Mulher de Mateus Solano se adapta ao tempo corrido da TV em 'Amor à Vida'
É comum que atores com maior experiência nos palcos tenham dificuldades para se adequar ao ritmo veloz da televisão. Original do teatro independente, Paula Braun iniciou sua carreira profissional aos 14 anos no grupo Arte Atroz, que surgiu dentro do Núcleo de Teatro Experimental de Blumenau, em Santa Catarina. Hoje, aos 34 anos, interpreta a dedicada médica Rebeca, de Amor à Vida, e tenta se acostumar com o tempo corrido das câmaras em seu primeiro papel fixo na tevê – ela já participou de Tudo Novo de Novo e Malhação. "Você tem de estar mais preparado, sem dúvida. O ritmo de gravações é muito intenso. São várias sequências por dia. A personagem evolui junto com você. Tenho bons parceiros de cena para me ajudar e bater o texto antes. Isso me dá mais segurança", afirma.
Na história, a médica judia ganhou destaque na trama após iniciar um romance com o neurologista palestino Pérsio, papel de Mouhamed Harfouch. Para o amor dar certo, os dois precisam superar suas diversidades étnicas. No entanto, Paula acredita que a história do casal vá muito além das diferenças religiosas. "A ideia de um palestino e uma judia é só um pretexto para falar de diferenças. O objetivo é abordar o respeito ao próximo e falar onde mora o amor nas pessoas. Está no que elas vestem ou acreditam?", indaga.
Assim como boa parte do elenco da novela das nove, Paula passou por um processo de preparação e laboratórios para interpretar uma profissional da saúde. Durante algumas semanas, acompanhou o dia a dia de médicos e algumas cirurgias. Além disso, utilizou referências do período de preparação para o filme Amanhã Nunca Mais, em que deu vida a uma enfermeira. Já para o conflito religioso, a atriz conversou com amigos e parentes da família de seu marido, o ator Mateus Solano, que também é judeu e interpreta o vilão Félix na trama. "Minha sogra me ajudou a esclarecer muitas questões. Procurei pessoas que tiveram empecilhos amorosos. Pessoas que namoravam escondido por conta da religião ou da família ser contra", ressalta.
Natural de Blumenau, em Santa Catarina, Paula sempre teve a certeza de que iria trabalhar com algo relacionado às artes. Desde criança, praticava as mais diversas aulas, como piano, canto e teatro. No entanto, aos 18 anos, optou por seguir apenas uma vertente artística e foi para São Paulo se aperfeiçoar no teatro. "Chega uma hora da vida que todo mundo faz escolhas. Tive o apoio da minha família para me sustentar em São Paulo enquanto as coisas não deslanchavam", lembra ela, que preferiu começar a produzir peças para complementar a renda. "Teatro é muito difícil nesse país. Em vez de ficar em casa esperando, eu vou lá e produzo", completa.
Com 13 montagens teatrais e sete filmes no currículo, Paula sempre prezou pela diversidade em sua carreira. Tanto é que a tevê nunca foi seu único foco e sim um caminho natural, onde um veículo acabou levando ao outro. "Alguém vê você em uma peça e convida para o cinema e assim vai... Não planejei nada. Vim fazer tevê porque tive a oportunidade. Como atriz, está sendo uma experiência enriquecedora", aponta ela, que foi convidada por Walcyr Carrasco para integrar o elenco do folhetim global. "Gosto muito dos textos dele. Novela é da cultura do brasileiro. Tinha de ter essa experimentação", argumenta.