Boyband de cinquentões? Entenda a volta do Take That, ex-ídolos teens que hoje abraçam a meia-idade
Em entrevista ao 'Estadão', a primeira deles ao Brasil, grupo que foi fenômeno nos anos 90 e está de volta fala sobre 'altos e baixos', expressa desejo de visitar o País e responde a pedidos de volta de Robbie Williams
Muito antes do One Direction, uma boyband britânica de cantores que têm idade para serem pais da turma de Harry Styles virou sinônimo de sucesso e lucro para o mercado musical. Nos anos 1990, um grupo formado por cinco galãs jovens adultos despontou como fenômeno e revelou um dos maiores cantores pop da Inglaterra: o Take That, banda do início da carreira de Robbie Williams.
Trinta anos se passaram, Williams deixou o grupo - por duas vezes - e os integrantes já chegaram à faixa dos 50 anos de idade. Não há mais "boys", mas a banda de senhores segue ativa. Agora, Gary Barlow, Mark Owen e Howard Donald - membros restantes - se uniram para lançar This Life, álbum que chega após um hiato de seis anos de novos discos.
Quem escolhe escutar o novo lançamento na ordem do disco - diferentemente dos anos 1990, hoje já é possível escutar faixas na ordem aleatória do Spotify -, logo pode estranhar. O tom, resumido pela faixa número um, Keep Your Head Up, é melancólico e esperançoso, bem diferente do ritmo intenso e apaixonado de Back For Good, um dos maiores hits do grupo, de 1995.
Na época, eles comemoravam o sucesso do projeto que surgiu como uma resposta britânica ao New Kids On The Block, aqueles de Step By Step - quem tem certa idade, vai se lembrar de como eles dominavam as festinhas de escola e os corações das meninas no comecinho dos anos 90. Passo a passo, o Take That conseguiu algo semelhante, em especial na terra natal. Mas, claro, o tempo passou.
Talvez This Life não seja o melhor disco do grupo musicalmente falando, mas a escolha é coerente. Afinal, não dizem mesmo que a meia-idade é assim: melancólica, reflexiva, às vezes esperançosa? Gary, Mark e Howard escolhem criar letras que lhes fazem sentido na atual fase de cada um e mostram tudo pelo que já passaram, como diz o próprio título do álbum, "nessa vida".
Os "altos e baixos" não atingiram apenas a vida pessoal de cada um dos integrantes, mas também da boyband. "Que jornada longa, emocionante e adorável tivemos", avalia Gary em entrevista do trio ao Estadão, que, segundo ele, é a primeira do grupo ao Brasil.
O Take That fez uma turnê muito bem-sucedida no Reino Unido em 2010, vendendo um milhão de ingressos em menos de 24h. Na ocasião, Robbie Williams decidiu voltar ao grupo. Ele havia deixado a banda em 1995 - que chegou a se separar no ano seguinte - e, em 2014, junto com Jason Orange, saiu definitivamente do Take That.
'A música se desenvolve'
This Life traz letras quase impossíveis de serem escritas na época em que o grupo se tornou um fenômeno formado por integrantes na faixa dos 20 e poucos anos. Brand New Sun, por exemplo, fala sobre manter um relacionamento a longo prazo.
This Life, faixa que dá nome ao álbum, avisa: "Essa vida não é um mar de rosas. Essa vida vai levar tudo o que você tem. Nessa vida, não há segundas chances". É com maturidade que Gary, Mark e Howard encaram um mercado musical novo, tomado pelas redes sociais.
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Com um novo contrato em mãos, o Take That mira esse novo cenário da música e pretende "começar uma conversa". Windows, o single de This Life, permitiu com que a banda iniciasse a discussão, com gravadoras e produtores, sobre o futuro do grupo.
"Windows foi uma janela para o que poderíamos ser e para onde podemos ir agora", comenta Mark, fazendo um trocadilho com o nome da música. E para onde, exatamente, eles pretendem ir agora? Os três não escondem a vontade de pisar, pela primeira vez, em terras brasileiras.
'Para onde eu olhava, havia uma placa sobre o Brasil'
Foi viajando que o Take That conquistou a sua base de fãs, segundo os próprios integrantes. "Na época, não tínhamos redes sociais. [...] Tivemos que contar com shows ao vivo, revistas ou jornais. E foi legal viajar e ir a todos os lugares", diz Howard.
Mas não foi exatamente por "todos os lugares" que o grupo já passou. Nunca houve uma apresentação da boyband no Brasil, mas os atuais membros pretendem mudar isso.
"Em cada show que fazíamos no Reino Unido, em algum lugar da plateia, sempre tinha alguém com uma placa dizendo: 'Come to Brazil' ('Venham ao Brasil'). Eu juro, em todo show que fazíamos, sempre tinha alguém na plateia pedindo para irmos ao Brasil", conta Gary.
Os três não cravam uma data exata para a tal vinda, mas prometem: "Estamos chegando.[...] O grande plano é [que isso aconteça] no próximo ano."
'Eles podem voltar quando quiserem'
Em 2016, Robbie Williams não descartou uma possível reunião da banda no futuro. "[Pode acontecer] uma reunião em algum momento, com certeza, mas não conseguimos fazer nossos cronogramas combinarem nos próximos 12 meses", assegurou ele na ocasião.
Sete anos - ou 84 meses - se passaram, mas o suposto reencontro não aconteceu até o momento. Quando perguntados sobre a possibilidade de uma reunião, não apenas com Robbie, mas também com Jason, o trio responde na lata: "Na verdade, não".
"Estamos abertos para qualquer um voltar, a qualquer momento", comenta Howard, com sarcasmo. "Mas, obviamente, eles precisam dar uma olhada no contrato: obviamente, não, eles não podem. Eles podem voltar quando quiserem, mas nós estamos muito ocupados no momento."
*Estagiária sob supervisão de Charlise de Morais