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"Modéstia à parte, eu e Claudinho quebramos tabu", diz Buchecha

14 fev 2014 - 16h50
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Buchecha lança o disco 'Adesivo'
Buchecha lança o disco 'Adesivo'
Foto: Facebook / Reprodução

Até chegar ao estrelato foi camelô, office boy e servente de obras. Se arriscou no pagode, mas, graças ao amigo de infância Claudinho - morto em um acidente de carro em 2002 -, foi apresentado ao funk carioca, que o levou às paradas de sucesso nos anos 90. Aos 38 anos, Claucirlei Jovêncio de Souza, o Buchecha, segue como um dos nomes mais fortes do funk melody. Afinal, quem não lembra de Quero Te Encontrar, Conquista, Tudo Fica Blue, Nosso Sonho?. Com 21 anos de carreira, ele agora lança o álbum Adesivo e se apresenta em São Paulo, neste sábado (15), na Festa da Rádio Transcontinental.

"Na minha época, o funk era restrito às comunidades. Modéstia à parte, eu e Claudinho quebramos esse tabu. Tivemos pelo menos sete músicas tocando em novelas, muitas em horário nobre. Ninguém conseguiu atingir essa marca. Querendo ou não, a gente abriu portas", contou o cantor em entrevista exclusiva ao Terra. Sobre o funk ostentação, que tem ganhado espaço com MC Guimê, Buchecha é ponderado. "Hoje em dia, a galera ganha muita grana. E, muitas vezes, não está nem preparada para lidar com tanto dinheiro, mas uma hora aprende. Eu também tive que aprender", opinou.

"Eles têm ostentado muito", disse, dando risada. "Fora que precisam mostrar o que cantam. Seria incoerente não ostentar. Espero que eles tenham vida longa para poder continuar ostentando muito. Eu ostento amor, que sempre foi a minha bandeira", completou.

Sobre o CD, o destaque é para a parceria com os filhos Clauci Julio, o Buchechinha, e Giulie, que caminham para seguir os passos do pai no mundo da música. "Queria que ele fosse engenheiro, que minha filha fosse médica. Mas não deu. Eles cresceram me ouvindo cantar. [...] Eu tô babando na cria", contou.

Confira a entrevista completa:

Terra - Por que Adesivo?

Buchecha - Na verdade, esse nome é, primeiro, por causa de uma música, que está no CD, que fala de um casal que quer ficar grudado, que um quer marcar a vida do outro. A princípio foi isso, mas trazendo pro lado do disco, conversei com meu empresário, com a gravadora e achei legal para o nome do CD também. Porque todo artista quer que a música fique grudada. Tem tudo a ver colocar como nome. É tipo aqueles adesivos que a galera coloca no carro: eu amo a minha esposa, eu amo a minha família. Quero minha música grudada por aí também

Terra - Você regravou Lua, de Fábio Jr.? Por que essa música dentre tantas dele?

Buchecha - Estava entre essa e Ai Que Saudade D'ocê. Fábio Jr. é um cara que só tem hits. Sou super fã do Fábio. Faz muito tempo que queria gravar uma música dele. Optamos por Lua por se tratar de uma música romântica. Gosto muito disso. Escolhi essa e dei a minha cara para ela. Está mais dançante, diferenciada, moderna.

Terra - Ele (Fábio Jr.) já ouviu?

Buchecha - Graças a Deus! Ouviu e adorou, curtiu para caramba. E ouvir isso de um ídolo é incrível!

Terra - No CD, você canta Pensamentos Voam com seu filho, uma música que foi escrita por ele. Como é, como pai, gravar com ele? Vê muito de você nele?

Buchecha - Queria que ele fosse engenheiro, que minha filha fosse médica. Mas não deu. Eles cresceram me ouvindo cantar, fazendo festa em casa com música. Sempre falando de música. Então, é natural que eles viessem a gravar isso um pouco mais. Eu tô babando na cria. A música que ele participou, ele que compôs para uma namoradinha do colégio. Namoradinha não, uma paixão (risos). Teve um dia que ele estava cantarolando e eu disse: "quero gravar, filho". Chamei ele para participar e ele deu um sorrisão. Tô babando mesmo. Tô realizado!

