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Livro sobre o Profissão Repórter é tão bom quanto o programa

27 jun 2016 - 08h50
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Caco Barcellos e equipe revelam os bastidores de grandes reportagens (Foto: TV Globo/Divulgação)
Caco Barcellos e equipe revelam os bastidores de grandes reportagens (Foto: TV Globo/Divulgação)
Foto: Sala de TV

"Acompanhar e testemunhar são dois verbos muito presentes no 'Profissão Repórter'. (…) Ficar no local dos fatos muito tempo depois que os outros jornalistas já saíram e tentar se fazer quase imperceptível (…). Quando essas condições estão dadas, acontece quase como uma dádiva: uma cena forte, humana, muitas vezes surpreendente, se apresenta para a câmera."

O depoimento escrito pela jornalista Ana Escalada em um capítulo de 'Profissão Repórter 10 anos - Grandes aventuras, grandes coberturas', resume a alma do programa e do livro lançado pela editora Planeta. Caco Barcellos e sua equipe de repórteres caminham na contramão da cobertura superficial e sem empatia vista na maioria das atrações de TV que se pretendem jornalísticas.

A obra tem textos saborosos de mais de vinte jornalistas que fazem ou fizeram parte do 'Profissão Repórter'. O leitor é capturado pela emoção do contato com os entrevistados e a reprodução minuciosa das dificuldades de se realizar uma matéria que vá além do fato em si - capaz de fazer a emoção genuína completar a informação e transpor a fria tela do aparelho de TV.

"Perdidos naquela catástrofe, de madrugada, começamos a discutir dentro do carro. Duas semanas de estresse e tristeza. (…) Mari desaba a chorar. Chora e soluça. Está triste por tudo o que vimos naqueles dias (…)", relata o repórter Thiago Jock, referindo-se à colega de equipe e futura esposa Mariane Salerno, em episódio de risco de morte vivido por eles no Haiti, durante a cobertura do terremoto que devastou o país caribenho, em 2010.

Em outro trecho, ao romancear o roteiro de uma reportagem, Caco Barcellos relembra ter entrevistado um matador de mulheres em fuga, sentado ao lado dele em um avião, sem saber de quem realmente se tratava aquele homem. O mestre do jornalismo acabou surpreendido pelo bastidor de sua própria reportagem.

A exposição da fragilidade de quem corre atrás da notícia, e não apenas de quem é notícia, está entre as maiores qualidades do livro. Até o leitor que não acompanhou nenhuma daquelas matérias pode se sentir parte das experiências dramáticas, perigosas ou cômicas. São quase 400 páginas com registros de humanidade dos dois lados da câmera.

Capa do livro e Caco em campo com sua equipe (Fotos: Editora Planeta/Divulgação e TV Globo/Divulgação)
Capa do livro e Caco em campo com sua equipe (Fotos: Editora Planeta/Divulgação e TV Globo/Divulgação)
Foto: Sala de TV

Jornalismo de qualidade, audiência em alta

A temporada do Profissão Repórter iniciada em abril renovou o fôlego do programa em seu décimo ano. Agora exibido às quartas-feiras, herda público do futebol transmitido logo após a novela das 21h. A nova posição ocupada na grade de programação apresentou resultado imediato.

Os doze episódios já levados ao ar atingiram a boa média de 14 pontos no Ibope. Cada ponto representa 69 mil domicílios (e cerca de 200 mil telespectadores) sintonizados na região metropolitana de São Paulo.

O recorde de audiência foi no dia 4 de maio, quando a equipe de repórteres revelou os bastidores da indústria pornográfica e do mercado de produtos eróticos: 17 pontos de média, cerca de 3 milhões e meio de pessoas diante da TV somente na capital paulista e cidades vizinhas.

Caco Barcellos não teme abordar assuntos polêmicos e pouco vistos no telejornalismo da TV aberta. Nas últimas edições destacou o aumento do número de jovens contaminados com sífilis, o abandono dos brasileiros portadores de doenças psiquiátricas e as dificuldades de quem se assume gay ou muda de gênero sexual.

Sob a ótica da ética do jornalismo, o Profissão Repórter é o programa mais coerente e imparcial da Globo. Procura sempre dar espaço ao contraditório e evita fazer julgamento de valor das pessoas e situações mostradas. Isso não evitou que alguns de seus repórteres, e até mesmo o prestigiado Caco Barcellos, fossem hostilizados durante a cobertura de manifestações políticas.

Mesmo debaixo de ataque, o programa nunca deixou de mostrar que há sempre o outro lado da notícia. Além de ressaltar que, atrás de cada entrevistado, existe uma história interessante a ser descoberta e contada com a dignidade e a equidade que devem ser prioridade no jornalismo.

Barcellos com integrantes de sua equipe (Foto: TV Globo/Divulgação)
Barcellos com integrantes de sua equipe (Foto: TV Globo/Divulgação)
Foto: Sala de TV
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