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Entrevista exclusiva

Conheça Rusty Anderson, guitarrista que acompanha Paul McCartney há mais de 20 anos

14 dez 2023 - 10h59
(atualizado às 11h04)
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Paul McCartney e banda fantástica
Paul McCartney e banda fantástica
Foto: Giullia Gusman / Tamarind Free Jones

A ‘fantástica banda’ de Paul McCartney é a que está há mais tempo tocando com ele. São 22 anos desde que se uniram pela primeira vez, mais do que o dobro do tempo de duração dos Beatles, que ficaram juntos por apenas 10 anos.

Discreto, o guitarrista Rusty Anderson, que hoje executa solos icônicos ao lado de Paul, como o de “Something” e outros clássicos dos Beatles, já foi responsável por grandes sucessos dos anos 80 e 90.

Nascido na Califórnia, Anderson se tornou fã dos garotos de Liverpool ainda criança e, ao mesmo tempo que nunca imaginou um dia trabalhar com um dos membros da banda, tinha um sonho recorrente em que o grupo tocava sua campainha e o chamava para tocar.  

Embora a música tenha tido um papel inicial de escape da realidade para Anderson, que aos 5 anos perdeu um irmão devido a um problema renal, ela logo se tornou uma devoção. Com o tempo, o guitarrista passou a trabalhar com nomes importantes da música, como Stevie Nicks, Elton John, Miley Cyrus, Lana Del Rey e outros.

Seus acordes na guitarra também podem ser ouvidos em sucessos como “Livin’ la Vida Loca”, de Ricky Martin, “Walk Like an Egyptian”, dos Bangles, “You Get What You Give,” dos New Radicals, e a versão original de “Torn”, música que ganhou sucesso na voz de Natalie Imbruglia.

Em entrevista ao Terra, Rusty Anderson compartilhou momentos importantes de sua carreira e contou como é dividir o palco há tantos anos com Paul McCartney. Conheça a trajetória do guitarrista:

Rusty Anderson
Rusty Anderson
Foto: Tamarind Free Jones / Giullia Gusman

Vamos começar do início. O que fez você querer aprender a tocar violão? Algum guitarrista em particular te inspirou?

Bem, eu tinha cinco anos e minha irmã mais velha ouvia discos dos Beatles e me apaixonei por isso. Essa foi a primeira vez que realmente conectei, sabe, música e guitarra. E ao olhar para trás, ao mesmo tempo, meu irmão mais velho, que é um pouco mais velho que eu, faleceu de um problema renal. Aos cinco anos, isso é uma coisa meio pesada. Então, acho que naquele momento eu realmente me concentrei na guitarra e na música e esse era o meu interesse. E a vida real ficou em segundo plano porque eu realmente não me importava muito com ela.

Aos cinco anos, você nem imaginava que um dia tocaria com Paul McCartney, certo?

Bem, sim e não. Na verdade, quando eu tinha cinco anos ou talvez seis ou sete, eu tinha sonhos recorrentes de que os Beatles chegavam à minha porta e diziam: ‘ei, queremos tocar’. Eles tocavam a campainha,sabe. E eu dizia: ‘claro, pode entrar’. Então, isso é meio engraçado.

Depois que você se tornou guitarrista, você tocou em muitas músicas famosas, de New Radicals a Rick Martin, mas tem uma que as pessoas não sabem que foi escrita pela sua banda, Ednaswap, que é “Torn”. Você pode me dizer como essa música surgiu?

Sim. Na verdade, eu estava trabalhando muito com um compositor chamado Scott Cutler e Ed Previn. E fomos para a Inglaterra e gravamos uma demo. E outro cara, Phil Thornalley, estava produzindo e tudo mais. E essa foi uma das músicas em que trabalhamos e que se tornou aquela que fez com que o Ednaswap assinasse contrato com a gravadora. Então, entramos no estúdio e mudamos um pouco e outras coisas. E eu acho que Sylvia Rhone, na época, era a chefe da Elektra Records. E aí ela se apaixonou pela demo, mas não quis que lançássemos a gravação... ela queria que lançássemos a demo, mas nós lançamos a nossa versão. É uma longa história, mas Natalie Imbruglia era produzida por Phil, que trabalhou na música, e então ela teve grande sucesso com isso. E, na verdade, nós lançamos música em um disco antes dela.

