Script = https://s1.trrsf.com/update-1790713512/fe/zaz-ui-t360/_js/transition.min.js
PUBLICIDADE
Oferecimento Logo do patrocinador
Publicidade

Inspirado em "Vidas Secas", pernambucano transforma madeira em arte reconhecida em vários países

Marcos de Sertânia transforma vivências do semiárido em esculturas e compartilha o ofício com moradores da comunidade onde trabalha.

16 out 2026 - 10h35
(atualizado às 11h03)
Compartilhar
Exibir comentários
Resumo
Inspirado na cadela Baleia, de "Vidas Secas", e em sua infância no semiárido, o artesão Marcos de Sertânia transforma madeira em esculturas de animais e figuras magras e expressivas. Reconhecido como mestre artesão em Pernambuco, sua arte ganhou fama internacional, chegando a vários países e até ao papa Francisco. Além do sucesso nas galerias, Marcos impulsiona a economia local gerando renda para mais de 20 pessoas e capacitando novos artesãos que abriram seus próprios ateliês na região.

Patas finas, corpos alongados e costelas marcadas deram às esculturas de Marcos de Sertânia uma identidade reconhecida além de Pernambuco. Produzidos em madeira, seus cães chegaram a galerias brasileiras e a mercados de países como Bélgica, Portugal, Israel e Estados Unidos.

O artista Marcos de Sertânia exibe uma de suas esculturas em madeira.
O artista Marcos de Sertânia exibe uma de suas esculturas em madeira.
Foto: Arquivo pessoal / Portal de Prefeitura

Por trás do nome artístico está Marcos Paulo Lau da Costa, que mantém no trabalho a ligação com a cidade sertaneja onde vive. Segundo contou ao g1, uma de suas peças também foi entregue ao papa Francisco, como presente levado pelo arcebispo de Natal, Dom Jaime.

Os animais esculpidos pelo artesão têm relação com uma personagem conhecida da literatura brasileira: a cadela Baleia, do romance "Vidas Secas", de Graciliano Ramos.

A referência encontra correspondência nas experiências de Marcos. Um perfil publicado pela Artesol registra que ele enfrentou a seca e, na infância, ajudava a mãe a buscar água em açudes distantes de casa.

Essas memórias aparecem em figuras que expressam a dureza do cotidiano no semiárido. A madeira ganha contornos magros e alongados, com uma linguagem que aproxima lembranças pessoais e criação artística.

Tradição familiar ganhou linguagem própria

Nascido em 1974, Marcos veio de uma família de agricultores e artesãos. Seus familiares produziam utensílios domésticos e pequenas esculturas de bois, tradição da qual ele partiu para desenvolver outros personagens.

O repertório passou a incluir figuras humanas e animais que traduzem a experiência sertaneja. O Centro Sebrae de Referência do Artesanato Brasileiro destaca a dramaticidade das peças e a maneira como o artista representa os efeitos da seca.

O contato com o entalhe começou ainda na infância. Antes de alcançar galerias e colecionadores, Marcos apresentou trabalhos na escola, em feiras e em lojas. Em 2011, foi reconhecido como mestre artesão pelo Governo de Pernambuco, conforme o registro biográfico mantido pelo Museu do Senado Federal.

Conhecimento também gera trabalho

A trajetória ultrapassou a produção individual. Ao g1, Marcos relatou que entre 22 e 25 pessoas vivem diretamente do artesanato ligado ao seu trabalho, principalmente moradores do Alto do Rio Branco, bairro onde fica o ateliê.

O aprendizado compartilhado também abriu caminho para outros espaços de criação. Segundo o artista, cinco ou seis ateliês foram montados por pessoas que aprenderam a técnica com ele e passaram a comercializar suas próprias peças.

Marcos agora constrói uma estrutura maior, com a proposta de reunir ateliê e galeria, receber visitantes e ampliar as oportunidades de transmissão do ofício.

Portal de Prefeitura
Compartilhar

Comentários

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.

Publicidade
Meu Terra