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Morre Ricardo Schnetzer, dublador de Al Pacino e Tom Cruise, aos 72 anos

Artista lutava contra a esclerose lateral amiotrófica (ELA) e construiu uma carreira histórica ao dar voz, em português, a astros como Tom Cruise, Al Pacino, Richard Gere e Nicolas Cage

5 fev 2026 - 08h54
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Morre Ricardo Schnetzer, dublador de Tom Cruise, Richard Gere e Nicolas Cage
Morre Ricardo Schnetzer, dublador de Tom Cruise, Richard Gere e Nicolas Cage
Foto: Reprodução @ricardoschnetzer via Instagram / Estadão

Morreu nesta quarta-feira, 4, aos 72 anos, Ricardo Schnetzer, um dos nomes mais respeitados e emblemáticos da história da dublagem nacional. O artista enfrentava uma batalha contra a Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença neurodegenerativa que compromete progressivamente o sistema nervoso.

A notícia da morte mobilizou fãs, colegas de profissão e admiradores de diferentes gerações, que cresceram ouvindo sua voz em filmes, séries, animações e novelas estrangeiras exibidas no Brasil.

Luta contra Esclerose

Diagnosticado com ELA, Schnetzer enfrentava um quadro delicado nos últimos anos. Diante dos altos custos do tratamento que incluíam enfermagem 24 horas e fisioterapia respiratória, amigos, familiares e fãs organizaram uma vaquinha online no início deste ano.

A campanha, que tinha como meta arrecadar R$ 200 mil, chegou a pouco mais de R$ 118 mil, demonstrando o carinho, o reconhecimento e o impacto profundo que o dublador teve na vida de milhares de pessoas e no próprio mercado audiovisual brasileiro.

Uma carreira que marcou gerações

Nascido no Rio de Janeiro, em 13 de abril de 1953, Ricardo Schnetzer iniciou sua trajetória artística na década de 1970. Formou-se na Escola de Teatro da Federação das Escolas Isoladas do Estado da Guanabara (FEFIEG), atual Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), onde estudou entre 1973 e 1976, e rapidamente se consolidou como uma das vozes mais requisitadas do País.

Ao longo de quase cinco décadas de carreira, tornou-se conhecido por dublar grandes estrelas de Hollywood, sendo frequentemente associado a atores como Tom Cruise, Al Pacino, Richard Gere, Nicolas Cage, além de John Cusack, Patrick Swayze, Kurt Russell, Daniel Day-Lewis e John Turturro.

Entre seus trabalhos mais icônicos estão personagens como o gângster Tony Montana, de Scarface; o piloto Maverick, de Top Gun; e o elegante Edward Lewis, de Uma Linda Mulher.

Dos cinemas às animações

Ricardo Schnetzer também deixou uma marca profunda no universo das animações e dos animes. Sua voz deu vida a personagens que se tornaram parte da memória afetiva de diferentes gerações, como o arqueiro Hank, de Caverna do Dragão; o emblemático Capitão Planeta; o vilão Slade, de Jovens Titãs; e Albafica de Peixes, em Os Cavaleiros do Zodíaco: The Lost Canvas.

Além disso, participou de produções de grande sucesso como Kung Fu Panda, Apenas um Show, Madagascar 2 e Madagascar 3. Na teledramaturgia estrangeira, foi o dublador oficial do ator mexicano Fernando Colunga, eternizando personagens como Carlos Daniel na novela A Usurpadora.

Atuação também como diretor e formador de talentos

Além de atuar como dublador, Schnetzer teve papel fundamental nos bastidores da indústria. Seu primeiro contato com a direção de dublagem aconteceu nos estúdios Herbert Richers, que dirigiu por cerca de 15 anos. Também passou por estúdios como Audio Corp, Bluebird e Alcateia, ajudando a formar novas gerações de profissionais.

Em 2016, participou ainda da radionovela Herança de Ódio, exibida dentro da novela Êta Mundo Bom!, da TV Globo, mostrando sua versatilidade e longevidade artística.

Homenagem do sobrinho

A morte de Ricardo Schnetzer também foi marcada por uma homenagem publicada nas redes sociais por seu sobrinho e filho de criação, Victor Vaz. No texto, ele relembra os ensinamentos, a convivência intensa e o incentivo recebido para seguir a carreira de dublador.

"O senhor me ensinou o valor da palavra ética e a defendê-la com unhas e dentes. Nunca teve vergonha de falar o que pensava. O importante era estar sendo verdadeiro."

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Victor também destacou o amor, as divergências e o afeto que marcaram os anos em que viveram juntos, além do apoio fundamental do tio em seus estudos e escolhas profissionais.

"Se hoje estou seguindo esse caminho é por sua causa, por ter acreditado em mim quando nem eu mesmo acreditava", escreveu.

A homenagem se encerra com uma despedida carregada de carinho: "Te amo. Do seu sobrinho e filho de criação. Descanse em paz, garoto bom."

Informações sobre velório e sepultamento ainda não foram divulgadas pela família.

Estadão
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