Atriz se inspirou em Audrey Hepburn para compor papel em 'Passione'
- Arcângela Mota
O corte de cabelo moderno e as roupas estilosas deixam Tammy Di Calafiori quase irreconhecível. No ar como a patricinha Lorena de Passione, esta atriz carioca de 21 anos interpreta, pela primeira vez, uma personagem contemporânea na TV. E vibra com a chance de não precisar seguir trejeitos e figurinos de época, características presentes na ingênua Nina de Alma Gêmea e na mocinha Virgínia de Ciranda de Pedra, novelas em que atuou antes de estrear no horário nobre da Globo. "Tinha muita vontade de fazer um trabalho atual. Pela primeira vez não precisei ter aulas de história e etiqueta. Sou uma pessoa contemporânea, não sou de época", brincou a atriz, que estreou na TV aos 15 anos em Alma Gêmea.
Na atual novela das oito, Tammy interpreta a personagem mais tranquila da problemática família Gouveia. Filha do inescrupuloso Saulo, de Werner Schunemann, e da infiel Stela, de Maitê Proença, Lorena é uma menina mimada que supre as carências emocionais no shopping center. "É uma personagem mais leve, que não absorve os dramas dos outros", resumiu. Mas nem por isso ela deixa de ter seus dilemas dentro de casa. Tudo porque, atualmente, a jovem faz parte de um polêmico triângulo amoroso com o italiano Agnello, de Daniel de Oliveira, e com a própria mãe. "A Lorena é muito parecida com a Stela. Vejo um mesmo padrão de criação nelas. É muito gostoso trabalhar em uma novela do Silvio porque é tudo muito rápido", elogiou.
Para viver a personagem, Tammy não precisou ir muito longe. Criada na Zona Sul do Rio de Janeiro, a atriz conta que teve em suas amigas a principal referência para interpretar a caçula da família Gouveia. "Tenho amigas que são exatamente como a Lorena. É um universo onde eu já convivo. O meu laboratório foi basicamente entre elas", disse Tammy, que também se inspirou na atriz belga Audrey Hepburn. "Assisti a todos os filmes dela porque ela tem esse lado fashion e é uma mulher com personalidade. Acho que a Lorena tem um pouco disso", analisou.
No ar em sua terceira novela, Tammy diz nunca se sentir completamente segura com um personagem. E considera que o peso de atuar em uma novela das oito com um elenco repleto de estrelas é o mesmo de ser uma das protagonistas de uma trama das seis, posto que ocupou em Ciranda de Pedra, em 2008. "É o meu trabalho e o meu rosto que estão ali, independentemente do horário ou da função. Me empenho do mesmo jeito" avaliou a atriz, que teve o maior destaque de sua carreira como a Virgínia de Ciranda de Pedra. "Foi um trabalho incrível profissionalmente, mas também foi muito desgastante. Gravava de segunda a sábado e não tinha tempo de fazer mais nada" lembrou.
E foi apenas após o término da novela que Tammy conseguiu voltar a se dedicar aos estudos. A atriz intercala os trabalhos na TV com o curso de Teatro que faz na Casa das Artes de Laranjeiras, no Rio de Janeiro. "Novela exige muita dedicação e tempo. É muito importante se reciclar entre um trabalho e outro. A prática e o estudo que vão me fazer crescer como atriz", teorizou ela, que começou a trabalhar fazendo comerciais aos sete anos e, aos 11, passou a fazer cursos de interpretação e peças na escola. "Parei de fazer comerciais porque minha mãe achou que eu estava muito nova para isso. Aos 15 anos, quando ganhei o papel em Alma Gêmea, ela me apoiou mais porque viu que é isso que eu quero", vibrou.
Passione - Globo - Segunda a sábado, às 21h.
Novos horizontes
Além de viver a fútil Lorena em Passione, Tammy em breve também poderá ser vista nas telas do cinema. Só que, dessa vez, em uma personagem distante dos tipos dóceis e bem comportados que vem fazendo na TV. No filme A Suprema Felicidade, de Arnaldo Jabor, a atriz dá vida à Marilyn, uma stripper do Rio de Janeiro do final dos anos 50. "Foi um trabalho mais complicado. Conversei com várias strippers e tive uma preparação corporal bem específica. É bom porque as pessoas vão poder ver minha versatilidade", empolga-se.
O longa, com estreia prevista para outubro, acompanha o amadurecimento de um menino dos cinco aos 24 anos de idade. A trama mistura ficção com parte da história do diretor Arnaldo Jabor. Para viver uma stripper por quem o protagonista se apaixona, Tammy teve de se dedicar a cenas pesadas. "Não nego que foi difícil para mim. Houve uma exposição do corpo muito grande, com cenas de sexo. Mas estou apaixonada pelo cinema" derrete-se.
Instantâneas
# O primeiro trabalho de Tammy no cinema foi no filme Meu Nome Não É Johnny, de Mauro Lima. Na história, ela interpretou a patricinha Laura, personagem de Rafaela Mandelli, quando mais nova.
# Tammy confessa que, assim como a Lorena, também tem um lado fashion victim. "Sou um pouco patricinha, mas não tão quanto ela. Sou mais pé no chão", defendeu.
# No filme A Suprema Felicidade, Tammy faz par romântico com o ator Jayme Matarazzo, o Daniel de Escrito nas Estrelas.
# Além de atuar, Tammy planeja fazer faculdade de Cinema. "Deve ser legal produzir os próprios projetos. Eu gosto disso e me interesso pela área", contou.