Dr. Dre diz que usa IA nas produções e rebate críticas: 'Só quem tem dificuldade de criar vê isso como ameaça'
Em entrevista, produtor comparou a resistência à IA à rejeição às caixas de ritmos e aos sintetizadores
Dr. Dre e Jimmy Iovine defenderam o uso da inteligência artificial na música, comparando a resistência à tecnologia ao receio histórico contra sintetizadores. Dre revelou aplicar IA em suas produções e afirmou que apenas criadores limitados a temem. A posição contrasta com a reação da indústria, que processa plataformas como a Suno por direitos autorais, enquanto gigantes do streaming, como Apple Music e Spotify, preparam rótulos para identificar faixas geradas por IA.
Dr. Dre não tem dúvidas sobre seu posicionamento no debate sobre inteligência artificial na música. Em entrevista ao The New York Times, publicada neste domingo, 23, ao lado do sócio e parceiro de longa data Jimmy Iovine, o produtor e rapper de Compton foi direto: usa IA em suas produções e não enxerga a tecnologia como uma ameaça.
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"Eu não vejo como uma ameaça. Acho que as únicas pessoas que veem assim são as que têm dificuldade de criar", afirmou.
Para Dre, a resistência à IA repete um padrão histórico que a indústria musical já viveu antes: "Conversei com algumas pessoas alguns dias atrás. Elas eram contra a IA e eu pensei: 'OK, vocês soam como a pessoa que teria sido contra a caixa de ritmos quando ela surgiu. Ou os sintetizadores, certo? É uma nova ferramenta para a criatividade. Algumas pessoas têm medo de aprender coisas novas. Eu estou abraçando isso. Mal posso esperar para ver o que vai acontecer'", disse.
O produtor confirmou que utiliza a tecnologia ativamente: "Como ferramenta, para ver o que ela faria com o que eu acabei de criar".
Iovine, cofundador da Interscope Records e parceiro de Dre desde a criação da Beats Electronics, concordou. "Sou muito a favor da IA na criação musical. Não vejo o lado negativo. Vai haver música ruim. Mas já há música ruim agora. No estúdio, quando pessoas talentosas têm acesso à IA, vão fazer discos melhores", disse.
Iovine ainda provocou ao sugerir que existem "muitos produtores de IA no armário", pessoas que usam a tecnologia, mas não admitem publicamente. Dre concordou: "É uma boa forma de colocar. Estão usando, só não querem admitir".
As declarações chegam em um momento de tensão crescente na indústria musical em torno da IA. Enquanto Dre e Iovine destacam as possibilidades, gravadoras e editoras recorrem à Justiça contra plataformas de geração de música. A Suno, por exemplo, foi processada pelas três maiores gravadoras do mundo (Warner Music Group, Universal Music Group e Sony Music) por uso não autorizado de gravações no treinamento de seus modelos.
Em paralelo, a Apple Music anunciou que vai adicionar etiquetas de identificação para músicas criadas com IA ainda neste ano, seguindo o Spotify, que já começou a marcar perfis de artistas gerados por inteligência artificial.
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