Atriz de História de Amor foi enfermeira na Segunda Guerra e morreu sem herdeiros
No ar em reprise de História de Amor, Yara Cortes foi enfermeira e aeromoça antes de alcançar papéis de sucesso na carreira de atriz
Yara Cortes, um dos grandes nomes da teledramaturgia brasileira, está no ar na Globo com a reprise de História de Amor. Intérprete de Olga Moretti Miranda na trama, a atriz foi enfermeira na Segunda Guerra e morreu sem herdeiros em 2002, aos 81 anos. Relembre a história da veterana.
Antes da carreira na arte
Filha de imigrantes portugueses, Yara foi criada em um internato após a morte prematura de sua mãe, em 1931. Ainda jovem, demonstrava inclinação para as artes cênicas com participação em apresentações incentivadas por seus professores.
No entanto, sua entrada no universo artístico ocorreu após experiências singulares: a atriz serviu como enfermeira do Exército Brasileiro na base de Parnamirim, no Rio Grande do Norte, durante a Segunda Guerra Mundial, e se aventurou no setor da aviação como aeromoça antes de ingressar na carreira teatral.
A estreia no teatro foi apenas em 1938, quando foi aprovada em um teste para a Companhia de Teatro Dulcina, protagonizando a peça Mulheres, de Claire Boothe. O trabalho lhe garantiu um prêmio e abriu portas para outras produções de renome, como As Solteironas dos Chapéus Verdes e Figueira do Inferno.
Em 1959, ingressou no Teatro dos Sete, onde dividiu cena com artistas consagrados como Fernanda Montenegro e Sérgio Britto, consolidando-se como uma das grandes atrizes da época. No cinema, estreou em 1939 com O Palhaço, o Que é?, de Carlos Manga. Embora tenha participado de poucas produções cinematográficas, deixou sua marca em filmes como Viver de Morrer (1971) e Rainha Diaba (1974). Seu principal foco foi a televisão.
Sucesso na TV
Yara iniciou sua trajetória televisiva em 1951, participando do Grande Teatro Tupi. Após uma temporada nos Estados Unidos, retornou ao Brasil e passou a integrar o elenco da TV Record, onde atuou na novela Acorrentados (1969), escrita por Janete Clair. Contudo, foi na TV Globo que se consolidou como uma das grandes estrelas da teledramaturgia.
Entre seus personagens mais emblemáticos estão Bubu em O Rebu (1974), Carolina em O Casarão (1976) e Madame Clô em Marron Glacê (1979). No entanto, o auge de sua carreira veio com Dona Xepa (1977), onde deu vida à inesquecível protagonista. O papel lhe rendeu aclamação e a transformou em um ícone da TV brasileira. Ainda brilhou como Maroca Toledo em A Viagem (1994) e Olga Moretti Miranda em História de Amor (1995), sua última novela.
Despedida
Apesar do sucesso, Yara Cortes manteve uma vida discreta. Nunca se casou nem teve filhos, passando seus últimos anos em um pequeno apartamento em Copacabana, onde criava dezenas de pássaros. Seu amor pelos animais era evidente, e sua casa se tornou um refúgio de serenidade distante dos holofotes.
Seu último trabalho na TV foi em Você Decide, em 1998 e 1999, onde participou de três episódios com três personagens diferentes: Benedita Amoedo, em Ligeiramente Grávida; Jurema Ferreira, em Ninguém é Perfeito e Gioconda Moreira, em Juízo Final.
Em 17 de outubro de 2002, aos 81 anos, Yara morreu em decorrência de insuficiência respiratória. Seu corpo foi sepultado no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro. Mesmo sem deixar descendentes, sua contribuição para a televisão e o teatro brasileiro permanece viva na memória do público e nas reprises que continuam a encantar novas gerações.