Bananeira no palco, piada de toc-toc e 'Chamber of Reflection': assim foi a noite de Mac DeMarco em São Paulo
Em show lotado com três mil pessoas, o canadense entregou quase duas horas de indie rock despojado, piadas sem sentido e aquela sensação rara de que você está num show de um amigo
Parece que foi ontem que Mac DeMarco se despedia do Brasil no Lollapalooza 2018, mas já se passaram oito anos. Desde então, o canadense lançou vários projetos e voltou ao país neste sábado, 4, para apresentar a turnê de Guitar (2025), em sua segunda data nacional e a primeira em São Paulo. Oito das nove datas da passagem pelo país esgotaram antes mesmo de o músico pisar em solo brasileiro, e a noite confirmou o que os números já indicavam: DeMarco não é apenas um artista de nicho. Ele é, sem exagero, um dos nomes mais queridos do indie contemporâneo.
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A entrada foi simples: a banda subiu ao palco todos juntos e Mac foi apresentando cada integrante um a um, com aquele jeito casual que define tudo o que ele faz. Depois das apresentações, veio "Shining", uma abertura anticlimática de Guitar. Sem grandes explosões de energia, sem luz estroboscópica, somente uma guitarra limpa, uma melodia suave e Mac DeMarco no palco como se estivesse no seu próprio quintal. "É bom estar de volta", disse ele — uma das poucas frases sérias da noite.
Porque a seriedade, ali, ficou reservada para a música. Tudo o mais foi pura bagunça — no bom sentido. DeMarco passou o show falando sozinho, dançando sem motivo, fazendo gestos, balançando e jogando o microfone para o alto, alternando entre voz de falsete e voz de locutor de rodeio. Plantou bananeira no palco, contou piada de "toc-toc, quem é?", interagiu com a banda, que também é super carismática — e muito mais. É difícil descrever tudo isso sem parecer caótico, mas não é: há uma inteligência por trás da descontração de Mac DeMarco que faz tudo parecer espontâneo, mesmo quando provavelmente não é.
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O setlist alternou faixas de Guitar ("Holy", "Phantom" e "Home") com clássicos da carreira ("Heart to Heart", "On the Level" e "Ode to Viceroy"), costurando canções mais energéticas e baladas mais calmas sem seguir uma ordem rígida. A banda soou fiel às versões gravadas, sem grandes reinvenções ou experimentações.
Os grandes momentos do show vieram, invariavelmente, quando DeMarco assumia a guitarra, como em "Salad Days" e "Freaking Out the Neighborhood" — exibindo aquele timbre inconfundível, ligeiramente distorcido, quente e nostálgico, que influenciou uma geração inteira de músicos. As músicas novas foram bem recebidas, mas os clássicos sempre arrancam algo a mais. Em certos trechos, o público chegou a cantarolar em voz alta as melodias de guitarra.
O ápice da noite veio com "Freaking Out the Neighborhood", que provocou a maior reação da plateia. A energia acumulada ao longo de quase duas horas de show encontrou ali sua válvula de escape — e DeMarco soube aproveitar. Pouco depois, "Chamber of Reflection" entrou em cena: a faixa com mais de 1 bilhão de plays e que, pelo que representa, não poderia ocupar outro lugar que não o de encerramento.
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No bis, "My Kind of Woman" ficou para o encerramento e selou a despedida perfeita de uma noite que nunca tentou ser mais do que era: um show honesto, divertido e cheio de alma, de um artista que claramente ainda ama estar no palco.
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