tom agressivo. "Eu fui um cara que quis me defender muito, mas a minha defesa era um ataque. E essa minha obsessão de ganhar, ganhar, ganhar, que eu achei que era uma missão, se tornou uma ganância enorme, e acabei me perdendo nessa situação", reconheceu.
Sobre as declarações que mais repercutiram negativamente, Matheus admite erros, mas acredita que parte do julgamento foi amplificado pelo contexto. "Acredito que tive algumas falas em que fui infeliz, mas o que mais a galera me interpretou mal foi o desfile, que realmente eu não quis atingir ninguém. Eu não quis atingir ninguém. Fui um cara infeliz na brincadeira, que não deveria ser brincadeira", disse, referindo-se à apresentação com trejeitos homofóbicos durante a simulação de um desfile de moda na casa.
Ele reforça que não houve intenção deliberada de ofensa. "Não foi intenção de atingir uma classe, atingir um gênero. Foi uma inocência que não faz parte da minha bolha, não faz parte do meu ciclo, é algo que eu realmente tenho que aprender a lidar." Ainda assim, admite que o histórico de outras falas pesou na leitura do público. "Sou responsável por ter feito, mas acredito que foi mal interpretado, porque dava também para ter o fair play de entender: 'o cara não fez por mal'. Mas, por eu ter tido outras falas problemáticas, foi tudo em um saco só."
O embate com Ana Paula Renault também é apontado por ele como decisivo para sua saída precoce. "Eu acredito que faltou um estudo de jogo. Ficou uma análise como se eu realmente tivesse conhecido a Ana Paula aqui fora. Eu até me equivoquei na maneira como eu me expressava com ela lá, porque realmente eu não a conhecia." Para Matheus, subestimar a força da adversária foi um erro estratégico grave. "Se eu tivesse noção de que ela tinha essa força enorme aqui fora, eu teria alongado mais o debate de uma forma mais fracionada. Eu vivi cada dia lá de uma forma muito intensa, eu pensei que era uma final de Copa do Mundo a cada dia."
Ele também reconhece o peso da base de fãs da veterana. "Os fãs dela são muito fiéis. E tenho pautas parecidas com ela, mas isso não parecia lá na casa. E nesse contraponto ficou como se eu fosse o vilão." Fora do confinamento, ao observar redes e posicionamentos, percebeu o desalinhamento. "Olhando hoje as redes e as pessoas que ela segue, é tudo em comum comigo, e eu não representei isso da maneira que eu devia lá dentro."
Por fim, Matheus admite uma falha mais profunda, ligada à falta de preparo para discutir temas sensíveis. "Tive zero letramento racial lá dentro. Decepcionei muito a minha mãe nessa parte." Ao falar de Karen Amaro, a emoção ficou evidente. "Minha mãe é uma mulher negra, de faculdade federal, cientista. Eu nasci nesse lar de uma mulher muito forte, muito aguerrida, que não deixa para amanhã para falar o que ela pensa, uma pessoa que se posiciona sempre nesses assuntos."