Eliana diz que transição de públicos foi maior desafio de sua carreira
Eliana traz em suas expressões toda a confiança adquirida ao longo de uma carreira toda à frente das câmaras. No entanto, atualmente tal segurança tem um motivo maior. A apresentadora sabe que é uma das poucas profissionais da TV brasileira que conseguiu realizar uma bem-sucedida transição de públicos - do infantil para o familiar.
No ar com o programa dominical Eliana, do SBT, ela se vê em uma das melhores fases de sua carreira. E não poderia ser diferente. Na disputa por um espaço aos domingos há apenas oito anos – os quatro primeiros na Record e o restante na emissora atual -, ela se viu consolidada na vice-liderança de audiência de seu horário. "Já tive meus altos e baixos na televisão. E sempre passei com tranquilidade pelos momentos ruins", analisa.
Neste ano, Eliana comemora ainda uma data especial: seus 25 anos de carreira, contados a partir de uma trajetória pela música. Na televisão, a estreia ocorreu em 1991, quando foi convidada por Silvio Santos para apresentar o infantil Festolândia. Desde então, não abandonou mais a profissão.
Em 1998, recebeu uma proposta da Record, onde permaneceu por 11 anos. Foi lá que se lançou para o público adulto. A carreira se consolidou e a apresentadora foi convidada a voltar para o SBT, em 2009, onde está até hoje. "Sou muito feliz na minha profissão. E, apesar de já ter aprendido muito ao longo desses 25 anos de carreira artística, sei que ainda tenho bastante a experimentar e fazer."
TV Press - Atualmente você está consolidada na vice-liderança de audiência de seu horário aos domingos, uma das faixas mais disputadas da TV aberta. Como enxerga essa conquista?
Eliana - Eu sempre falo que a minha equipe não está na guerra por audiência. Na verdade, a gente está na luta pela construção de um público. Pensamos a longo prazo, não nos números de agora. Então, por isso, usamos estratégias para que o programa tenha fôlego para permanecer por muitos anos no ar. Não apelamos para artifícios que dão audiência, mas desrespeitam o público, como pautas sensacionalistas, mulheres peladas, entre outros. Eu tenho esse cuidado desde a época em que trabalhava com crianças. Todos os meus programas carregam um DNA de entreter, mas também informar, porque acho isso essencial para fidelizar a audiência. O telespectador sabe que, se ele ligar a TV no programa Eliana, não vai se decepcionar, precisar tirar as crianças da sala ou ficar constrangido com as matérias e quadros. Além disso, o fato de eu ser a primeira mulher na disputa pela audiência de domingo me dá uma certa vantagem.
TV Press – Por quê?
Eliana -
Por uma questão de ter um olhar diferenciado para o conteúdo. Sinto que o olhar feminino sobre os temas que abordamos de alguma maneira foi algo inovador na televisão aberta. Eu, como a maioria dos brasileiros, cresci assistindo ao Silvio Santos, ao Gugu e ao próprio Faustão. E, de repente, entra uma mulher nesse hall dos domingos. No momento em que opto por pautas mais femininas no meu programa, isso já mostra a diferença. Sem contar que tenho mais propriedade para falar sobre certos temas que abordamos, como o quadro de ajuda às famílias ou quando levo uma médica ao palco para falar sobre a saúde da mulher.
TV Press – Rodrigo Faro é seu mais novo concorrente aos domingos. Como você encara essa disputa?
Eliana -
Eu enxergo apenas como meu trabalho. Somos dois profissionais, ele tem o programa dele e eu o meu. É claro que, durante a programação, quando estamos no ar, existe uma concorrência, mas é muito saudável. Não há rivalidade. É uma coisa boa para o público e para a gente, porque acabamos tendo de estar sempre inovando. Quando há uma novidade do outro lado, eu e minha equipe nos movimentamos para criar algo também. Vejo que a concorrência aumenta a nossa criatividade e deixa o
Elianacada vez melhor. No fundo, quem ganha com isso é o próprio telespectador. Sem contar que tenho o maior carinho pelo Faro, que é meu amigo, uma pessoa que conheço há anos.
TV Press - Você trabalhou com transmissões ao vivo por muitos anos ao longo de sua carreira. Atualmente, o Eliana só é ao vivo em ocasiões especiais. Sente falta desse estilo de programa?
Eliana -
Eu gosto do ao vivo. Mas hoje, tecnicamente, não dá para fazer dois dominicais ao vivo no SBT. E como tem o programa do Celso (Portiolli), o
Domingo Legal, o meu acaba tendo de ser gravado. Então só não faço mesmo ao vivo por questões técnicas. Quando isso for resolvido, certamente meu programa vai poder entrar ao vivo quando a gente quiser. Artisticamente é mais interessante. E, apesar de não ter um resultado muito bem acabado, você ganha em naturalidade. Além de ficar mais próximo do público. Mas o programa
Elianaé gravado quase como se fosse ao vivo. Ele não para, os quadros simplesmente fluem.
TV Press - Você começou sua carreira de apresentadora quando tinha 18 anos no SBT e ficou por lá até 1998, quando trocou a emissora de Silvio Santos pela Record. O que pesou na hora de tomar aquela decisão?
