Homenagem a John Galliano no Met Gala 2027 é cancelada por conta de declarações racistas e antissemitas
"Não quero que o debate em torno de mim coloque o Met em uma posição difícil", afirmou Galliano, estilista que foi condenado por crimes de ódio em 2011
A exposição em homenagem a John Galliano no Met Gala 2027 foi cancelada após forte repercussão negativa. O estilista britânico, ex-diretor criativo da Dior, foi condenado na França por declarações racistas e antissemitas feitas em 2011. Em decisão conjunta com a liderança do museu, Galliano apoiou o cancelamento para não desviar o foco da instituição, reiterando seu arrependimento público pelas ofensas do passado. Anna Wintour apoiou a decisão e elogiou o talento do designer.
John Galliano teve sua a exposição no Met Gala cancelada nesta segunda, 31, após a repercussão negativa de declarações racistas e antissemitas do passado. A exposição do Costume Institute em homenagem ao estilista britânico, intitulada "John Galliano: Horizons", estava prevista para inaugurar em maio de 2027, juntamente com o Met Gala anual liderado por Anna Wintour. Ela será substituída por outra mostra, a ser anunciada posteriormente.
Galliano construiu uma carreira de sucesso na indústria da moda, atuando como diretor criativo das casas de moda Givenchy e Dior. Entretanto, ele foi demitido da Dior quando comentários racistas e antissemitas de 2010 e 2011 vieram à tona. As falas o levaram a ser condenado por antissemitismo na França.
O estilista retornou ao mercado em 2014, assumindo o mesmo cargo na casa de moda Maison Margiela. O anúncio da exposição, entretanto, gerou uma forte reação contrária na comunidade judaica e além. Galliano se tornaria apenas o terceiro estilista vivo a ser tema de uma exposição individual no Costume Institute do Met.
"Após discussões ponderadas com John Galliano, decidimos em conjunto não prosseguir com a exposição", anunciou Max Hollein, diretor e CEO do museu, em comunicado.
Galliano também se pronunciou, dizendo, "com muita tristeza", que esta é a "melhor" decisão no momento. "Permaneço totalmente responsável pela dor causada pelas minhas palavras no passado, em particular pela mágoa que causei às comunidades judaica e asiática, e continuo profundamente arrependido por isso", ressaltou.
Entendo que uma reparação significativa não se alcança por meio de uma exposição, reconhecimento institucional ou um único gesto público. É uma responsabilidade contínua, demonstrada por meio da escuta, do aprendizado e da conduta ao longo do tempo. Não quero que o debate em torno de mim coloque o Met em uma posição difícil ou desvie a atenção do trabalho notável do Costume Institute. Também reconheço e respeito que uma exposição em homenagem ao meu trabalho seria dolorosa para alguns.
Anna Wintour, responsável pela gala anual, afirmou (via EW): "A decisão de John de pedir ao Museu para adiar a exposição dedicada ao seu trabalho é muito corajosa e demonstra o homem que ele é. Acredito que esta é a decisão certa, e tanto ele quanto o Museu têm meu total apoio".
Ela prosseguiu, descrevendo Galliano como "o principal estilista de sua geração". "Sua imaginação fértil, alimentada por uma vida inteira de curiosidade e pesquisa, é equiparada à sua excepcional habilidade. Corte, caimento, a linha evocativa de um vestido cortado no viés, cor — ele é um mestre em tudo isso", destacou. "Galliano presenteou a moda com seus desfiles mais maravilhosos. Seu impacto reverbera por gerações, principalmente no atual diretor criativo da Dior, Jonathan Anderson, que o considera um de seus heróis."
As declarações racistas e antissemitas de Galliano
Em 2011, um vídeo de Galliano embriagado em Paris, fazendo comentários racistas e antissemitas, viralizou nas redes e levou à sua prisão. No registro, ele dizia a uma mulher: "Eu amo Hitler. Pessoas como você estariam mortas. Suas mães, seus antepassados, todos seriam mortos a gás."
Durante seu depoimento, o estilista alegou "estar sob a influência de álcool e medicamentos controlados" e não se lembrar do incidente. Galliano foi condenado por "insultos públicos baseados na origem, filiação religiosa, raça ou etnia". O estilista precisou pagar um total de 6.000 euros (cerca de R$ 36 mil reais, na cotação atual do euro) em multas, além de indenizações e custas judiciais.
Nos anos em que passou afastado da vida pública, Galliano se reuniu com líderes judeus e rabinos e recebeu a bênção de grupos como a Anti-Defamation League. Ele mencionou sua luta contra a dependência química em declaração ao Met.
"Gostaria de expressar minha mais profunda gratidão a todos aqueles que me guiaram, apoiaram e acompanharam ao longo desses quinze anos de sobriedade e recuperação do alcoolismo e da dependência", afirmou. "Sua sabedoria, paciência e humanidade me ajudaram mais do que eu jamais poderei expressar."
Comentários
Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.