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Pra Ficar de Olho: uma cena se constrói com você apoiando

Alguns shows pelo país que você não pode perder (:

4 jun 2026 - 12h07
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O fone de ouvido insistia em isolar o som do mundo, mas era impossível não notar o contraste. Do lado de fora da janela do ônibus, o asfalto derretia sob o sol estalado de meio-dia em uma capital do país, daquelas onde o vento traz cheiro de maresia e pressa. Duas conexões aéreas e algumas horas de estrada depois, eu estaria pisando em uma calçada de paralelepípedos úmidos no Sul, encolhendo os ombros dentro de um casaco pesado enquanto a garoa fina insistia em embaçar os vidros dos carros. O Brasil flutua de temperatura em questão de horas, mas há uma constante que parece amarrar cada coordenada geográfica desse mapa: em algum beco esquecido, em cima de um palco improvisado ou atrás de uma porta de ferro acústica, tem alguém passando o som.

viab produções apresenta: ana paia & sempre te falam no estúdio centra; | foto por Eduardo Ferreira
viab produções apresenta: ana paia & sempre te falam no estúdio centra; | foto por Eduardo Ferreira
Foto: Tenho Mais Discos Que Amigos!

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Andar pelas franjas da música independente nacional é um exercício constante de se perder para encontrar. Não existem placas turísticas indicando os caminhos, e as melhores referências geográficas quase nunca estão no GPS. "Vira na esquina do casarão antigo, passa o grafite da loba e entra na porta preta que não tem placa", diz a mensagem prestativa na tela do celular. Você vai meio desconfiado, calculando o risco do instinto de sobrevivência urbana, até que o som surdo de um bumbo de bateria vibrando no peito resolve guiar os seus passos pelos metros finais. É o farol que faltava.

Quando a porta finalmente se abre, o cenário se repete em sotaques e estéticas completamente diferentes, mas com a mesma alma. Às vezes é um estúdio tomado por fios emaranhados, caixas de som empilhadas até o teto e paredes cobertas por cartazes de festivais passados que resistem ao tempo. Outras vezes, é o quintal de uma casa tombada, onde a fumaça do incenso se mistura ao cheiro de cerveja gelada e os amplificadores dividem espaço com plantas trepadeiras - a gente sabe: não há como fazer arte viva sem um pouco de caos organizado. A bagunça acolhedora desses espaços é o útero de onde nascem as canções que, meses depois, vão ecoar nos fones de jovens do outro lado do país.

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