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Bolsonaro faz devassa em contratos da 'inimiga' Globo

Advogado defensor de artistas da emissora diz que o governo quer destruir a TV da família Marinho

18 jan 2020
12h12
atualizado às 12h13
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Em tempos de 'BBB', a Globo foi enviada para o paredão. E quem está louco para eliminá-la não é o telespectador, e sim o homem mais poderoso da República. De acordo com a coluna Radar, assinada pelo jornalista Robson Bonin na revista Veja, a Receita Federal ampliou a fiscalização de contratos da emissora.

Em tempos de BBB, a Globo foi enviada para o paredão.
Em tempos de BBB, a Globo foi enviada para o paredão.
Foto: Montagem: Sala de TV

O Fisco passou a abordar e autuar artistas globais do primeiro time, aqueles com alto salário. Exige saber por que o vínculo é como PJ (Pessoa Jurídica) e não CLT (carteira assinada).

Quem é PJ paga alíquota menor de Imposto de Renda. Caso fique comprovado ter havido fraude a fim de burlar a tributação, a multa às celebridades enquadradas pode chegar a 150% da diferença de valor.

O advogado Leonardo Antonelli, irmão da atriz Giovanna Antonelli e defensor de vários globais, acusa o governo de Jair Bolsonaro de perseguição para "destruir a Globo" por meio de prejuízo aos artistas da casa.

Esse é o primeiro grande movimento da gestão bolsonarista contra a principal emissora do Grupo Globo, considerado um "inimigo" nas palavras do próprio presidente. A ação da Receita, ainda que tenha legitimidade, parece ser a materialização das ameaças do então candidato do PSL ao Planalto.

Durante a corrida eleitoral de 2018, Bolsonaro avisou que acionaria a Receita para averiguação rígida de contas, contratos e supostas dívidas de impostos do canal. Disse ainda que diminuiria a verba de publicidade federal destinada à emissora (o que já aconteceu no ano passado) e cogitou dificultar a renovação da concessão de funcionamento da TV da família Marinho, no ar há 55 anos.

Em resposta transmitida em seus telejornais, a Globo assegurou não ter pendências ou irregularidades com órgãos do governo. Nos últimos anos, o valor das campanhas estatais não chegou a 5% do faturamento anual da emissora, bem distante do R$ 1 bilhão citado por Bolsonaro.

Em nota oficial, o grupo sinalizou despreocupação com a ameaça de cancelamento da concessão pública e declarou jamais ter deixado de cumprir suas obrigações.

A guerra de Jair Bolsonaro com a Globo está diretamente ligada ao jornalismo da casa. Ele nunca aceitou as notícias negativas veiculadas no canal a seu respeito e em relação aos seus três filhos também políticos.

Sempre se colocou como perseguido e injustiçado pelo âncora William Bonner e demais jornalistas globais. A emissora diz atuar com imparcialidade e isenção ao informar sobre o clã do presidente.

Às vésperas do início do 'Big Brother Brasil 20' na TV, a disputa de poder entre Bolsonaro e a Globo é o mais surpreendente e temerário reality show da política brasileira. Impossível prever se haverá um vencedor nessa competição.

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