Apaixonado pelo Brasil, Oliver Tree faz seu primeiro show no país: 'É um dos meus maiores sonhos'
Após cancelamento em 2022, artista desembarca em São Paulo no próximo sábado, 6
Oliver Tree estava na Argentina quando conversou com a Rolling Stone Brasil. Tinha acabado de sair de um show no Chile e já tinha outro marcado para o dia seguinte. Enquanto explicava a logística da turnê latino-americana, o Brasil logo entrou na conversa. Aí — mais especificamente quando ele falou da apresentação no Studio Stage, no próximo sábado, 6 — algo mudou. A energia ficou diferente; a empolgação tomou conta, porque, segundo ele, esse show não é apenas mais uma data da turnê: é uma redenção.
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"Quero dizer que sinto muito por não ter chegado antes", começou Tree, referindo-se ao show que deveria ter acontecido em 2022. "A turnê que eu tive que cancelar estava fora do meu controle. Foi algo muito infeliz e acho que frustrou bastante as pessoas. Foi muito doloroso para mim — não poder tocar".
Nos últimos anos, muita coisa mudou para Tree. Depois de lançar Cowboy Tears (2022), o cantor veio ao Brasil para gravar partes de Alone In A Crowd (2023) e, para a produção de Love You Madly Hate You Badly (2026), percorreu sete continentes e 82 países, da África e China ao Afeganistão e à Antártida. Mais recentemente, contou que deu uma passadinha em solo brasileiro: "Voltei de novo, bem recentemente, no ano passado, para o Carnaval, e foi super bonito e espetacular".
A jornada o transformou por completo. E agora, quando finalmente vem se apresentar no Brasil, está declaradamente apaixonado.
"Eu sou muito 'time Brasil'. Vou tocar em São Paulo e também amo muito o Rio. Na verdade [risos], sou mais 'time Rio' porque eu gosto de praia. Mas São Paulo também é um lugar realmente insano e bonito — caos, um caos bonito".
A cada visita, Tree descobriu novas camadas do país. A primeira coisa que o chocou foi a diversidade — não apenas humana, mas também geográfica e cultural. "Fiquei chocado com o Rio. Você tem praias lindas e, ao mesmo tempo, as cadeias de montanhas mais incríveis. Para mim, na Califórnia, é como ir a Yosemite. E você tem isso tudo lado a lado — ao lado das favelas, ao lado da cidade, e aí você tem a selva. Foi muito louco ver quanta diversidade existe, só do ponto de vista biológico".
Mas a descoberta não parou aí. "Eu amo muito a comida. Eu estava comendo coração de galinha todo dia. A farofa — eu fiquei obcecado. Acho que a comida brasileira está entre as melhores do mundo". E completou: "Sem contar as mulheres mais bonitas do mundo, as melhores festas. Quero dizer, vocês estão vivendo um sonho".
Os sonhos que o Brasil inspirou
A paixão foi tanta que Tree quer fazer muito mais do que uma simples apresentação por aqui. Quer fazer música brasileira:
"Quando eu terminar o show, vou ficar um ou dois dias por aqui", disse, empolgado. "Na verdade, eu vou para o Rio gravar algumas músicas. Isso é muito segredo, mas eu estou muito animado".
A visão dele é ambiciosa: "Eu estou fazendo funk. Estou tentando fazer algumas músicas bilíngues — algumas em espanhol, algumas em português. Vou passar algumas semanas só fazendo funk. Esse é o meu sonho de verdade". E há mais: "Eu também estou esperando gravar nas favelas… vamos ver. Mas, de qualquer forma, eu vou fazer um monte de música aí".
Tree explica que quer se aproximar do ritmo brasileiro sem destruir sua essência:
"Eu tenho muito interesse em onde a interseção do estilo rítmico encontra um pouco do som eletrônico. Estou tentando — sem tirar nada do que isso é — incluir algumas ideias novas de uma perspectiva ocidental, colaborar com artistas e encontrar jeitos novos de revitalizar isso, nos dando uma inspiração fresca, um sabor novo na mistura. Não para tirar, mas só para tentar expandir o conceito".
Há também nomes na lista. "Eu já falei com a Anitta antes por FaceTime. Um amigo meu filmava conteúdo dela para redes sociais, então eu falei com ela algumas vezes". Mas não quis revelar tudo: "Tem uma lista grande de artistas, mas eu não quero falar demais porque tem pessoas com quem eu estou tentando trabalhar, e eu não sei se vai acontecer".
A verdade é que Tree enxerga o Brasil como um dos lugares musicalmente mais vivos do mundo. "Eu sinto que o Brasil é um dos lugares mais empolgantes para a música no mundo inteiro. Foi empolgante fazer música aí e seguir meu próprio caminho, mas agora eu realmente quero colaborar e me conectar num nível mais profundo com quem é daqui".
