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Marcello Antony critica personagem: "atitudes irrisórias e rasas"

24 jan 2014
14h02
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Galãs e mocinhos figuram a trajetória de Marcello Antony. E é com a experiência de quem tem 18 anos de televisão que o ator encara com tranquilidade o posto que costuma ocupar. Mesmo assim, o desejo de sair do lugar-comum o acompanha. Por isso, não pensou duas vezes ao aceitar o convite para interpretar o advogado homossexual Eron em Amor à Vida. "É um personagem que me fez amadurecer profissionalmente porque tinha nuances muito diferentes de papéis que estava acostumado. Em várias situações, me descobri em cena", avalia. Seguro para falar o que pensa, Antony não se preocupou com a possibilidade de "abalar" seu status de galã dentro da emissora ao encarnar o papel. E muito menos com a perda de trabalhos publicitários. "Vivemos em uma sociedade conservadora e preconceituosa. É óbvio que atores que interpretam gays não vão vender nenhum produto e não é qualquer um que topa fazer esse papel por pensar nesses trabalhos 'por fora'. Mas minha ideia é artística e não estou nem aí para isso", disse.

Marcello Antony
Marcello Antony
Foto: Jorge Rodrigues Jorge/Carta Z Notícias / TV Press

Desde o início, a palavra de ordem foi fugir do estereótipo do gay afetado. E construir, ao lado de Thiago Fragoso, que interpreta Niko, um casal amoroso para ser bem aceito pelos telespectadores. "Deixamos a questão da sexualidade de lado e investimos no afeto. A gente falou: 'Eu sou o mocinho e você, a mocinha'. E deu certo", explica Antony, que contou com o auxílio do preparador de elenco Sergio Penna para desenvolver essa relação.

Mas, de uma hora para outra, a personalidade de Eron mudou. E o personagem, após ir para a cama com Amarilys, de Danielle Winits, se tornou um homem totalmente manipulado pela "destruidora de lares". O que refletiu diretamente na repercussão do público. De uma maneira geral, Antony percebe que as pessoas passaram a sentir raiva do advogado. O ator, contudo, está longe de ser do tipo que defende o personagem que interpreta. "Quando alguém me fala que quer bater no Eron, eu brinco e respondo: 'posso ser o primeiro a bater?'. Realmente, as atitudes do personagem são irrisórias e rasas. Ficou 140 capítulos dizendo que não queria magoar o Niko e, em uma cena, fez tudo para magoar e acabar com a pessoa", ressaltou.

Satisfeito em sair de sua "zona de conforto", Antony entende que, em televisão, é preciso "comer pelas beiradas" para diversificar os papéis. Afinal, é a reação do público que acaba por definir o caminho de um personagem dentro da trama, dependendo de sua aceitação. Por isso, ele também enxerga no Gerson, que encarnou em Passione, de 2010, um avanço nesse sentido. Já que tratava-se de um personagem obscuro e envolto por mistérios. "Claro que estou na categoria de galã da emissora e a tendência é que as coisas aconteçam assim. Mas tive a sorte de, nos últimos trabalhos, poder sair radicalmente dessa história", salienta ele, que também viveu um papel controverso em Torre de Babel, de 1998: Guilherme, um dependente químico que acabou morrendo em uma explosão no shopping.

É sem falsa modéstia que Antony assume que hoje sabe fazer televisão. Mas nem sempre foi assim. Autocrítico ao extremo, o ator avalia como "um trabalho de péssima qualidade" o que desempenhou na novela que considera sua estreia no veículo: Salsa e Merengue, em que viveu Eugênio. Antes, ele havia feito apenas uma participação especial em O Rei do Gado. Foi na trama escrita por Miguel Falabella e Maria Carmem Barbosa que percebeu as reais dificuldades de se fazer TV. Ainda mais porque seu personagem era o principal da história. "Foi um grande buraco na minha vida, onde caí de paraquedas. Eu tinha experiência em interpretação, mas não tinha a 'manha' de gravar 35 cenas por dia. Era um ator imaturo protagonizando uma novela", recorda.   
           

Desvio de rota
Marcello Antony levou tempo para se encontrar profissionalmente. Chegou a cursar a faculdade de Jornalismo, mas abandonou no quarto período por não ter condições de pagar. Ficou alguns anos sem fazer nada, até que descobriu uma vocação para astrologia. Começou a fazer mapa astral para amigos e descobriu que havia uma faculdade para formar astrólogos em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio de Janeiro. Certo dia, foi até o local, mas o valor era praticamente o mesmo do curso de Jornalismo. Na hora de voltar para casa, na intenção de economizar o dinheiro do ônibus, foi encontrar uns amigos que faziam teatro na Cal – Casa das Artes de Laranjeiras –, renomada escola de interpretação, para pegar uma carona. "Quando cheguei lá, estavam abrindo um curso profissionalizante por um preço que eu queria ter encontrado no de astrologia. Falei: 'Quer saber? Vou ser ator'. Os astros conspiraram", brincou.

Mas o primeiro contato com a TV só aconteceu sete anos depois de sua estreia no teatro. É que Antony queria, antes de tudo, aprender a profissão. "Nunca tive espírito 'Big Brother', de quem busca a fama por qualquer coisa. Acho que, se não tivesse passado pelo teatro, não teria a experiência que tenho hoje. Por mais que, em Salsa e Merengue, eu tenha 'apanhado' por causa do ritmo de gravação", acredita ele, que vê nos palcos a melhor maneira de se reciclar como ator. 

Instantâneas
# Marcello Antony chegou a ser convidado para interpretar Dodi em A Favorita. Mas, por estar em um momento pessoal atribulado e não querer fazer novela das nove, achou melhor recusar o papel, que acabou ficando com Murilo Benício.
# Em seguida, ele protagonizou Ciranda de Pedra. "Era uma novela mais curta e da faixa das seis, que, geralmente, a imprensa não tem muito interesse", lembra.
# Em Amor à Vida, Eron terá um final feliz ao lado do cirurgião André, que será interpretado por Eriberto Leão.
# Foi quando assinou seu primeiro contrato com a Globo, em O Rei do Gado", que Marcello Antony percebeu que poderia se sustentar trabalhando como ator. "Fechei um contrato de três meses e saí de lá sem saber se o valor era para todo o período ou se era correspondente a cada mês", diverte-se.

Fonte: TV Press
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