Sucesso de novelas e filmes antigos adia reformulação das tardes da Globo
Mexer no que vai bem ou implementar uma arriscada mudança radical? Esse é o dilema vivido pela cúpula da Globo em relação à faixa vespertina da programação.
Há tempos existe o projeto de fazer um programa híbrido, com jornalismo e entretenimento, para ocupar as faixas do Vale a Pena Ver de Novo e da Sessão da Tarde.
Mas a audiência positiva da 'velharia' - filmes e novelas com até mais de 20 anos - é um empecilho para trocar o certo (e barato) pelo duvidoso. A nova atração exigiria milhões em investimentos sem garantia de conseguir o mesmo resultado no Ibope.
As comédias e dramalhões exibidos no Vale a Pena Ver de Novo proporcionam boa média. Na semana passada (entre os dias 20 e 24), a Sessão da Tarde marcou 11.4 pontos. Exibido na sequência, o repeteco de Anjo Mau, trama de 1997, alcançou 15.4 pontos.
O Vídeo Show, que já foi o maior destaque da grade à tarde e atravessa uma longa fase de audiência baixa, registrou 9.6 pontos de média no mesmo período. Ao vivo, baseado no factual e com um elenco estelar à disposição, o programa deveria apresentar resultado melhor.
A Globo está entre os maiores produtores de conteúdo do planeta. Tal posição torna incompatível a dependência do canal de reprises e filmes enlatados. Contudo, prefere não arriscar por enquanto.
Nenhuma emissora consegue faturamento expressivo na faixa da tarde. Os grandes clientes preferem investir as verbas milionárias de publicidade nos programas da manhã e nas atrações do horário nobre (das 18h à meia-noite).
Mesmo assim, as TVs, e em especial a líder Globo, deveriam dar mais atenção ao numeroso público que, por inúmeras razões, posta-se diante da telinha no meio do dia.
Rever novelas de sucesso e filmes leves é um bom passatempo, mas o telespectador merece experimentar mais do que o simples saudosismo.