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Peça LGBT Bruta Flor tem atores da TV contra a homofobia

11 out 2016 - 10h55
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Foto: Sala de TV

Após emplacar uma série de trabalhos na teledramaturgia, o ator Márcio Rosário decidiu voltar ao teatro, onde começou a carreira. Mas trocou de lado: assumiu as funções de diretor e produtor do espetáculo Bruta Flor, que estreia em novembro, em São Paulo.

Para o elenco, ele convidou três talentos da nova geração: Leo Rosa, o Átila da novela Escrava Mãe (Record), Lidi Lisboa, a Esméria da mesma trama, e Pedro Lemos, que interpretou Tobias em Chiquititas (SBT).

O trio mergulhou sem rede de proteção num texto denso e potencialmente polêmico, que trata da homofobia internalizada e sua possível consequência trágica. O tema não poderia ser mais atual: o Brasil vive uma onda de intolerância contra a diversidade sexual.

Diretor e atores conversaram com o blog.

Foto: Sala de TV

Márcio Rosário (Diretor e produtor)

Como descobriu a peça?

O texto inédito do Vitor de Oliveira e do Carlos Fernando Barros chegou em boa hora porque eu queria muito falar sobre preconceitos e homofobia. A abordagem é profunda e há uma dose de espiritualidade. Soube de cara que era a peça que eu procurava.

Por que investir em teatro neste período complicado no país?

Amo o palco. Ele me aperfeiçoa como ser humano. É um privilégio promover a temática LGBT, apesar das dificuldades que o tema impõe à produção. Não temos nenhum patrocínio, apenas apoios culturais. Não imaginei que haveria preconceito dos grandes patrocinadores com um projeto necessário para discutir esse tabu na sociedade. Sorte que tenho uma equipe excelente e ótimas parcerias.

Não previu esse temor por parte dos possíveis patrocinadores ao ler a peça?

Minha única preocupação era apresentar um bom texto, que fizesse a plateia refletir. Isso a peça tem de sobra. Sim, o tema é polêmico e há cenas de nudez, necessárias ao contexto. Porém não existe nada que possa prejudicar a imagem de uma empresa. Pelo contrário. O patrocínio mostraria que aquela marca está lutando contra a homofobia e apoiando quem sofre essa violência. A polêmica em torno da peça é fundamental para levantar essa questão.

Como chegou ao elenco?

Procurei atores corajosos, sem pudor de aparecer nus, sem nenhum preconceito, interessados em realizar um trabalho relevante. Consegui um elenco talentoso e estudioso. Respeitam a proposta dramatúrgica, a minha visão do espetáculo e a arte em geral.

Quais foram suas inspirações para dirigir o espetáculo?

Misturei referências de cinema e teatro. Vi peças com temática LGBT na Broadway, em Los Angeles e Londres. Produções como Normal Heart, Falsettos e Angels in America me ajudaram a delinear os personagens Lucas, Miguel e Simone. A mensagem que quero passar ao público é simples: para amar é preciso ter muita coragem.

Foto: Sala de TV

Léo Rosa (Lucas)

A maioria dos atores com rótulo de galã evita projetos polêmicos. Outros ousam justamente para romper a imagem estereotipada. Este é o seu caso?

Sou movido por histórias e assuntos que me são caros no afeto e que sinto necessário debater no tempo em que vivemos. Os autores da peça têm um olhar amoroso e bastante pertinente sobre a realidade de um homem (Lucas) que está em um profundo conflito com a própria aceitação. Quanto a ser rotulado, sou ator. E ator não cabe em recipiente que leva nome no rótulo. Sou múltiplo, e procuro oportunidades como essa, de me revisitar, descobrindo dentro de mim tudo o que posso ser.

Como foi a composição do personagem?

Tenho estado muito atento ao redor. Infelizmente o nosso tempo é a referência mais latente para falar de preconceito. E mesmo diverso e culturalmente rico, o Brasil é um país onde tudo que se considera 'diferente' é marginalizado. Sofrer repressão já é comum a nós. 'Bruta Flor' é a explosão do belo que, não podendo irradiar o seu brilho, espalha os espinhos, ferindo os sonhos e manchando de sangue o futuro. Castrados de ser o que são, muitos ficam pelo caminho! Que sejamos um farol para iluminar os que resistem… e não se entregam!