O primeiro show no Brasil
Oliver Tree chega a São Paulo em um momento de força criativa. Seu novo álbum, Love You Madly Hate You Badly (2026), acaba de ser lançado — 17 faixas escritas, produzidas e arranjadas inteiramente por ele. É o trabalho mais ambicioso de sua carreira, gravado em sete continentes e 82 países.
O show acontece no próximo sábado, 6 de junho, no Studio Stage, na Lapa de Baixo, região central de São Paulo. Abertura das portas às 18h, com início previsto para as 20h. Ingressos estão à venda no site Articket. É a única apresentação brasileira da World's First World Tour, que atravessa mais de 70 cidades ao redor do mundo.
Para Tree, esse não é um show entre muitos. É o show da turnê — a data que ele marcou no mapa como a mais importante, a que mais espera. "De todos os shows — digamos, em mais de 55 países — o Brasil é o número 1", disse ele, com a certeza de quem já visitou metade do mundo.
Mas o que torna Oliver Tree único não é só essa prioridade que dá ao Brasil. É como ele constrói cada apresentação: uma abordagem que o diferencia de praticamente todo artista em circulação hoje. Tree mistura música, humor, performance e elementos visuais de forma singular. Ele não acredita em fórmulas prontas, não delega a criação, não terceiriza a visão. Tudo o que acontece no palco é fruto de sua imaginação, sua direção, sua visão pessoal.
"Cada passo de dança que você vê, tudo o que eu digo e tudo o que eu faço — vem tudo da minha cabeça. Eu coreografo meus próprios shows. E, claro, eu falo isso de um jeito meio… sabe, como um cara dançando na frente do espelho com uma escova de dente ou de cabelo. Mas, ainda assim, há algo muito bonito nisso: você tem um artista que constrói o show ao vivo e produz tudo por conta própria".
Há um risco nessa abordagem — um grande risco. Porque quando tudo depende de você, não há para quem culpar se algo der errado. Não há produtor, não há diretor, não há equipe para terceirizar a responsabilidade. É só você. Mas é exatamente por isso que Tree consegue entregar algo verdadeiro: "Quando eu faço meu show ao vivo, é uma experiência verdadeira, autêntica, do meu coração e da minha alma. Não é forçado nem falso".
Num mundo em que a maioria das apresentações é produzida por agências, com tudo pensado por comitês e consultores, Tree insiste em fazer o oposto. "Eu acho que hoje em dia isso fica cada vez mais raro. Ou, mesmo quando artistas fazem isso, muito raramente eles estão construindo o show com as transições e as grandes introduções e encerramentos. É meio que uma arte perdida".
Sobre a setlist, Tree explica que ela não é fixa: muda toda noite, de país para país. "Toda noite a gente vai ajustando — aperfeiçoando, tirando alguma coisa, acrescentando alguma coisa. Então ele vai evoluir bastante ao longo dos próximos seis meses".
Isso é intencional. Tree pensa em cada público, em cada lugar, em cada momento. "Para mim, o mais importante é que os fãs, que gastam o dinheiro suado deles nesses shows, sintam que valeu a pena. Então eu sempre penso no público".
O equilíbrio é delicado — entre o novo e o conhecido, entre surpreender e satisfazer:
"Eu tento encontrar um bom equilíbrio: colocar material novo para não ficar chato, trazer sempre de volta algo que as pessoas conhecem e, ao mesmo tempo, apresentar sons novos — encontrar jeitos de misturar tudo, um pouco como um set de DJ às vezes, com interlúdios e coisas que façam a transição".
E há uma promessa especial para São Paulo: "Vai ter algumas coisas que a gente vai tocar no Brasil que não vai tocar em nenhum outro lugar, então vai ser muito especial".
https://www.youtube.com/watch?v=zAUWu94PtkQ
O retorno
Há algo poético no timing disso tudo. Oliver Tree deveria ter vindo em 2022, mas não conseguiu. A frustração foi real, a dor foi real. Mas esses dois anos — dois anos gravando em 82 países, aprendendo sobre música, diversidade e sobre si mesmo — o transformaram. Agora, ele volta não como quem "deveria" ter vindo, mas como alguém completamente diferente. Volta apaixonado.
E, quando questionado sobre como espera que o público saia do Studio Stage, Tree foi direto e listou uma série de exigências:
"Eu espero que ainda estejam rindo de momentos engraçados, dos momentos ridículos que elas não esperavam. Eu espero que elas tenham chorado. Eu espero que elas fiquem sem voz porque gritaram muito alto. Eu espero que talvez algumas delas até fiquem com alguns roxos com o bate-cabeça. Eu espero que elas estejam exaustas e doloridas no dia seguinte porque pularam muito alto".
Oliver Tree não promete diversão — ele exige. E, no próximo sábado, em São Paulo, não vai faltar nada da parte dele.
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