Produtor de Drake diz que não tinha ideia de que o rapper lançaria três álbuns
O produtor também não sabia como "Hoe Phase" soaria antes de Drake recortá-la e montá-la ele mesmo
Quando Drake lançou de surpresa três álbuns na semana passada, o amigo e produtor frequente Gordo ficou tão surpreso quanto todo mundo — mesmo tendo trabalhado nas músicas ao longo do último ano e meio.
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"Eu sabia que seriam dois álbuns", disse à Rolling Stone EUA em uma ligação recente. "Eu não sabia que seriam três."
Mas Drake manteve o lançamento em segredo, até mesmo de colaboradores próximos. Isso significou que, em 15 de maio, quando a trilogia tomou conta da internet, Gordo fez o que a maioria dos fãs fez: passou um tempo ouvindo os três projetos, que incluem o aguardado Iceman, o inesperado Habibti e o "fora do centro" Maid of Honour — este último reunindo a maioria das faixas em que ele trabalhou. O produtor, conhecido também por seu trabalho anterior em Honestly, Nevermind, ajudou a "arquitetar" oito músicas do LP, incluindo "Hoe Phase", "Road Trips", "Outside Tweaking", "Amazing Shape", "BBW", "New Bestie", "True Bestie", "Stuck" e "Goose & the Juice". (Ele também assina "WNBA", em Habibti.)
Muitas das canções mostram outro lado de Drake, indo para direções mais eletrônicas e experimentais que capturam sons pouco convencionais, voltados para a pista, que Gordo transformou em assinatura. "É muito, muito diferente, e virou esse lance de eu ser o cara com quem ele faz coisas diferentes", diz Gordo. "Obviamente, eu já ouvi as coisas de rap, mas ele fazer comigo todas essas misturas… isso é a parte mais legal de tudo." Ele descreve Maid of Honour como "só flows diferentes, energias diferentes, climas diferentes", observando que o álbum vê Drake testar novos territórios. "Você nunca ouve ele entrando nesse tipo de coisa", explica.
Gordo descreve o último ano como um vai e vem constante, enquanto enviava beats para Drake escolher. "Eu só mandava coisas e aí ele me respondia com o que curtia. A cada poucos dias, ele mandava coisas de volta", conta. Entre aventuras como ir à Berghain com Drake — algo que ele detalhou à Rolling Stone EUA no ano passado —, Gordo diz que trabalhava com sua equipe para produzir material novo para o rapper, embora não soubesse onde as músicas acabariam. "Eu fazia uns 30, 40 beats e ouvia, e ficava tipo: 'Ok, beleza. Essas são as faixas pelas quais eu sei que o Drake realmente vai se interessar'. E 98% das vezes ele dizia: 'Isso é insano'", afirmou.
Mas uma das maiores surpresas é que, mesmo com Gordo e a equipe moldando a maior parte dos beats, ele diz que Drake acabou entrando na produção por conta própria e "costurando" várias das faixas. "Não vou mentir pra você: por mais que a gente tenha trabalhado nelas, muitas dessas músicas foram feitas pelo Drake", diz ele. "Hoe Phase", por exemplo, vai para um novo território sonoro, em certo ponto chegando perto de um som quase amapiano. Gordo diz que tudo isso foi novidade para ele quando ouviu a versão final. "A gente entregava esses pedaços e, tipo… a versão que eu ouvi no álbum era uma versão que eu nunca tinha ouvido antes", disse. Aconteceu o mesmo em "Nokia". "Era uma música completamente diferente e então ele juntou tudo, e eu fiquei tipo: 'Como diabos você pensou nisso?'. Na real, grande parte do álbum foi assim. 'New Bestie'… onde quer que estejam essas viradas, é muito ele fazendo essas trocas. É meio absurdo", completou.
Ele também não sabia quais colaborações e participações acabariam no LP final. Foi uma surpresa ouvir Popcaan em "Amazing Shape" ou Sexxy Red em "Cheetah Print". Ele gostou especialmente desta última por como ela incorpora um sample do hit de house de Peggy Gou, "(It Goes Like) Nanana". "A da Peggy Gou é muito legal porque é diferente… quer dizer, várias das músicas fizeram bonito", diz Gordo.
Agora que esse trabalho gigantesco com Drake terminou, Gordo diz que está voltando a mergulhar na própria música, já trabalhando em um sucessor para Diamante. "Como artista, eu sou meio camaleão, sabe? Eu faço de tudo, mas tenho muita coisa… estou sentado em umas 40 músicas", afirmou.
Ainda assim, ele vê fazer parte do mais recente capítulo grandioso de Drake como uma honra e se sente especialmente orgulhoso por ter trabalhado nas músicas. Quando perguntado como é ver Drake compartilhar seus pensamentos com os fãs depois de três anos sem lançar álbuns e de uma grande treta no rap no meio do caminho, Gordo aponta imediatamente para a boa recepção: "Tem sido mais do que positivo, sabe? Então isso já é uma vitória", disse. E completa: "Isso é literalmente uma vitória. Eu tenho muito, muito orgulho dele. Ele trabalhou duro pra caramba e eu fico feliz de ser só uma partezinha muito, muito pequena do legado dele", finalizou.
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