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Reprodução pós-morte: atriz engravidou de famoso morto há 11 anos

Famosa atriz realizou sonho de engravidar mesmo após a morte do marido em 2015; entenda mais detalhes do caso

13 jun 2026 - 10h08
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Em junho de 2025, o telefone tocou e transformou a realidade da atriz Laura Orrico, conhecida por suas atuações em CSI: Miami e Kevin Can Wait. Aos 48 anos, a artista recebeu a confirmação de sua tão aguardada gravidez. Para a famosa, o momento representou o ápice de uma jornada de superação que já durava anos.

Reprodução/Instagram
Reprodução/Instagram
Foto: Mais Novela

Ao descrever o impacto da descoberta, ela não escondeu a forte emoção e detalhou à People o instante exato da ligação: "O telefone tocou, meu estômago gelou. Quando ouvi o resultado, só pensei em contar para a minha mãe primeiro".

A felicidade contagiou também os parentes de seu antigo companheiro, que demonstraram apoio incondicional ao longo de todo o processo médico. A respeito dessa união familiar, a atriz pontuou: "A mãe dele foi comigo à última ultrassonografia. Eles estão animados. É uma bênção, por ser do Ryan. Para eles, é algo muito importante".

O início do tratamento de fertilização

Essa vitória começou a ser desenhada em abril de 2025, período em que a artista deu início aos procedimentos clínicos de fertilização. Posteriormente, no final de maio, ela foi submetida à transferência embrionária. A decisão de encarar a maternidade solo de maneira independente surgiu diante da percepção do avanço da idade.

Nesse sentido, ela avaliou os riscos de esperar por um novo parceiro. Ela esclareceu sua escolha sem rodeios: "Se não fizesse agora, seria tarde demais. Eu me arrependeria pelo resto da vida. Nunca tive a intenção de fazer isso sozinha, mas não podia esperar mais".

Quem era o pai da criança?

Para compreender o contexto dessa gestação, é necessário voltar ao ano de 1999, quando Laura Orrico conheceu Ryan Cosgrove. O casal oficializou a união em 2004, contudo, a felicidade foi interrompida de forma abrupta em 2007. Naquela época, o marido recebeu o diagnóstico de um tumor cerebral severo. Por causa da gravidade da situação, a atriz optou por abandonar temporariamente sua carreira em Hollywood para se dedicar integralmente aos cuidados do amado.

A patologia enfrentada por ele costuma apresentar uma evolução bastante agressiva e progressiva no organismo. Médicos alertam que os indícios clínicos dependem diretamente do local afetado no cérebro. Consequentemente, as manifestações mais comuns englobam dores de cabeça contínuas, com intensidade maior ao deitar ou despertar, além de enjoos e episódios de vômito sem uma justificativa médica aparente.

Do mesmo modo, o paciente pode apresentar crises convulsivas inéditas, perda de memória, episódios de confusão mental e alterações drásticas de comportamento. Por fim, formigamentos ou fraqueza em uma das metades do corpo, bem como perturbações na fala, na visão, na audição e no equilíbrio também mimetizam os sintomas de um Acidente Vascular Cerebral (AVC).

A promessa de uma família e o doloroso luto

Mesmo diante do cenário adverso, o casal manteve viva a esperança de gerar uma descendência futuramente. Por isso, antes de iniciar as sessões de quimioterapia e radioterapia, Ryan realizou a criopreservação de seu esperma. A rotina do casal, contudo, alternava entre o otimismo e a dor. Relembrando o temperamento do companheiro, a artista contou: "Fizemos tudo o que podíamos para equilibrar a vida e aproveitar os dias bons, mesmo nos momentos mais difíceis. Ele tinha uma atitude muito positiva".

Infelizmente, em abril de 2015, Ryan não resistiu às complicações da doença e faleceu. A perda precoce deixou marcas profundas na viúva. Ela relembrou com tristeza os últimos momentos ao lado dele: "Foi muito difícil vê-lo sofrer e ficar cada vez mais frágil".

Apesar de ter buscado novos relacionamentos afetivos nos anos seguintes, Laura enfrentou frustrações e dois abortos espontâneos decorrentes de tentativas de inseminação iniciadas ainda em 2013. Todavia, a determinação de seguir em frente vinha de um acordo prévio estabelecido entre os dois. Conforme revelou a estrela, o marido deixou autorização expressa para o uso do sêmen: "Eu tenho a bênção dele".

Como funciona a reprodução pós-morte?

Do ponto de vista científico e legal, a técnica utilizada é classificada como reprodução assistida pós-morte. De acordo com explicações de Álvaro Cecchin, atual presidente da Associação Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), o método viabiliza a utilização de gametas congelados de indivíduos que já faleceram.

Em um papo com o Metrópoles, o especialista esclarece que a coleta deve ocorrer obrigatoriamente enquanto o doador estiver vivo. Desse modo, o material genético pode ser descongelado anos mais tarde para viabilizar técnicas como a fertilização in vitro. No entanto, o médico adverte que o processo exige rigor absoluto.

"O sêmen é coletado e congelado ainda em vida do parceiro, com consentimento formal. Mesmo anos depois, ele pode ser descongelado e usado para fecundar óvulos no laboratório, por fertilização in vitro ou, em alguns casos, por inseminação intrauterina", frisa.

Adicionalmente, o monitoramento psicológico dos familiares torna-se indispensável devido à carga emocional envolvida. A legislação brasileira e as normas éticas do Conselho Federal de Medicina (CFM) são extremamente rígidas quanto à necessidade de documentação assinada. O presidente da SBRA reforça os limites legais da técnica: "Sem o consentimento prévio do falecido, a lei e o Conselho Federal de Medicina não permitem o procedimento".

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