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Garota de Ipanema exalta "eternidade" da música de Vinícius de Moraes

19 out 2013
06h59

Helô Pinheiro, a jovem que serviu de inspiração para que Tom Jobim e Vinicius de Moraes escrevessem a música "Garota de Ipanema" em 1962, celebrou neste sábado, no dia do 100° aniversário do nascimento de Vinicius, o caráter eterno de sua música.

Em entrevista à Agência Efe, Helô explicou como sua vida mudou em 1965 ao ficar conhecida como a "verdadeira Garota de Ipanema", o que a deixou conhecida no mundo todo, e também falou sobre o pedido de casamento feito por Tom Jobim e os ciúmes de seu companheiro naquela época, que depois se transformaria em seu marido e em amigo dos músicos.

"A canção foi feita em 1962 e, em 1965, explodiu no mundo inteiro. Nesse momento, todas as meninas queriam ser a Garota de Ipanema e apareceram várias que disseram ser ela", lembrou Helô, que também explicou que, na época, Vinicius pensou que era o momento certo de "revelar a autêntica Garota de Ipanema".

Assim, Vinicius fez um acordo com uma revista para organizar um encontro com a musa de 17 anos no qual, explicou Helô, o poeta se sentiu "envergonhado porque era muito tímido" e o pai dela, um militar.

"Eram outros tempos, ser artista era algo mal visto. Eu deixei de fazer muitas coisas pelos meus pais. Vinham produtores que me ofereciam filmes que terminavam com um beijo e meu pai me proibia de participar", reconheceu.

Quem não teve tanta timidez, a julgar por suas palavras, foi Tom Jobim, que a pediu em casamento dias após conhecê-la. "Vinicius nos apresentou e Tom disse que eu era o amor de sua vida", assegurou Helô, hoje com 67 anos e mãe de quatro filhos.

"Eu tinha uma relação séria e ele estava casado, mas os pássaros começaram a voar em minha cabeça. Ele dizia que seu casamento não funcionava e que queria se casar comigo", lembrou a empresária, modelo e jornalista. Helô afirmou que, mesmo assim, foi embora do encontro "com os pássaros e com a certeza de que não aconteceria".

Antes de se transformar na Garota de Ipanema, Helô tinha "uma vida normal no Rio de Janeiro", frequentava a praia e praticava vários esportes que, disse, foram os responsáveis por "moldar" o corpo que serviu de inspiração para os compositores.

"Com a música, veio a fama, mas esse tipo de vida estava no meu sangue, eu queria ser artista, desde pequena montava obras de teatro em casa. Se não tivesse sido a 'Garota', teria lutado pelo meu sonho", disse Helô, que estudou jornalismo, pedagogia e direito.

Agora, Helô Pinheiro se mantém em forma, pratica ginástica e musculação diariamente, mas também admitiu ter recorrido à cirurgia plástica.

"Me cuido mais pelo estigma, sou uma pessoa pública e as pessoas querem me ver sempre perfeita. Tenho saúde, pratico esportes e coloquei silicone", disse.

Mesmo que a vida de Helô Pinheiro pareça um conto de fadas, a Garota de Ipanema lamentou ter vivido "muito da repercussão da música" durante sua juventude, mas não se arrepende que a melodia de Tom e Vinicius tenha se transformado "no símbolo" de sua vida.

"Para mim, é um orgulho ser considerada um patrimônio nacional, um mito", disse a Garota de Ipanema, para quem, "levar o nome do Brasil através da música" a transformou em uma "embaixadora" do país.

"A música vai ser eterna e eu serei eternizada com ela".

EFE   
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