Pedro Bandeira indica dez livros de sua biblioteca, de Cervantes a Harper Lee; veja vídeo
Escritor mostrou seu acervo pessoal ao 'Estadão' e contou quais são suas leituras essenciais. 'Para mim, o básico é ler Dom Quixote', diz o autor infantojuvenil; confira lista
Aos 83 anos, Pedro Bandeira não tem ideia de quantos livros já leu na vida. O escritor infantojuvenil ainda guarda em sua biblioteca exemplares de literatura brasileira e estrangeira que fizeram sua cabeça durante a juventude. "Mais recentemente voltei aos meus tempos de leituras sobre ciências sociais", conta o autor.
Ele abriu a biblioteca pessoal que guarda em sua casa em São Roque ao Estadão e pinçou algumas obras que considera essencial em sua trajetória. Veja a lista comentada por Bandeira:
'O Continente', de Érico Veríssimo
"É um dos clássicos brasileiros que eu mais adorei durante minha adolescência. Doei muitos livros da minha biblioteca, mas jamais conseguiria desapegar desse aqui."
'No caminho, com Maiakóvski', de Eduardo Alves da Costa
"Eu leio muito poesia. E indico meu amigo Eduardo. O poema dele que tem o mesmo título do livro é a melhor poesia que alguém escreveu sobre a ditadura por aqui."
'Dom Quixote', de Miguel de Cervantes
"Pra mim, o básico é ler Dom Quixote. Eu lembro, na infância, de chegar à casa do meu tio e ver dois volumes bonitos encadernados. Eu peguei e abri. E tinha uns desenhos maravilhosos do Gustavo Doré. Aquele velho magro com lança na mão. E eu adorava coisas de cavalaria. Foi aí que comecei a ler. E é muito gostoso acompanhar esse jogo entre o Sancho Pança - uma pessoa inculta, mas de seu tempo - e o Dom Quixote - que é culto, mas totalmente avoado."
'O Sol é Para Todos', de Harper Lee
"É uma narrativa assim invejável. Ela só publicou um livro em vida, mas é muito lindo. E depois virou um filme com o Gregory Peck, que faz o papel maravilhosamente bem."
'Reinações de Narizinho', de Monteiro Lobato
"Foi o primeiro livro dele que eu li. Eu era apaixonado pelo Lobato, mas alguns livros dele, como Caçadas de Pedrinho, eu não daria para uma criança ler hoje. Ou os livros didáticos que ele tentou fazer e eram chatíssimos. Tem outros, no entanto, que sobrevivem tranquilamente aos dias atuais."
'1984', de George Orwell
"Eu amo esse livro. É fascinante. Até encadernei a edição que eu tinha, porque já estava bem desgastada."
'Histórias da gente brasileira', de Mary Del Priore (coleção)
"Essa coleção dela é impagável. Eu já lia a Mary quando tinha a revista de história da Biblioteca Nacional, que infelizmente não existe mais. Ela escrevia artigos e tal. Fiquei tão feliz quando a conheci pessoalmente. Eu li essa coleção muito prazer (são quatro volumes: Colônia, Império, República: Memórias e República: Testemunhas)."
Escravidão, de Laurentino Gomes (volume 1)
"Até agora estou devendo a leitura do segundo volume, mas gostei demais do primeiro. A minha admiração por ele está na forma como ele comunica. Não é historiador, mas tem a linguagem do jornalismo. Ele leu muito, pesquisou muito e explica de uma maneira que as pessoas entendem."
'Papo de Sapato', de Pedro Bandeira e Ziraldo
"Uma das minhas grandes alegrias. Eu escrevi e ele ilustrou. É uma beleza de livro. Eu chorei muito a morte dele."
'Cem Anos de Solidão', de Gabriel García Márquez
"Não posso deixar de citar esse. A história emocional daquela família é fabulosa."