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CBS lança nova série médica na TV americana

2 abr 2010 - 07h59
(atualizado às 08h05)
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Quando é que Jerry Bruckheimer - responsável pela produção de mais ou menos 43 seriados na rede CBS - desviará sua atenção dos dramas sobre técnicas policiais e dedicará atenção a algo de diferente - digamos, os garis? Ou os encarregados de retomar carros de devedores embusteiros, conselheiros em acampamentos de férias, instrutores de aviação, funcionários de serviços de controle de animais?

Mas não: Bruckheimer preferiu produzir - esperem só, porque é uma supernovidade - um drama hospitalar! Por isso, ele assumiu a responsabilidade pelo novo seriado da CBS, Miami Medical (nossa, até o nome é inspirador), o que significa que as coisas serão rápidas e a carnificina terá ar cinematográfico. Os episódios serão facilmente digeríveis, como os dos demais seriados da CBS, e ao final de uma hora o espectador nem conseguirá recordar o que assistiu, porque já terá visto a mesma coisa 2.567 vezes, e o cérebro esgotou a capacidade de arquivar separadamente esses materiais.

E, além disso, não é um seriado muito bem. (É uma consideração que você talvez estivesse esperando.) Experimente mais essa: não perca tempo com ele.

Mas eis a parte realmente irritante de toda a história, e aquela que encontro mais dificuldade em explicar: por que um drama médico? Por que optar pela mediocridade e segurança? Para o espectador comum, isso talvez não seja assim tão imperdoável, mas para um crítico de TV é algo que faz o cérebro ferver de raiva.

Parte do problema está nos telespectadores - talvez não você exatamente, mas em outras pessoas como você. É uma daquelas situações do tipo "o ovo ou a galinha" - não se sabe se os telespectadores disseram às redes que desejam uma corrente infinda de dramas hospitalares, policiais e jurídicos ou se as redes insistem tanto com os médicos, enfermeiras, policiais, detetives, investigadores forenses, promotores, advogados de defesa e juízes que todo mundo acaba aceitando, vencido pelo cansado, e isso se torna a dieta padronizada da televisão.

É a praga de ER e Grey's Anatomy multiplicada por cinco mil. É uma tempestade de Adam-12, NYPD Blue e CSI vezes 8.500. Cópia após cópia chega às telas, e nós assistimos. Algumas poucas dessas versões mudam ligeiramente a fórmula e convencem a ponto de merecer imensos elogios da crítica. Por exemplo, é difícil ignorar as aulas de interpretação que Edie Falco oferece em Nurse Jackie, no qual ela é enfermeira mas uma anti-heroína. No momento, muitos espectadores mais antenados de TV estão ansiosos para que um seriado policial que terminou cancelado, Southland, seja retomado pela rede TNT. Não é porque as pessoas querem ver a fórmula repetida uma vez mais, mas porque desejam que ela seja melhor.

Parte disso se relaciona à familiaridade criada por médicos, advogados e policiais. Em certo sentido, isso é tudo a que já assistimos. A premissa é confortável, e conhecemos os roteiros quase passo a passo.

Mas excetuados os raros seriados que reinventam um gênero, qual é o custo para o telespectador de cada uma dessas empreitadas repetitivas e mercenárias? Miami Medical não consegue encontrar nem mesmo um bom nome. Que esforço está envolvido no processo? Os atores trabalham com a mesma mistura enfadonha de papo romântico, egoísmo sardônico e heroísmo dramático a que estamos acostumados. A suposta novidade - e não acredite nas promessas - de Miami Medical é que ER era um seriado para os fracos, e apenas pessoas com expectativa de vida de menos de 60 minutos - "a hora dourada", como diz o programa- são atendidas por esses médicos e enfermeiras craques em salvar vidas. Que tédio.

Se os telespectadores são cúmplices nessa tediosa repetição de ideias, as redes e canais de TV a cabo são ainda piores. E nenhuma delas adora uma ideia comprovada mais que a CBS. A despeito de se ter tornado possivelmente a mais bem gerida das redes exatamente por saber o que a audiência deseja, chega um momento em que é preciso mudar. A falta de imaginação e ousadia da CBS é espantosa. A rede começou a temporada com a tediosa série médica Three Rivers (a novidade teórica era que tratava de cirurgiões cuja especialidade são os transplantes), e agora liga a copiadora e nos apresenta Miami Medical.

Mais chato impossível, gente.

Qual foi o seriado dramático mais surpreendente da temporada? Men of a Certain Age, da TNT, porque observava de maneira honesta e criativamente ambiciosa homens em crise de meia-idade, e o fazia de modo inovador. Os dois melhores dramas em cartaz, ambos na AMC, têm cada qual uma premissa singular: um executivo publicitário em crise existencial na Madison Avenue dos anos 60 (Mad Men) e um professor de química que sofre de câncer terminal e se transforma em traficante de drogas para deixar dinheiro para sua complicada família (Breaking Bad). Já no FX, Kurt Sutter percebeu que ninguém havia realizado uma boa série de TV sobre as gangues de motociclistas, e produziu Sons of Anarchy. O que essas séries têm em comum? Não são formulaicas. E são ótimas.

Existem muitos motivos para isso. Mas o principal é que tentam fazer algo de original e diferente. Chega de médicos, advogados e policiais. Vamos observar a vida e o trabalho de alguma outra categoria, por favor.

Miami Medical é a nova série médica da TV americana
Miami Medical é a nova série médica da TV americana
Foto: Divulgação
The New York Times
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