Chappell Roan faz show competente dentro do que se espera de uma cantora pop no Lollapalooza 2026
Carismática e competente, cantora comandou a massa no festival. Fora do palco, deixou má impressão ao mostrar ser arredia com a fama
Chappell Roan encerrou o segundo dia desta edição do Lollapalooza Brasil 2026 com um show no Palco Budweiser. Foi a estreia da cantora pop americana no Brasil e o último show de sua turnê internacional, Visions of Damsels & Other Dangerous Things Tour.
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Aos 28 anos, Roan é o exemplo de cantora que se tornou um ícone pop sobretudo por meio do TikTok, a partir de 2024, o que, provavelmente, para as gerações anteriores seja algo difícil de entender.
É por meio das redes sociais e nas plataformas de streaming que artistas são encontrados por seu público. Fora delas, no entanto, não basta a música: é preciso criar uma identidade visual — nada que o pop não tenha feito desde seus primórdios, é verdade — e, o mais essencial para os dias atuais: uma pauta.
Roan tem a dela. É uma mulher que se assumiu lésbica e afirmou ter "um projeto drag queen" — plano que diz respeito a como ela se "monta" para estar no palco ou fora dele.
Os fãs da cantora corresponderam ao seu apelo. Muitos estavam montados, desde as primeiras horas após a abertura dos portões, para esperar seu ídolo.
Good Luck, Babe!, seu sucesso do momento, alocado mais para o final de sua apresentação, gerou a esperada comoção.
A letra é sobre um aparente conflito de sexualidade — ou amor platônico. A garota que ela ama beija muitos garotos em bares. É uma boa canção, mas nada muito diferente do que você já ouviu antes. Como a própria letra diz: "I'm cliché, who cares?" (Eu sou clichê, quem se importa?).
Vencedora do Grammy 2025 de Artista Revelação — ela ainda teve outras sete indicações ao prêmio —, Roan soou mais interessante no palco quando cantou, por exemplo, Naked in Manhattan, canção de seu álbum The Rise and Fall of a Midwest Princess (2023), com um delicioso ar cosmopolita.
Outro bom momento foi sua versão para Barracuda, da banda setentista Heart. No rock, Roan exibe de forma mais certeira sua potência vocal.
Já HOT TO GO! (com título originalmente escrito inteiramente com letras maiúsculas mesmo) foi a música que gerou a dancinha do TikTok e cumpriu sua missão nas redes. No palco é o que é: bobinha.
Roan não é totalmente inocente. Pink Pony Club, com a qual ela encerrou o show, começa com os acordes de I Will Survive, megahit de Gloria Gaynor, um dos hinos gays do final dos anos 1970. Vale lembrar que a cantora tem o mesmo produtor, Dan Nigro, de Olivia Rodrigo, outra estrela pop da atualidade — Roan já abriu shows de Rodrigo. Ou seja, Nigro sabe muito bem como colocar um novo ídolo.
O lamento fica por conta de Roan deixar de fora músicas de seu primeiro EP, School Nights, de 2017, mais soturno, no qual sua voz se ressalta por estar mais crua. Mas, para usar uma expressão do momento: isso faz parte de outra "era" da artista.
Chappell Roan fora dos palcos
Há algo que Roan precisa resolver. Ela é bastante arredia com a fama — reclama de fotógrafos e com os fãs. Se por um lado isso é um traço de sua personalidade valorizado por muitos seguidores, e vende notícias, por outro, pode acabar mal. Uma das cenas mais cruéis da cena pop é Britney Spears, em crise, atacando o carro de um paparazzi com um guarda-chuva. A peça foi leiloada pelo próprio fotógrafo tempos depois.
Mais cedo, o jogador do Flamengo Jorginho Frello acusou publicamente um segurança de Roan de ter sido hostil com sua família por um motivo banal. Segundo o atleta, sua filha de 11 anos, fã da cantora, sorriu para ela em um hotel em São Paulo.
A outra face
No palco, Roan se mostra simpática. Faz seu show. Solta um "Hi, São Paulo" e diz que ama o bater dos leques da plateia - levou salvas deles em diversos momentos. Afirmou que assistiu aos fãs brasileiros fazerem barulho com o acessório no show que Lady Gaga fez no Rio de Janeiro em 2025.
Saldo final: Chappell Roan e Brasil devidamente apresentados. A cantora fez seu papel no palco como uma das estrelas pop em ascensão no momento.
Por sua vez, o Lollapalooza Brasil cumpriu sua tarefa de olhar para o que há de relevante no cenário musical do momento — e o que vende ingresso. O mundo do pop dorme mais uma noite feliz... até que surja uma nova melhor cantora pop de todos os tempos da última semana.