Livro evoca a mitologia grega para analisar a paisagem mineira
A historiadora Laura de Mello e Souza lança 'Jardim das Hespérides' em que analisa a natureza de Minas Gerais
Foi num historiador mineiro do começo do século passado que a historiadora Laura de Mello e Souza encontrou a sugestão para o belo título de seu novo livro, O Jardim das Hespérides (Companhia das Letras, 2023). "Era o país das serranias impenetráveis, dos rios enormes, das feras e dos monstros", escreveu o hoje desconhecido Diogo de Vasconcelos, referindo-se ao espaço mineiro antes da colonização europeia, acrescentando uma referência à mitologia grega: "Uma espécie das Hespéridas antigas guardadas por dragões". A referência ao mito das Hespérides, mais do que erudição gratuita, revela uma aguda leitura da sedimentação histórica das visões da natureza em Minas.
Consta de fontes gregas diversas que houvera, provavelmente no extremo Oeste do mundo conhecido, um bosque habitado por lindas ninfas - as Hespérides, "filhas da noite", conforme a etimologia e a genealogia fornecidas por Hesíodo, se bem que outras fontes relatem origens diversas - que cuidavam de um pomar de maçãs douradas. Para proteger da cobiça dos homens (e das ninfas, talvez) semelhante prodígio, rondavam o jardim ferozes dragões. Isso, até o dia em que Hércules, num de seus últimos trabalhos, matara os dragões e colhera os pomos, assim incorporando o fabuloso jardim ao mundo desencantado dos homens.
O Jardim das Hespérides
Laura Mello e Souza
Cia. das Letras
200 págs., R$ 89,90 R$ 39,90 o e-book