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Risada de Suzane Richthofen em documentário ilustra nosso fascínio por celebridades do crime

Novo ‘produto’ sobre um crime bárbaro reflete a tendência de enxergar a tragédia como entretenimento

6 abr 2026 - 12h08
(atualizado às 12h09)
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A divulgação das primeiras imagens do documentário da Netflix sobre Suzane von Richthofen, ainda sem data de lançamento na plataforma, gerou surpresa pela gargalhada da entrevistada.

Do que ela ri?

Segundo informações prévias do escritor Ullisses Campbell, o motivo da graça foram lembranças de um período de “liberdade” quando os pais, Manfred e Marísia, viajavam à Europa.

Mas essa risada pode gerar outras interpretações. Uma delas é a sensação de ser tratada como celebridade.

Suzane é protagonista de um dos casos policiais mais midiáticos de todos os tempos no Brasil: a menina rica que arquitetou o assassinato dos pais para viver uma paixão com um rapaz de classe social inferior.

Parece enredo de filme, novela, série.

Desde a data do duplo homicídio, em outubro de 2002, a ex-universitária passou a ser tratada como personagem a ser cultuada pela imprensa.

Parte desse interesse — mórbido e eticamente questionável — se dá pelo mistério em torno dela: quem é realmente Suzane von Richthofen?

Ninguém consegue responder com exatidão. Há várias versões dessa mulher.

As raras entrevistas — como aquela para o ‘Fantástico’, em que se mostrou estranhamente infantilizada, e outra a Gugu, na Record, com postura adulta e arrependida — sempre geraram mais controvérsias do que certezas.

Qual Suzane está no documentário da Netflix?

Qual o motivo da graça? Imagem de divulgação de documentário alimenta a curiosidade sobre Suzane von Richthofen
Qual o motivo da graça? Imagem de divulgação de documentário alimenta a curiosidade sobre Suzane von Richthofen
Foto: Reprodução

Ao que se indica, ela coloca a culpa na “falta de afeto” da parte do pai e da mãe para ter se unido aos irmãos Cravinhos no plano sangrento.

Essa linha de defesa não é nova, mas ganha outra dimensão quando apresentada em um produto audiovisual de 2 horas de duração, pensado para a grande audiência, como a da Netflix. 

O formato do documentário — com trilha, montagem e construção narrativa — molda inevitavelmente a percepção do público. 

Nesse contexto, cada gesto, cada sorriso, cada olhar e até cada silêncio, seja espontâneo ou calculado, passa a carregar significado simbólico.

A risada sem culpa, portanto, não é apenas um detalhe curioso: se transforma em elemento dramático.

Para alguns, pode soar como frieza, ausência de remorso. Outros vão enxergar nervosismo diante de mais uma exposição pública.

Há ainda uma terceira leitura, a mais incômoda: a de alguém que reconhece seu lugar privilegiado como figura de interesse público.

Todos querem ouvir Suzane von Richthofen, como se ela fosse uma super influenciadora lançando mais um produto desejável.

Ao longo das últimas décadas, crimes de grande repercussão passaram a ser consumidos menos como jornalismo, e mais como entretenimento. 

No fim, talvez a pergunta mais perturbadora não seja sobre Suzane, mas sobre nós: o que nos faz apertar o ‘play’ e garantir a audiência que alimenta esse fenômeno de interesse pela tragédia?

O público parece mais interessado em desvendar Suzane von Richthofen do que julgá-la pelo crime cometido
O público parece mais interessado em desvendar Suzane von Richthofen do que julgá-la pelo crime cometido
Foto: Reprodução
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