O melhor de Cariúcha é a falta de vergonha de dizer que gosta de sexo, dinheiro e fama
Nova apresentadora do ‘Superpop’ verbaliza o que milhões de mulheres pensam e sentem, mas não ousam admitir publicamente
“Já fui muito corna nessa vida”, “Eu pego tudo, comigo não tem dessa”, “Quem ama trai”.
Essas declarações foram feitas por Cariúcha no ‘Superpop’. Uma amostra da verborragia que é sua marca registrada.
A apresentadora não tem autocensura: diz o que pensa e sente, especialmente a respeito de sexo e relacionamento amoroso.
Há quem considere esse despojamento escancarado como vulgaridade. Julgamentos à parte, é necessário reconhecer a coragem da artista em romper tabus e recusar máscaras.
Cariúcha manifesta com todas as letras que adora homens bonitos, muito dinheiro na conta e viver luxuosamente.
Se uma famosa bem-nascida faz tal afirmação, é aplaudida e vira exemplo a ser seguido. Mas quando sai da boca de uma suburbana negra, a reação costuma ser outra: crítica, escárnio e até indignação moral.
Há um incômodo evidente quando uma mulher fora do padrão elitizado assume, sem rodeios, desejos que a sociedade prefere ver disfarçados em eufemismos.
Cariúcha não suaviza nem pede licença. Sua franqueza desarma porque ressalta uma hipocrisia coletiva: a de fingir desapego ao prazer sexual, ao enriquecimento e à visibilidade na mídia em um mundo movido justamente por esses três pilares.
Ao verbalizar esses desejos da maioria da população, ela se coloca em um lugar raro na televisão — o da autenticidade bruta.
E é justamente essa falta de filtro que a aproxima de um público que se reconhece ali, ainda que não tenha coragem de se expressar da mesma forma.
Historicamente, as mulheres foram ensinadas a esconder seu apetite por sexo, a medir palavras, a parecer recatadas, enquanto os homens sempre se viram incentivados a exibir conquistas e ambições sem pudor.
Cariúcha inverte esse jogo. Ao fazer isso em rede nacional, amplia o debate sobre quem pode falar o quê e de que maneira.
Sim, há um limite. Na posição de comunicadora capaz de influenciar a audiência, deve evitar a banalização e a baixaria.
Ela não pode esquecer que representa um perfil de mulher que já é alvo de cruéis estereótipos na TV e na sociedade.