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Budah estreia turnê de 'Frequência Lunar' em show charmoso — e lotado — no Cine Joia

Cantora capixaba transforma o segundo álbum em experiência ao vivo, com rearranjos, coreografias, projeções e convidados especiais

24 ago 2026 - 10h37
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Resumo
A cantora capixaba Budah estreou a turnê do álbum "Frequência Lunar" com um show lotado no Cine Joia, em São Paulo. A apresentação transformou as faixas de rap, drill e house em uma experiência dinâmica com coreografias, elementos visuais e banda ao vivo, além de participações especiais como Vita e Franco. Mesclando músicas do novo trabalho e do disco anterior, o espetáculo evidenciou o domínio de palco da artista, que agora se prepara para levar a turnê ao Rock in Rio em setembro.

No último sábado, 22, Budah deu início à turnê de Frequência Lunar, seu segundo álbum, diante de um Cine Joia lotado, em São Paulo. A apresentação marcou a primeira grande transposição do projeto para os palcos e colocou em prática uma ideia que a cantora já havia adiantado em entrevista à Rolling Stone Brasil: "Estou muito feliz de finalmente levar esse projeto para os palcos e transformar essas músicas em uma experiência ao vivo. Espero que as pessoas se joguem na pista comigo, cantem, dancem e vivam cada faixa da mesma forma que eu vivi durante a criação desse álbum". Se, no disco, a artista capixaba se permite passear por rap, drill e house, ao vivo essas referências ganham novas camadas, incorporadas a um espetáculo que equilibra dança, banda e elementos visuais.

Budah durante estreia da turnê no Cine Joia
Budah durante estreia da turnê no Cine Joia
Foto: Kadu Soares | @kadusoares__ / Rolling Stone Brasil

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Antes mesmo da primeira música, uma narração gravada pela própria Budah apresentou ao público o conceito de Frequência Lunar. A explicação sobre o impacto de diferentes frequências sonoras no corpo serviu de prólogo para uma abertura que, rapidamente, deixou o tom contemplativo para trás e transformou o Cine Joia em pista. Projeções e iluminação acompanharam as mudanças de clima do repertório, enquanto as coreografias — em um espaço bem reduzido — deram ao show uma dimensão que não se manifesta da mesma forma nas versões de estúdio.

O repertório atravessou Frequência Lunar (2026) e Púrpura (2024) sem se dividir em dois blocos rígidos. As músicas do primeiro álbum surgiram como parte do caminho que levou ao novo trabalho, e as faixas recentes ganharam leituras distintas das gravações originais. É especialmente nos rearranjos que o show encontra uma de suas maiores forças: produções marcadas por elementos eletrônicos, drill e house receberam guitarras e outros instrumentos tocados ao vivo, alterando a textura das canções sem descaracterizá-las. "C'est La Vie" e "Maré" ganharam força nesse formato, enquanto "Skin Afropaty", "Lingerie" e "Meu Crime é Existir" ajudaram a manter o espetáculo em movimento. Com isso, o show não soa como uma simples reprodução do seu catálogo, mas como uma interpretação própria.

A mudança de formato também dialoga com o processo de criação de Frequência Lunar. Na mesma entrevista à RS, Budah contou que se sentiu insegura por se permitir experimentar mais no segundo disco. "Como eu me arrisquei mais nesse disco, eu acho que foi essa ansiedade diferente. Eu tava muito insegura, cara", explicou. No palco, essa inquietação ganha outra forma: as músicas mais agressivas convivem com momentos melódicos, enquanto os rearranjos e as coreografias deixam o espetáculo em constante movimento. É justamente aí que a proposta do álbum parece encontrar sua tradução mais natural ao vivo.

As participações de Vita e Franco, do The Sir!, foram alguns dos pontos altos da noite. Amigos de Budah, os dois também estão em Frequência Lunar e voltaram a dividir o palco com a cantora em "Submundo" e "Sua Favorita", preservando a conexão que existe entre os artistas também fora do disco. "Salto 15", por sua vez, apareceu entre os momentos de maior explosão da apresentação, especialmente pela coreografia que ganhou repercussão nas redes sociais.

A maior qualidade do show, entretanto, está na relação de Budah com o palco. Mesmo diante de um espetáculo que exige canto, dança, interação com a banda, a presença de convidados e até um pedido de casamento entre fãs, a cantora não parece depender de uma estrutura grandiosa para sustentar a apresentação. Há naturalidade na forma como ocupa o espaço e conduz o público, sobretudo nos trechos em que as coreografias cedem lugar a uma performance mais concentrada na voz. A entrega transforma um repertório construído a partir de conceitos sobre frequências e ciclos em algo mais direto: uma experiência para ser sentida no corpo.

A turnê segue para novas apresentações, com o Rock in Rio entre os próximos compromissos. No dia 6 de setembro, Budah sobe ao palco do Espaço Favela para apresentar o repertório de Frequência Lunar ao lado de músicas que marcaram sua trajetória.

Se o Cine Joia serviu como primeiro teste dessa nova fase, a apresentação no festival será uma oportunidade de ampliar a experiência para um público ainda maior — sem perder justamente aquilo que fez a estreia funcionar: a sensação de que Frequência Lunar não foi simplesmente levado ao palco, mas reconstruído para ele.

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