Terra - Giulie, sua filha, também está em vários créditos...

Buchecha - Eles me ajudaram muito. Muitas vezes vinham com uma letra, uma melodia. Em alguns momentos, dava sugestões: pai, por que você não troca amor por valor, um exemplo qualquer. Eles me deram muitas sugestões. Deram vários pitacos mesmo! (risos)

Terra - Você disse que preferia que eles fossem engenheiros, médicos. Por que não música como primeira opção?

Buchecha - Porque é uma vida muito complicada. Meu filho falou: "quero ser músico. Não quero ser engenheiro, não quero ser nada disso. Só músico". Falei: "poxa, mas você gosta quando o papai fica viajando e não pode ter muito contato com você? Não pode passar o Dia dos Pais com você, por exemplo?". Ele disse que não gostava. Então, é por isso que eu não quero. Mas não tem jeito, a música fala mais alto. A pessoa tem aptidão para a música. Tem que gostar muito, abdicar de muita coisa. Não tem Natal, Ano Novo para poder animar o público. Você acaba fazendo uma nova família até, que é o público. Aquelas pessoas te conhecem da TV, mas acabam virando mais família do que a nossa própria família. Eu digo isso para ele. Mas eles nasceram pra isso, está no sangue.

Terra - E sua parceria com o Flo Rida? Como aconteceu?

Buchecha - Ele veio fazer uma turnê aqui no Brasil e eu fiquei sabendo por um amigo meu que trabalhava na produção desse show que ele queria fazer alguma coisa com um artista brasileiro. Esbocei uma letra no estúdio com o Humberto Tavares. Gravei e mandei pra ele. Ele curtiu, gravou a parte dele e a gente concretizou a parceria. Mas não tive a oportunidade de encontrar com ele. A minha agenda de shows não bateu com a dele. Estávamos em lugares distintos. Mas não vai faltar oportunidade.

Terra - Em Frutily, você fala de Lulu Santos. Ele é seu maior ídolo na música?

Buchecha - Ele e Michael Jackson!

Terra - Na mesma música, tem frases como "tudo fica blue", "corpo nu", que ficaram famosas nas suas músicas com o Claudinho. Você procura manter vivo o passado nas músicas? Foi uma homenagem, uma forma de recordar?

Buchecha - É isso mesmo. É uma referência declarada. Como se eu estivesse voltando às minhas origens. A intenção é totalmente essa. E você falou do Lulu! As músicas dele embalavam meu romance com essa minha namoradinha que eu falo na música. Eu trabalhava de servente de obras e não tinha grana para fazer um programa muito legal. Então, com o dinheiro que eu tinha, comprava um picolé e uma pipoca e ficava ali namorando. A música era sempre do Lulu. A música em si remete muito ao que fazia com o Claudinho. Os teclados, os arranjos. É um retorno às origens...

Terra - Você também fez uma parceria com o Mr. Catra, em Gamou. O Catra faz um funk que é completamente oposto ao melody, que é o que você canta...

Buchecha - Toda parceria é valida. É realmente um trabalho distinto, mas não impede que eu faça uma parceria com ele. Ele fez uma rima adequada para a música. A gente fez uma união bacana. Ele ficou bem à vontade, mas fez de uma forma adequada para a proposta. Fora que a música fala de pegada de negão. Ele tem 20 e poucos filhos. Tem que ter pegada pra isso, né?! (risos) O Vagner (nome de batismo do Catra) é muito gente fina, do bem, me dou bem com ele. Ele é sincero, alegre, família para caramba, do jeito dele, dentro do que ele acredita. A gente se respeita muito!

Terra - Como vê o cenário do funk atualmente com os MCs do funk ostentação? Ganhava tanto dinheiro quanto eles ganham agora?