E como foi ver a música de vocês se tornar um grande sucesso com outra artista?

Bem, você sabe... É uma pena, mas é assim que as coisas acontecem. Você não pode prever a vida. Certo? As coisas acontecem do jeito que acontecem.

E agora você tem sua carreira solo. O quão diferente é trabalhar como parte de uma banda em novos discos? Estar sozinho torna tudo mais difícil ou mais fácil? Ou talvez ambos em alguns aspectos?

Ah, é ótimo. Quer dizer, já escrevi muitas músicas e trabalhei em muitas bandas. Já cantei como o principal e também com outros cantores. Escrever músicas é ótimo. Também gosto de trabalhar com outras pessoas. Tem uma música chamada “Firefly”, que lancei ano passado, um single. E eu estava em uma banda com Stewart Copeland, que é baterista do The Police. E ele era meu antigo colega de banda em um grupo anterior. Então, ele tocou bateria em “Firefly” e foi muito divertido. Então, eu gravo como Rusty Anderson, mas também como Rusty Anderson Afternoon. E Rusty Anderson Afternoon é realmente como estar em um mundo de bandas, trabalhando com outras pessoas. E meu homem principal é um cara chamado Todd O'Keefe. Ele é um baixista, cantor e compositor fantástico e trabalhamos juntos. Então, várias encarnações disso. Portanto, tenho vários discos que lancei ao longo dos anos. Na verdade, o último single é uma música chamada “The Year You Spent”.

Você pode me contar um pouco sobre esse single?

Sim, sim. Saiu há cerca de um mês, eu acho. E eu trabalhei com um amigo meu de uma banda chamada The Why Store. Eu produzi o álbum dele e ele canta no meu single. Foi uma música louca. Eu meio que a escrevi ao contrário, se isso faz algum sentido. É difícil explicar, mas tenho várias técnicas diferentes de escrita para essa música. E também relancei meu álbum RAA. Acabou de sair. Foi um relançamento, porque ficou fora dos serviços de streaming por um tempo. Agora está de volta. E, sim, é ótimo porque também posso tocar com Paul McCartney e viajar pelo mundo fazendo isso. Aí eu volto a trabalhar nas minhas músicas. Neste verão passado, eu fiz uma turnê pela Califórnia com minha banda, e fiz vários shows por toda a Califórnia. Foi muito divertido. E então terminamos em Los Angeles, onde moro. E depois, comecei a ensaiar novamente e vim para cá com o Paul. Então, minha agenda fica bem cheia.

Você está trabalhando em um novo álbum ou projeto agora?

Sim, tenho algumas músicas prontas para serem lançadas. Só preciso mixá-las e encontrar tempo, sabe? Como eu disse, é meio difícil com o Paul. Mas sim, acho que em breve terei outro single, talvez isso se transforme em um álbum em algum momento.

Como você encontra tempo para trabalhar na sua própria música quando está em turnê por vários meses com o Paul?

Sim, quando estou na estrada, não trabalho muito nisso. Quero dizer, posso ter algumas ideias para composição e gravá-las no meu telefone ou algo assim. Mas, em termos de trabalhar efetivamente no estúdio, definitivamente preencho os intervalos de tempo disponíveis.

Você pode me contar sobre a primeira vez que encontrou Paul McCartney?

Meu primeiro encontro com ele? Sim, foi incrível. Na verdade, eu estava conversando ao telefone com um grande amigo meu que é produtor, chamado David Kahn, e trabalhamos juntos em muitos discos. Estávamos apenas conversando ao telefone, e ele disse: "Ah, sim, acho que vou produzir o novo disco do Paul McCartney". Isso foi há algum tempo, no álbum chamado "Driving Rain". Eu disse: "Fantástico!”. Fiquei muito feliz por ele. E, então, ele disse que talvez precisariam de algum guitarrista. Alguns meses depois, entrei no estúdio chamado Henson, em Los Angeles, e conheci algumas pessoas inglesas. Na época, quase todo mundo que trabalhava para o Paul era britânico. Depois, conheci o Paul. Demorou alguns dias para eu relaxar um pouco. Embora eu tenha que dizer que, dentro de meia hora ao conhecê-lo, estávamos tocando música. Estávamos lá fora tocando nossos instrumentos. E quando você faz isso como músico, é algo tão unificador. É como outra linguagem, sabe? E isso foi realmente uma experiência maravilhosa.

