No Dia da Visibilidade Trans, Gabriela Loran fala de acolhimento
No ar em Três Graças, atriz destaca importância de humanizar corpos trans no horário nobre
Neste 29 de janeiro, celebramos o Dia Nacional da Visibilidade Trans no Brasil. Gabriela Loran, aos 32 anos, vive hoje um momento histórico em sua carreira. Natural de São Gonçalo, ela é o rosto da representatividade na televisão brasileira.
Atualmente, Gabriela interpreta a personagem Viviane na novela "Três Graças", da TV Globo. Estar no horário nobre significa ser vista por milhões de pessoas diariamente. A atriz utiliza esse espaço para humanizar as questões de gênero na sociedade.
Em entrevista ao Extra, ela revelou a surpresa com o alcance do seu trabalho. O reconhecimento do público é imediato em qualquer lugar que ela frequente. Gabriela se tornou um símbolo de luta, afeto e transformação cultural profunda.
O impacto de 30 milhões de espectadores
Logo no início das gravações, Gabriela recebeu um conselho valioso nos bastidores. Chico Accioly, gerente de talentos da Globo, alertou sobre a magnitude do papel. "São 30 milhões de pessoas te assistindo todos os dias", disse ele.
Essa frase ecoou na mente da artista, que hoje colhe os frutos. A visibilidade é tão impressionante que ela é reconhecida mesmo disfarçada nas ruas. Seja de óculos, touca ou cabelo preso, o público sabe quem ela é.
Esse carinho reverbera inclusive na vida de seus familiares próximos e queridos. As pessoas agora reconhecem seus pais e conhecem a história de sua base. Gabriela desbravou um caminho que antes era quase impossível para mulheres trans.
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Confira o momento que Ferette descobre que Viviane é uma mulher trans:
O encontro com a comunidade LGBTQIA+
Recentemente, Gabriela esteve nos "Ensaios da Anitta", no Rio de Janeiro. Lá, ela sentiu de perto a força e o carinho da comunidade. Muitas pessoas trans buscaram fotos e palavras de incentivo com a atriz.
Ela entende que sua presença nos eventos movimenta uma realidade necessária e urgente. Gabriela gosta de ser a voz que luta contra o conservadorismo estrutural. Sua participação no programa "Mais Você", com Ana Maria Braga, também foi marcante.
Contar sua história em rede nacional ajuda a quebrar preconceitos antigos e arcaicos. A atriz acredita que a exposição positiva gera empatia e entendimento social real. Ela se orgulha de ocupar espaços que antes eram negados à sua classe.
Humanização dos corpos trans na mídia
Gabriela tem plena consciência do lugar de destaque que ocupa hoje no Brasil. Ela cita nomes como Erika Hilton e Liniker como parceiras nessa jornada. Juntas, elas estão mudando a forma como o país enxerga pessoas trans.
"Essa humanização dos nossos corpos está chegando agora", afirma Gabriela com convicção. O foco não é apenas na dor, mas na vida e nos sonhos. Trazer humanidade para a classe trans é o grande objetivo de sua trajetória.
Estar na novela das nove permite que a discussão chegue a todos os lares. Desde famílias tradicionais até jovens que buscam referências para se sentirem seguros. A representatividade na TV é um passo fundamental para a segurança dessas pessoas.
O romance que encantou o Brasil
Na trama de "Três Graças", Viviane vive um envolvimento amoroso com Leonardo. O personagem, interpretado por Pedro Novaes, formou um casal que virou sensação absoluta. O público torce fervorosamente para que os dois fiquem juntos no final.
Ver o Brasil torcendo por um casal trans é algo revolucionário para Gabriela. Ela se emociona com os relatos de quem assiste à novela por ela. O carinho ultrapassa barreiras religiosas e geracionais de forma muito bonita e leve.
Leonardo e Viviane mostram que o amor não conhece barreiras de gênero prévias. A química entre os atores conquistou até quem não costuma acompanhar novelas longas. Esse acolhimento é o que Gabriela chama de "momento arrebatador" em sua vida.
Histórias de acolhimento que emocionam
Gabriela compartilha encontros marcantes que teve recentemente com fãs de todas as idades. Uma criança na praia a reconheceu e a elogiou como uma "ótima atora". O riso e a pureza infantil mostram que o respeito começa cedo.
Outro relato comovente envolveu um menino de uma família evangélica muito tradicional. A mãe da criança pediu para segui-la no Instagram antes de pregar. Isso prova que a arte tem o poder de unir mundos diferentes.
Saber que as pessoas querem conhecer sua história é o maior prêmio. Muitos telespectadores admitem que voltaram a ver TV apenas para acompanhar a Viviane. Gabriela Loran está, literalmente, reescrevendo o roteiro da diversidade no Brasil atual.
O papel da arte na desconstrução do preconceito
A atuação de Gabriela vai muito além do entretenimento puro e simples. Cada cena de Viviane é uma ferramenta de educação e letramento para muitos. A personagem aborda dilemas reais com sensibilidade, doçura e muita firmeza necessária.
A arte consegue acessar lugares onde o diálogo comum muitas vezes falha. Ao ver Viviane sofrer, amar e vencer, o público cria uma conexão emocional. Essa conexão é o primeiro passo para o fim da discriminação nas ruas.
Gabriela Loran entende que sua carreira é um ato político e artístico constante. Ela não foge da responsabilidade de ser uma porta-voz da sua comunidade. Sua presença na TV abre portas para futuras gerações de artistas trans.
Reflexões para o Dia Nacional da Visibilidade Trans
O Dia Nacional da Visibilidade Trans é um momento de celebração e reflexão. Gabriela Loran é a prova de que o talento não tem gênero definido. Sua trajetória em 2026 inspira esperança em meio a tempos ainda difíceis.
O acolhimento que ela recebe deve ser estendido a todas as pessoas trans. O Brasil precisa aprender a amar e respeitar esses corpos em todos os lugares. Não apenas na tela da TV, mas no mercado de trabalho e escolas.
Gabriela finaliza reforçando que o corre de muitas meninas continua firme e forte. A luta é diária, mas as vitórias, como esta novela, merecem ser comemoradas. Que a história de Viviane seja apenas o começo de muitas outras conquistas.