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Bananeira no palco, piada de toc-toc e 'Chamber of Reflection': assim foi a noite de Mac DeMarco em São Paulo

Em show lotado com três mil pessoas, o canadense entregou quase duas horas de indie rock despojado, piadas sem sentido e aquela sensação rara de que você está num show de um amigo

5 abr 2026 - 11h33
(atualizado às 11h45)
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Parece que foi ontem que Mac DeMarco se despedia do Brasil no Lollapalooza 2018, mas já se passaram oito anos. Desde então, o canadense lançou vários projetos e voltou ao país neste sábado, 4, para apresentar a turnê de Guitar (2025), em sua segunda data nacional e a primeira em São Paulo. Oito das nove datas da passagem pelo país esgotaram antes mesmo de o músico pisar em solo brasileiro, e a noite confirmou o que os números já indicavam: DeMarco não é apenas um artista de nicho. Ele é, sem exagero, um dos nomes mais queridos do indie contemporâneo.

Foto: Frank Hoensch/Redferns / Rolling Stone Brasil

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A entrada foi simples: a banda subiu ao palco todos juntos e Mac foi apresentando cada integrante um a um, com aquele jeito casual que define tudo o que ele faz. Depois das apresentações, veio "Shining", uma abertura anticlimática de Guitar. Sem grandes explosões de energia, sem luz estroboscópica, somente uma guitarra limpa, uma melodia suave e Mac DeMarco no palco como se estivesse no seu próprio quintal. "É bom estar de volta", disse ele — uma das poucas frases sérias da noite.

Porque a seriedade, ali, ficou reservada para a música. Tudo o mais foi pura bagunça — no bom sentido. DeMarco passou o show falando sozinho, dançando sem motivo, fazendo gestos, balançando e jogando o microfone para o alto, alternando entre voz de falsete e voz de locutor de rodeio. Plantou bananeira no palco, contou piada de "toc-toc, quem é?", interagiu com a banda, que também é super carismática — e muito mais. É difícil descrever tudo isso sem parecer caótico, mas não é: há uma inteligência por trás da descontração de Mac DeMarco que faz tudo parecer espontâneo, mesmo quando provavelmente não é.

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O setlist alternou faixas de Guitar ("Holy", "Phantom" e "Home") com clássicos da carreira ("Heart to Heart", "On the Level" e "Ode to Viceroy"), costurando canções mais energéticas e baladas mais calmas sem seguir uma ordem rígida. A banda soou fiel às versões gravadas, sem grandes reinvenções ou experimentações.

Os grandes momentos do show vieram, invariavelmente, quando DeMarco assumia a guitarra, como em "Salad Days" e "Freaking Out the Neighborhood" — exibindo aquele timbre inconfundível, ligeiramente distorcido, quente e nostálgico, que influenciou uma geração inteira de músicos. As músicas novas foram bem recebidas, mas os clássicos sempre arrancam algo a mais. Em certos trechos, o público chegou a cantarolar em voz alta as melodias de guitarra.

O ápice da noite veio com "Freaking Out the Neighborhood", que provocou a maior reação da plateia. A energia acumulada ao longo de quase duas horas de show encontrou ali sua válvula de escape — e DeMarco soube aproveitar. Pouco depois, "Chamber of Reflection" entrou em cena: a faixa com mais de 1 bilhão de plays e que, pelo que representa, não poderia ocupar outro lugar que não o de encerramento.

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No bis, "My Kind of Woman" ficou para o encerramento e selou a despedida perfeita de uma noite que nunca tentou ser mais do que era: um show honesto, divertido e cheio de alma, de um artista que claramente ainda ama estar no palco.

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