Pluralidade das personagens se destaca em 'Fina Estampa'
- Mariana Trigo
O sexo frágil se fortalece nas tramas de Aguinaldo Silva. Em Fina Estampa, assim como na maioria das histórias do autor, as mulheres se sobressaem em quase todos os núcleos. A começar pela protagonista Griselda, de Lilia Cabral, que, mesmo após sua reviravolta no folhetim depois de ter ficado milionária, não larga o batente e se destaca pelo caráter firme e batalhador de uma típica heroína.
De fato, ela muito se parece com protagonistas que também vieram de baixo em outras tramas do autor, como a nordestin a Maria do Carmo, de Susana Vieira, em Senhora do Destino, ou mesmo a espalhafatosa Tieta, de Betty Faria, uma ex-prostituta que dá a volta por cima e, décadas depois, retorna poderosa para a fictícia Santana do Agreste, na produção inspirada no romance de Jorge Amado.
O mesmo se pode dizer das vilãs de Aguinaldo, que também aposta toda a maldade de suas histórias nas personagens femininas. Não bastasse a psicopata Adma, de Cássia Kiss, em Porto dos Milagres, ou a aprendiz de serial killer Nazaré, de Renata Sorrah, em Senhora do Destino, agora o autor investe no glamour de Tereza Cristina, de Christiane Torloni, que mais parece vilã de conto de fadas com seus lânguidos figurinos em cenários luxuosos.
Em Fina Estampa, o universo feminino do autor pernambucano tem as garras afiadas. Na história, dirigida com perspicácia por Wolf Maya, as mulheres sempre dizem a que vieram, independentemente da classe social ou da faixa etária. Como a funqueira Solange, de Carol Macedo, que consegue driblar até mesmo o machismo do pai, o desprezível Baltazar, de Alexandre Nero.
Com atuações impecáveis, o ator e a jovem atriz têm atraído as atenções. Principalmente ela, com sua charmosa dançarina que quase beira a vulgaridade, mas convence a cada enquadramento. Há também a carismática "periguete" Teodora, de Carolina Dieckman, uma das melhores interpretações da atriz nos últimos tempos. Com os cabelos platinados, um gingado atirado e um linguajar chulo, a atriz confirma que a trama é costurada pela presença maciça de imponentes e variadas figuras femininas.
Prova disso é que até o personagem masculino de maior destaque na trama tem sua feminilidade por ser um gay afeminado. Como o afetado e sensível Crô, Marcelo Serrado consegue atrair todos os olhares a cada cena. Na medida certa, o ator dosa os gestos delicados na postura submissa do personagem e faz da comicidade do fiel escudeiro de Tereza Cristina seu maior álibi neste seu retorno à Globo após uma longa temporada na Record.