Reação de Paulo com Milena é a do branco quando vê alguém ‘diferente’ em ambiente de privilegiados
Não é raro o negro enfrentar o olhar que diz “você está no lugar certo?”
Houve racismo de Paulo Augusto com Milena ao questioná-la se era participante do ‘BBB26’?
Na opinião da coluna, ele não foi intencionalmente racista — mas transmitiu a ideia de divisão social e hierarquia de funções baseada na cor da pele.
O agroboy agiu com o estranhamento automático da maioria dos brancos quando se depara com uma pessoa não-branca em um ambiente de privilégios.
Foi então racismo sistêmico, institucional, inconsciente? O leitor pode nomear como quiser.
Ao encontrá-la pela primeira vez, Paulo Augusto demonstrou a necessidade de situar Milena no contexto: é uma competidora como ele ou outra coisa?
“Foi racismo velado”, disse a jornalista Janaína Nunes, que é negra, no ‘Melhor da Tarde’, da Band. “Ele achou que era a empregada, a faxineira. Alguém tem dúvida disso?”
É a mesma estrutura social problemática que faz um negro de terno e gravata na porta de um restaurante ser confundido com o manobrista, como aconteceu com o reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente.
Ou uma mulher negra ser abordada numa loja por quem a vê como vendedora, e não como uma cliente como qualquer outra.
Questionada por Paulo Augusto se também era uma competidora no programa, Milena reagiu de maneira provocativa. “É óbvio. Você achou que eu fosse o quê?”
Com isso, ela reafirmou o seu pertencimento àquele lugar. Talvez tenha doído emocionalmente — e a dor do outro não deve ser desprezada por quem não a sente.