Elas desafiaram o racismo e são novas estrelas da TV
Em tempos de discussão — e polêmica — sobre racismo contra personalidades da TV brasileira, notícias vindas da Europa servem de incentivo na luta contra a discriminação. Duas mulheres negras acabam de conquistar espaço privilegiado na televisão de Portugal.
A jornalista Conceição Queiroz, nascida em Moçambique, país de língua portuguesa no sudeste da África, acaba de assumir o posto de âncora do canal de notícias TVI24, um dos líderes de audiência entre os telespectadores portugueses.
"Contam-se nos dedos de uma mão os apresentadores negros de telejornais. Mas o mundo mudou. A comunidade negra agora vê que isso é possível. Vamos quebrar essas barreiras e ir ao encontro do público", declarou ao Diário de Notícias de Lisboa.
"Espero que logo não seja mais notícia o fato de um âncora ser negro, mulato, chinês ou indiano", disse Conceição, de 41 anos e 21 de carreira.
No novo posto, a apresentadora não abre mão da africanidade: surge no vídeo com cabelos black power tingidos de loiro.
Já é apontada como referência de estilo entre as conterrâneas radicadas naquele país e as mulheres que, independentemente da etnia, têm cabelos crespos.
Neste momento, a teledramaturgia portuguesa também dá um passo à frente em direção à diversidade.
A novela 'A Única Mulher', exibida em horário nobre na emissora aberta TVI, é estrelada por Ana Sofia Martins, uma das poucas atrizes negras na TV lusa. Entre os temas abordados na trama estão o racismo e o casamento interracial.
A atriz de 28 anos, filha de pai cabo-verdiano e mãe portuguesa, surpreendeu o público recentemente ao opinar sobre a maneira ideal de combater o preconceito: "Acho que os racistas precisam de amor e carinho".