0
TV

Na terceira temporada de 'The Crown', o legado da realeza se transforma entre os jovens

Os atores Jason Watkins e Josh O' Connor explicam como a família real segue como um símbolo que atravessa o tempo

16 nov 2019
19h58
  • separator
  • 0
  • comentários

No início da terceira temporada de The Crown, a opinião da rainha sobre o novo primeiro ministro, Harold Wilson, lembra o perfil de muitos políticos atuais. "Nem jovem, nem velho, nem alto, nem baixo, nem quente, nem frio."

Talvez lhe faltava laços mais nobres, ou sobrava muito de sua natureza plebeia, segundo a rainha. Para o ator Jason Watkins, que interpreta o primeiro-ministro, Wilson surge em um momento delicado para o Reino Unido, mas não perde a oportunidade de olhar para o futuro. "Ele entra quando a política sofre diversas baixas por renúncias provocadas por escândalos", diz o ator.

O Caso Profumo é um deles, tendo ao centro um escândalo sexual entre a modelo Christine Keeler e o John, o secretário de Estado, no meio de um governo conservador. Esse barulho vai tirar o sono do príncipe Phillip ainda nesta terceira temporada.

O marido de Elizabeth II era atendido pelo osteopata e amigo Stephen Ward, responsável por apresentar Profumo a Keeler. "É algo que enfraqueceu os conservadores e ajudou a alavancar políticos de orientação trabalhista", diz o ator de 53 anos.

O pouco tato de Wilson - ele precisa de ajuda, por exemplo, para saber como cumprimentar a rainha - faz parte de seu perfil modernizador, aponta o ator. "Ele esteve entre os principais articuladores para que o Reino Unido aderisse à Comunidade Europeia. Agora, ironicamente, estamos nesse impasse que se chama Brexit."

Se é diferente e alucinante para quem acompanhou algumas décadas de seu país, para os mais jovens a história do Reino Unido habita um lugar diferente. Aos 29 anos, o ator Josh O'Connor estreia no papel do jovem príncipe Charles. "Em geral, as pessoas da minha idade vão tendo contato desde a escola com essas histórias. Você se sente parte de uma tradição, há uma nostalgia e memórias felizes. Por outro lado, trata-se de algo que está em transformação, nem tudo continua como sempre foi."

Para Watkins, a série cumpre um papel de conexão entre a experiência de quem foi testemunha da história e o vigor de quem chegou por agora e pode apostar no que o futuro tem guardado. "Ao tornar figuras públicas mais humanizadas, The Crown dá oportunidade do público conhecer sentimentos, tantas vezes, ambíguos."

Estadão
  • separator
  • 0
  • comentários
publicidade