Beth Goulart fala como é viver dependente química em novela
"Ao mesmo tempo, ela tem uma doçura, uma subjetividade. Ela é preocupada, uma 'mãezona'", define a atriz
Neste ano, em que completa 40 anos de carreira, Beth Goulart recebeu um presente de Cristianne Fridman. A autora da novela Vitória, da Record, escreveu uma personagem pensando na atriz. Mãe do protagonista Artur, de Bruno Ferrari, Clarice é uma mulher frágil e viciada em remédios controlados. "Ao mesmo tempo, ela tem uma doçura, uma subjetividade. Ela é preocupada, uma 'mãezona'", define a atriz. Para se preparar o folhetim, Beth precisou se consultar com uma psiquiatra para aprender melhor o perfil de uma adicta em remédios. Além disso, passou uma semana gravando em Curaçao, no Caribe. "É sempre bom viajar. Abre a cabeça, amplia os horizontes. Como havia acabado de passar por problemas familiares, minha participação lá foi reduzida, mas foi excelente para dar uma respirada", relembra ela, citando a morte de seu pai, o também ator Paulo Goulart.
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Natural do Rio de Janeiro, Beth, às vésperas de completar 54 anos, divide sua carreira entre o teatro e a TV. "O caminho do teatro é o mais difícil. O ator precisa fazer TV para ser visto. É como se fosse uma vitrine para seus outros trabalhos", opina. Após estrear na extinta TV Tupi em 1976, no folhetim Papai Coração, a atriz ficou por anos na Globo até trocar a emissora pela Record, onde está desde 2011, quando interpretou a vilã Regina em Vidas em Jogo. "O ator tem de ir onde o trabalho está", diz, categórica. Enquanto grava Vitória, Beth dá um tempo na peça Simplesmente Eu, Clarice Lispector, mas não se afasta do teatro. Ela vai dirigir a mãe, Nicette Bruno, em um monólogo inspirado em dois livros de Lya Luft, Perdas e Ganhos. "É o encontro do teatro clássico com o contemporâneo", define.
Como é receber uma personagem feita especialmente para você como a Clarice, de Vitória?
Beth Goulart -
Vejo como uma homenagem a mim e ao meu trabalho. Por isso recebi o convite de coração aberto. Estou em cartaz com
Simplesmente Eu, Clarice Lispectordesde 2009 e é um grande carinho a Cristianne fazer essa homenagem colocando o mesmo nome em uma personagem na novela dela.
Sua personagem é viciada em remédios controlados e passou por um tratamento psiquiátrico forçado no início da novela. Como foi a sua preparação?
Beth Goulart -
Tive apoio de uma médica psiquiátrica para compor a Clarice. Busquei orientação sobre como uma pessoa age quando está sob os efeitos desses remédios e procuramos traçar o perfil de quem tem uma necessidade medicamentosa. Além disso, ela tem características emocionais muito fortes, é cheia de subjetividades e o próprio vício dos remédios faz com que seja vítima dela mesma. Essa é uma das denúncias da novela, que é cheia de funções sociais. É importante mostrar o risco que se corre com a automedicação.
Neste ano, você completa 40 anos de carreira. Como avalia sua trajetória?
Beth Goulart - É uma carreira de muita persistência. E que faz cada um procurar seu caminho dentro dessa profissão. Muitas vezes, escolhi o caminho mais difícil, que é o caminho do teatro. Fazer teatro no Brasil é um ato de resistência. E fazer TV é muito bom. Você fica mais acessível, as pessoas passam a te conhecer. É uma vitrine do seu trabalho mesmo. Até por isso, a mudança de emissora foi uma coisa positiva na minha carreira.
Como assim?
Beth Goulart - É um processo natural, na minha opinião. O ator tem de ir em busca de trabalho. Se não tem em um determinado lugar, vai para outro. E isso acaba mudando o público que o assiste, renova as pessoas que acompanham seu trabalho. E acho essa competição entre as emissoras, principalmente na área de teledramaturgia, muito saudável. Dá opções para quem quer trabalhar em bons produtos. É bom para todo mundo, principalmente para o telespectador, que tem uma variedade muito grande de produções para assistir.
Vitória foi esticada até meados de maio do próximo ano. Até lá, como fica sua carreira no teatro?
Beth Goulart - Dei uma parada com Simplesmente Eu, Clarice Lispector enquanto estou gravando a novela. Mas volto assim que acabar a novela. Em paralelo a isso, estou dirigindo a minha mãe, Nicette Bruno, no teatro. Fui convidada para adaptar dois livros da Lya Luft, Perdas e Ganhos e Silêncio dos Amantes. Então juntei os dois livros e fiz uma transformação da literatura para a linguagem teatral e montei um espetáculo chamado Perdas e Ganhos. É um monólogo que fala sobre vida, experiência, sabedoria. É o encontro do teatro clássico com o contemporâneo. Estou gostando muito dessa experiência que está nos unindo ainda mais como profissionais e como mãe e filha.
