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Filipe Ret escancara desigualdade social em curta-clipe

“Cidade dos Anjos” é protagonizado por pessoas negras e conta a história da primeira morte por Covid-19 no Brasil

15 set 2020
15h53
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O rapper Filipe Ret lançou uma produção cinematográfica que acompanha seu novo single, “Cidade dos Anjos”, no fim de Agosto. O filme aborda a trágica história de Tereza, uma empregada doméstica que reside em uma comunidade e trabalha em uma casa de família.  Com a chegada da pandemia, ela acaba contraindo Covid-19 e vindo a falecer. O clipe é um manifesto que denuncia a desigualdade social no Brasil que afetou até mesmo a possibilidade de se fazer quarentena. 

O rapper optou por não aparecer no vídeo. O protagonismo ficou por conta de um elenco e de uma equipe majoritariamente compostos por pessoas negras. “Acreditei que era importante aquela mensagem, mas o mérito é muito do Samuel Costa [diretor do clipe], da Ayana Amorim e da Juliana Jesus [roteiristas].” conta Filipe Ret. Em entrevista ao Terra, o rapper discorreu sobre o novo single, o impacto da pandemia no meio artístico e a desigualdade social no Brasil que ficou ainda mais escancarada devido ao novo coronavírus. Confira o bate-papo abaixo:

"Cidade dos Anjos" ganhou curta-clipe no Youtube.
"Cidade dos Anjos" ganhou curta-clipe no Youtube.
Foto: Divulgação

Como surgiu a ideia de fazer o clipe cinematográfico "Cidade dos Anjos" e como foi o processo de escolha do elenco?

Eu queria fazer um clipe e escolhemos o diretor, o Samuel Costa. A história foi uma ideia dele e eu falei “essa história é muito importante de ser contada nesse momento”. Então eu comprei essa ideia do Samuel, e ele sensivelmente escolheu um elenco maravilhoso e duas roteiristas para colaborar – e uma delas também atuou -, então foi muito uma obra do Samuel Costa, em que eu basicamente fiz a trilha sonora e dei visibilidade ao trabalho dele. Depois que eles filmaram, eu descobri que o vídeo tinha mais de 8 minutos. E aí eles vieram com o argumento de fazer uma coisa maior, de contar uma história, dar visibilidade, e eu comprei também e falei “é isso”. Acreditei que era importante aquela mensagem, mas o mérito é muito do Samuel Costa, da Ayana Amorim e da Juliana Jesus, que brilhantemente escreveram o roteiro e deram toda a propriedade da história

Você está com um novo disco prestes a sair em outubro. Você vai apostar em alguma temática definida para este novo projeto? O que podemos esperar?

Ainda não temos a data de lançamento confirmada, mas provavelmente até outubro ele estará finalizado. Não há uma temática única, mas ele tem um fio condutor, que tem a ver com o nome do disco. O nome amarra todo o disco, mas eu não posso revelar ainda qual é.

Muito se diz sobre a perspectiva de shows e eventos presenciais só retornarem em 2021. Até lá, você pretende fazer alguma ação para se aproximar dos seus fãs? Apostar em lives, eventos em drive-in?

Então, já estamos fazendo drive-in, graças a Deus. O primeiro aqui no Rio de Janeiro deu sold out, foi o primeiro sold out do projeto drive-in aqui do Rio, e ficamos muito felizes com isso. E a partir daí pintaram novas oportunidades em outros estados. É uma alternativa sim, a gente ainda não sabe quando as coisas voltam ao normal, provavelmente nem tão cedo mesmo, então o drive-in é sim uma alternativa.

Mas a principal forma de eu me aproximar dos fãs é o meu novo canal no Twitch, que também é um meio de estar perto deles. Por lá a gente troca muita ideia, se diverte. Então os drive-ins e o canal no Twitch são os principais. Sobre as lives, não sei se farei muitas ainda, pois a princípio já fizemos a maioria do que a gente planejou. Mas com certeza os drive-ins são bem-vindos nesse período. É o que temos no momento.

A pandemia escancarou diversas desigualdades sociais no Brasil, desde o privilégio de se fazer isolamento ao desrespeito voluntário à quarentena. Como cidadão e artista, qual a sua visão sobre isso?

Sem dúvida nenhuma escancarou mais as desigualdades e sem dúvida nenhuma tá massacrando o povo. Eu acho tudo isso muito triste. É um momento de muito desespero pra muita gente, com muitas pessoas perdendo o emprego. Eu acho que é importante buscar manter a cabeça no lugar, buscar ter sensibilidade com o outro, quem tem mais poder ajudar quem tem menos, como por exemplo os artistas ajudarem suas equipes o máximo que puderem, pra não deixar a equipe na mão, assim como os empresários darem o máximo pra não deixarem seus funcionários na mão. As pequenas empresas buscando se ajudar ao máximo pra não quebrarem, pra não perder mais empregos também. Tá tudo muito difícil pra muita gente. Então acho que o momento é de ajuda mútua.

Por falar em pandemia, o que os artistas podem fazer para ajudar a classe dos técnicos em eventos (roadies, montadores de palco, técnicos de sonorização) que estão em situação financeira fragilizada devido à falta de eventos?

Eu acho que é buscando trabalho, da forma que puder. Sempre tomando as devidas precauções, mas buscando fazer live, drive-in, buscando se movimentar. Eu fazendo a live na Twitch, consegui trazer duas pessoas da minha equipe pra trabalhar, consegui levar outra pessoa pra minha lojinha virtual, pra vender roupa, e tô sempre buscando movimentar os outros de outras formas. Tá difícil pra todo mundo, mas acho que o quanto a gente puder movimentar essas pessoas, ouvi-las, estar perto delas, melhor.

O clipe-curta de “Cidade dos Anjos” pode ser conferido no link abaixo:

 

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Fonte: Equipe portal
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