Isso é muito legal. E agora vocês são a banda que está com o Paul há mais tempo. Como você se sente em relação a isso?

Sim, é incrível. Quero dizer, tento não pensar muito nisso. É uma coisa incrível. Me sinto muito, muito sortudo e grato pela situação. Não sei muito o que dizer sobre isso.

Quando se trata de tocar clássicos dos Beatles, vocês têm que seguir algumas regras quanto a improvisar enquanto tocam solos clássicos? Ou podem simplesmente tocar o que sentem? Como vocês decidem isso?

Bem, eu acho que há um respeito pela estrutura de uma música, você sabe, quando uma música tem um determinado esquema que a torna aquela música, pelo menos os arranjos  daquela música. E sim, acho que o Paul gosta de manter os arranjos bem próximos das originais. Mas também colocamos nossa própria parte nisso. Você pode dar um toque pessoal. Então, digo, quando você está tocando uma música ao vivo, você não quer que seja apenas como um karaokê ou algo assim. Você quer que ela viva e respire. E acho que a personalidade de um músico deve se destacar, e é meio que a abordagem que você adota. Se estou improvisando ou tocando algo como "Let It Be", vou improvisar de maneiras diferentes toda noite ou em "1985", ou, sabe, diferentes músicas. E depois você tem uma música como "Something" ou "Maybe I'm Amazed" e a melodia é tão forte e tão definida que acho que seria uma injustiça não tocá-la como é.

Vocês tocaram em muitos shows importantes e notáveis, como o Super Bowl em 2005, a abertura das Olimpíadas de 2012 e o Jubileu de Diamante da Rainha. Existe alguma apresentação especial que vem à mente quando você pensa nisso? Você tem um show favorito?

Bem, na verdade, há tantos. Agora tocamos em muitos estádios grandes. Acho que teve um show da última vez talvez no Brasil, não me lembro em qual cidade foi, mas acho que foi em "Hey Jude" enquanto estávamos tocando e a plateia levantou plaquinhas com “NA” e balões durante a música. Isso foi muito legal. Também tocamos em Roma há alguns anos, na frente do Coliseu, e foi incrível, com as luzes no PA e os telões ao lado do palco, para 50.000 pessoas, depois outro conjunto de telas e PA e mais 50.000 pessoas, e isso continuou até chegar em 500.000 pessoas pelo caminho. E à noite as pessoas estavam segurando seus isqueiros na época, agora são celulares. Parecia um rio de vaga-lumes. Foi realmente selvagem. Quero dizer, houve tantos shows fantásticos, desde tocar na Red Square, na Rússia, no Super Bowl, sabe, tantos lugares. E então tocamos em shows menores, como na outra noite, tocamos em Brasília para 400 pessoas em um clube, isso foi muito legal.

Eu estava nesse show em Brasília. Na verdade, estive nos dois shows lá e foram bem diferentes. Primeiro, um clube tão pequeno e depois um estádio enorme. Como foi para você? Qual tipo de show você gosta mais?

É diferente. Quero dizer, considerando todo o equipamento e tudo mais, acho que estamos mais preparados para tocar em estádios e ocasionalmente em arenas. É meio que onde estamos preparados para tocar, então é mais fácil lá. Mas os pequenos são uma coisa totalmente diferente e muito divertidos. E você tem a plateia tão perto de você e é tão imediato, é um tipo diferente de empolgação, sabe, é um tipo diferente de emoção.

Existem músicas dos Beatles que você ainda não tocou ao vivo, mas gostaria de tocar um dia?

Ah, sabe... eu sugeri muitas músicas. Todos nós da banda sugerimos ao Paul ao longo dos anos. E algumas ele aceitou. Outras nunca realmente chegaram ao show, mas ensaiamos. Existem algumas músicas solo como "Little Lamb Dragonfly" ou "The Backseat of My Car". São ótimas músicas que já ensaiamos, mas nunca as tocamos para o público e não sei se iremos algum dia.

Fonte: Redação Terra
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