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Bolaños criou heróis carentes e falhos como qualquer um de nós

28 nov 2014 - 19h55
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Foto: Reprodução/Televisa
Foto: Reprodução/Televisa
Foto: Sala de TV

A genialidade de Roberto Bolaños estava na simplicidade. Ele partia sempre do comum para gerar algo fenomenal em popularidade.

Chaves nada mais é do que um garoto abandonado em busca de comida, atenção e carinho. É possível reconhecer seus semelhantes em cada esquina de uma grande cidade.

Chapolin, o super herói atrapalhado, traduz a vontade coletiva de ir além das limitadas forças humanas para promover o bem — o próprio e o dos que nos cercam.

Com linguagem universal mais forte do que a diferença entre as culturas e os idiomas, os personagens criados por Bolaños ganharam o planeta.

Já ele parecia determinado a nunca sair de seu casulo. Como tantos outros criadores, o artista mexicano demonstrava timidez e melancolia.

Provavelmente fugia da imprensa para evitar que a vida pessoal — agitada e polêmica como a de qualquer outra celebridade — contaminasse a imagem de Chaves, Chapolin e tantos outros tipos de sucesso.

No Brasil, Chaves tornou-se 'curinga' de Silvio Santos. Muitas vezes a produção simplória dos anos 80, considerada 'tosca' por muitos, chegou a ameaçar a liderança de audiência da toda poderosa Globo.

Em uma TV aberta que despreza cada vez mais o público infantil, Chaves passou a representar um ponto de resistência em uma programação que não pensa em formar os telespectadores do futuro e raramente produz humor para as crianças.

Quando questionado sobre o valor de sua obra, ele rechaçava bajulação. Fazia tudo parecer quase trivial.

"O heroísmo não consiste em não ter medo, mas sim em superá-lo", costumava dizer sobre a índole dos tipos aos quais deu vida — e talvez se referisse a ele mesmo.

A morte de Roberto Bolanõs faz seus personagens tornarem-se mais do que destemidos. Agora são imortais.

Sem querer querendo, ele revelou ao mundo a sua astúcia.

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