Eliana - Na época, eu tinha um programa diário no SBT, o Eliana & Cia, de duas horas, e queria expandir um pouco mais meu espaço na televisão. Então a Record me ofereceu mais espaço artístico. Não vou dizer que o lado financeiro também não foi importante, porque foi. Mas o lado artístico pesou mais. Eles me deram um programa diário, o Eliana & Alegria, com quatro horas de duração. Além de um espaço aos domingo, o Eliana no Parque. E isso foi ótimo para aquele meu momento profissional.
Terra - Foi na Record que você fez a transição do público infantil para o adulto. Como foi essa experiência?
Eliana - Ter feito a transição do programa infantil para o familiar foi um grande desafio. Posso dizer que esse foi o momento mais difícil da minha carreira. Eu estava saindo de um público já consolidado, com o qual tinha audiência, para um futuro incerto. Mas eu sabia, pensando no futuro, que precisava fazer essa transição. Para me preparar, tive de ficar oito meses fora do ar. Fiz terapia para entender esse novo momento da minha carreira. Também precisei do auxílio de uma fonoaudióloga para trabalhar a minha voz, porque quando você fala com uma criança, normalmente, sua voz fica mais doce, isso é humano. Então, quando ligavam as câmeras, já me sentia falando com o público infantil e a minha voz ficava automaticamente mais doce. Para falar com o público adulto, eu não poderia usar essa mesma entonação. Foi uma mudança muito difícil, psicológica mesmo.
TV Press - A transição para o público adulto veio acompanhada da responsabilidade de encarar um programa aos domingos. Como foi esse momento da sua carreira?
Eliana -
O domingo é um dos horários mais nobres da televisão brasileira. A terapia me ajudou também nesse aspecto. Mas desde que estreei com um programa voltado para o público adulto, sempre tive o objetivo de construir minha audiência. E sinto que estou conseguindo fazer isso, porque eu já alcançava a vice-liderança quando era da Record. E, quando voltei para o SBT, continuei no segundo lugar de audiência. Então o público me acompanhou.
TV Press - Deixar a Record e voltar para o SBT foi uma decisão difícil?
Eliana -
Quando você recebe uma ligação do próprio Silvio Santos dizendo, "quero te trazer de volta para você dividir os domingos comigo”, não tem como recusar (risos). Foi uma realização. Um sinal de que eu realmente tinha crescido profissionalmente. Foi quem me descobriu, viu essa evolução e me trouxe de volta. Então eu não poderia dizer "não" e foi muito bacana ter voltado. Tenho muito orgulho desse passo na minha carreira.
TV Press - Uma marca do Eliana é a busca por essa conexão entre TV e internet. Como você enxerga a junção dessas duas plataformas?
Eliana -
Trazer para o palco essa conexão com a internet é incrível. Porque a TV e a web são duas mídias que se complementam. Então acredito que seja necessário que haja esse casamento. Quem negar que a internet é importante está fadado a um erro muito grande, que pode até acabar com um programa. E, nessa junção, os dois lados se dão bem.
Outros rumos
A carreira artística de Eliana começou quando ela ainda era uma criança. Filha de um zelador cearense e de uma diarista paranaense, a apresentadora nasceu em São Paulo e sonhava, desde a infância, em ser cantora. Depois de muita insistência e uma série de testes, foi chamada para integrar o grupo A Patotinha, aos 13 anos de idade. "Nessa época, eu só pensava em cantar", relembra.
Sua dedicação à profissão era tamanha que, quatro anos depois de entrar para o universo da música, ela já estava em outro grupo, dessa vez mais profissional. Eliana era uma das integrantes do Banana Split – grupo popular de forte apelo sensual que fez sucesso na década de 1990.
E foi durante uma participação do conjunto no programa Qual é a Música?, de Silvio Santos, que ela foi descoberta pelo dono do SBT. Mesmo sem nunca ter pensado em trabalhar na televisão, Eliana aceitou o convite e estreou como apresentadora infantil. "O Silvio percebeu que eu tinha esse talento. Foi o visionário da minha carreira de apresentadora de tevê", ela diz.
Vingança feminina
Recentemente, Eliana esteve envolvida em uma polêmica com o apresentador Danilo Gentili. Convidada do programa Agora é Tarde, ela teve um ovo quebrado em sua cabeça na gravação do talk show. Durante o episódio, a apresentadora levou a brincadeira de forma bem-humorada e prometeu vingança ao comediante.
E, neste domingo (25), Gentili sofreu as consequências de seu ato no programa Eliana. "Eu e minha produção trabalhamos com muito afinco para criar essa vingança. Fizemos ele pular de uma altura de 45 metros em queda livre, cortamos o cabelo dele e ainda o fizemos beijar um fenômeno da internet chamado Laila Dominique. Agora ele aprendeu que não deve mexer com uma mulher arrumada."
Trajetória Televisiva
Festolândia (SBT, 1991)
Sessão Desenho (SBT, 1992)
Bom Dia & Cia (SBT, 1993)
TV Animal (SBT, 1996)
Eliana & Cia (SBT, 1997)
Eliana & Alegria (Record, 1998)
Eliana no Parque (Record, 1999)
Eliana na Fábrica Maluca (Record, 2003)
Programa Eliana (Record, 2004)
Tudo É Possível (Record, 2005)
Eliana (SBT, 2009)