Buchecha - Isso mudou muito. Na minha época, o funk era restrito às comunidades. Modéstia à parte, eu e Claudinho quebramos esse tabu. Tivemos pelo menos sete músicas tocando em novelas, muitas em horário nobre. Ninguém conseguiu atingir essa marca. Querendo ou não, a gente abriu portas. Diversos artistas de outros gêneros musicais regravaram as nossas músicas, como Paula Toller, Nina Becker, Roberta Sá, Ivete Sangalo, uma galera. Fomos bem sucedidos. O restante da galera não conseguia sair da comunidade. Hoje em dia, a galera ganha muita grana. E, muitas vezes, não está nem preparada para lidar com tanto dinheiro, mas uma hora aprende. Eu também tive que aprender. Estudei só até a quarta série. Com certeza gastei meu dinheiro muito mal também. Mas fui aprendendo. Eles têm ostentado muito (risos). Fora que eles precisam mostrar o que cantam. Seria incoerente não ostentar. Espero que eles tenham vida longa para poder continuar ostentando muito. Eu ostento amor, que sempre foi a minha bandeira! (risos)

Terra - O amor é um tema recorrente nas suas músicas, desde a época do Claudinho...

Buchecha - Na boa medida, sou romântico! (risos) Gosto muito de falar de amor. Às vezes, é isso que falta para alguns. Se a gente pode falar disso de uma maneira consciente, numa balança justa, por que não?! Fábio Jr, Lulu Santos, o próprio Roberto Carlos. A gente fala de amor. E Roberto Carlos é o rei. Não tem melhor exemplo que esse. São 21 anos de carreira, já posso dizer que tenho know-how nisso! (risos)

Terra - Como você vê os novos nomes do funk melody, como Anitta e Naldo?

Buchecha - É mais atual, cheio de sex appeal. Acho bacana. É um funk que conversa com a música pop atual, como Ne-Yo, Beyoncé. Tem um diálogo franco com isso. Mas Anitta e Naldo, junto com MC Koringa, são ícones, são os artistas mais bem sucedidos da atualidade nesse gênero. Tem espaço para todo mundo...

Terra - Essa galera conversa com você? Pede conselhos?

Buchecha - O Naldo abria os shows do Claudinho & Buchecha com o irmão dele. Ele até falou que agradece muito, porque a gente reconheceu o talento deles. Tanto é que a gente tava certo, que o cara tá super forte. É motivo de orgulho que esses novos artistas se espelhem em mim, que respeitem e admirem o trabalho que eu fiz com o Claudinho.

Terra - Atualmente, dá para dizer que o funk está consolidado no cenário musical brasileiro?

Buchecha - Posso dizer que eu estou consolidado há 21 anos, que é meu tempo de carreira. Mas tem muita coisa que o funk ainda precisa conquistar. Temos que continuar com um olhar atento, procurando fazer um trabalho legal. Tem muito espaço para conquistar ainda. Assim como samba, que veio galgando degrau por degrau e hoje todo mundo respeita e adere de maneira mais natural. Com o funk também precisa ser assim. Ainda não chegamos lá. Tem muita coisa para filtrar...

Terra - O preconceito ainda é grande?

Buchecha - Tem muita gente que torce o nariz para alguns tipos de funk. O funk melody já é,  praticamente, 100% de aprovação. Então, fica até o exemplo para outra galera, que faz outro tipo de funk. Tem seu lugar, mas alguns tipos ainda precisam caminhar um pouco mais.

Terra - Você disse uma vez que não se considera uma celebridade. Por que não? Você é um dos maiores nomes do funk melody...

Buchecha -  Acho que para ser celebridade você tem que se sentir assim. Tem que se travestir disso. Ainda sou muito comum. A ficha não cai para mim. Eu gosto de andar de bermuda, boné. Poder sair com meus parentes, que não são artistas. Vou aos mesmos lugares que eles. Não tenho essa doutrina, essa coisa de não poder ir em um lugar. Eu quero ir, eu vou. Gosto de ir ao mercado, na padoca. Gosto disso. Celebridade não faz isso. Eles ficam muito concentrados nessa coisa de ter que fazer o que celebridade faz. Procuro ser o mais normal possível. Me sinto um cidadão comum que se tornou cantor, que vive de música.

Fonte: Terra
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