O espetáculo tem cenas de beijo entre você e outro ator e nudez. Como se prepara para essa exposição?

Eu, como ator, uso o corpo, a voz e o pensamento para me comunicar com o outro e com a plateia. Não estou preocupado com a exposição física, se vou estar nu no palco. O que importa é a interação com meus colegas, com o entendimento da minha personagem e como as pessoas receberão esta história de amor e de luta que Lucas, Miguel e Simone vivem. Eu e meus colegas de cena estamos prontos para nos jogarmos no precipício! Evoé!

O que seus fãs, que hoje o acompanham na novela Escrava Mãe, podem esperar de sua atuação?

Empenho e entrega na busca por dar espaço e energia a esta alma/personagem que pede passagem! Espero sair deste trabalho mais senhor de mim, me aceitando mais como ser humano e vendo o mundo cada vez mais aceitando as diferenças entre as pessoas.

Foto: Sala de TV

Lidi Lisboa (Simone)

O espetáculo tem temática forte e potencialmente polêmica. Quais razões a levaram a aceitar o papel?

Adoro desafios. O tema abordado na peça não deveria ser uma polêmica no meu ponto de vista, porém, a sociedade ainda reluta para aceitar o amor entre duas pessoas do mesmo sexo. No fundo, creio que ninguém é de ninguém, as pessoas apenas se encontram para trocar experiências e viver momentos, independentemente de crença, religião, sexo ou etnia.

Hoje discute-se muito o empoderamento feminino. Você se preocupa com isso ao escolher os papéis que vai interpretar na TV e no teatro?

Não, definitivamente esse não é um pré-requisito para os meus trabalhos. Sou a favor da igualdade, acima de qualquer coisa. Considero importante as mulheres terem direitos na sociedade, mas a escolha dos meus personagens não depende disso.

Foto: Sala de TV

Pedro Lemos (Miguel)

Vivemos tempos de muita intolerância. Acha que a temática da peça pode contribuir no combate à homofobia?

Todo passo dado no sentido da defesa da igualdade dos indivíduos tem seu valor. A intolerância de hoje é mais explícita exatamente porque sinto que a questão LGBT avançou muito nos últimos anos. Assim, muita gente que ainda não despertou para o respeito ao próximo sente-se violado e, assim, passa a ser radical. É como se estivessem sendo obrigados a engolir algo que não entendem. Aos poucos, com peças como a nossa e outras tantas manifestações sociais e artísticas, a questão vai se tornando menos tabu.

Quais referências buscou para compor o personagem?

Tenho muitos amigos gays e meu maior objetivo é honrá-los, primeiramente, não caindo na caricatura. No mais, acho que a inspiração vem do próprio texto, que me aponta, através das ações, como o personagem se comporta nessa passagem da vida dele. Não penso em uma figura única pra ter referência, e, sim, busco analogias comportamentais em mim mesmo pra situações próximas.

Como é ficar nu em cena e beijar outro ator?

A direção é muito cuidadosa nessa exposição, afinal, a nudez tem que surgir em obras artísticas apenas na medida necessária para servir ao propósito do espetáculo. Na nossa peça, nada é colocado gratuitamente. O tratamento estético pensado pelo Márcio Rosário não pesa nem aposta nisso como ponto central do espetáculo. Uma boa insinuação tem muito mais força e beleza do que quando isso é feito de maneira explícita. É importante não entregar alguns pontos, para que o público possa ser responsável pela criação de parte do espetáculo, internamente.

Foto: Sala de TV

Bruta Flor - Estreia dia 11/11 no Teatro Raposo (Sala Irene Ravache), do Raposo Shopping, em São Paulo.

Sessões: sexta às 21h30, sábado às 22h00 e domingo às 20h30. Até 18/12.

Trilha sonora: Cida Moreyra.

Cenário e figurino: Maureen Miranda.

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