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"Não tenho essa de ir para Hollywood", diz Murilo Rosa

6 set 2009 - 09h08
(atualizado às 09h09)
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Carol Campanharo
Rio de Janeiro

Escalado para reforçar o time de galãs de Caminho das Índias, Murilo Rosa chegou a roubar a cena na trama de Glória Perez e vive momento de felicidade na carreira, com seu primeiro destaque no horário nobre. No cinema, estrela ao lado de Ana Paula Arósio o filme Como Esquecer, em que interpreta pela primeira vez um homossexual.

O DIA: Você foi chamado para atuar em Caminho das Índias ainda no começo da novela, mas recusou. O que te fez mudar de ideia e aceitar o novo convite de Gloria Perez?
Murilo: No início, foi um problema de agenda. Estava em Nova Iorque participando do lançamento de Orquestra dos Meninos. Além disso, ia começar a gravar outros dois filmes, No Olho da Rua e Como Esquecer. Aí me chamaram de novo, fiquei supercontente. Um pouco apreensivo também, porque ainda estava filmando. Mas quando disseram que o nome do personagem era Lucas, não tive dúvidas. É o nome do meu filho (1 ano e 8 meses). Pensei: 'Não tenho como fugir.' Era para ser. E deu supercerto.

Você vinha de uma sequência de trabalhos de época, desde Xica da Silva. A Padroeira, Desejo Proibido... Está sendo mais fácil fazer o Lucas, um tipo mais urbano?

Há muito tempo estava com vontade de fazer um personagem atual, moderno, parecido comigo. Eu praticamente só tinha feito novela das seis e minissérie até então. É interessante para o ator fazer personagens de época, poder se aprofundar num assunto. Mas já fiz tantos! Queria falar 'oi, tudo bem', essas coisas banais. O Lucas tem coisas parecidas comigo. O ritmo, o humor, por exemplo. Tem coisas bem diferentes também, claro. Mas ele veio na hora certa. Estava reservado para outra novela, em 2010. Na verdade ainda estou, mas foi adiada.

E o que o Lucas tem de tão diferente de você?
O ciúmes. Ele entrou como um raio de luz na vida da Duda. Salvou o filho dela, se apaixonou, quis se casar. Só que por trás do príncipe encantado tem a realidade, a insegurança que faz parte do ser humano. Mas até isso é nobre, positivo, te faz pensar, refletir. Quantas vezes a gente não se pega sentindo coisas que não gostaria?

Ele entrou para reforçar o time de galãs da novela e desbancou o Raj no coração da Duda (Tania Khalill)...
Muita mulher por aí gostaria de um homem como esse. Toda mulher que cuida de um filho sozinha deseja encontrar um cara parceiro e dividir tudo isso.

Agora que você é galã do horário nobre, o assédio das fãs aumentou?
Chega um momento em que você já passou por vários trabalhos, então as pessoas te conhecem naturalmente. Mas, com certeza, a repercussão é maior. Fui agora para Nova Iorque e foi uma loucura no aeroporto. Até lá fora já fui reconhecido nas ruas.

Você já passou por alguma saia justa com uma fã?
Já passei por tudo. Mas uma situação que marcou foi na época do peão Dinho, de América. Peguei uma ponte aérea e, ao entrar no avião, todas as aeromoças estavam com uma placa escrita 'Viúva Neuta'. Achei que estava maluco, vendo coisas. Outra vez, uma fã me mandou carta explicando porque ela merecia ter um filho comigo. Li algumas vezes e pensei: 'Epa, espera aí que ela está quase me convencendo.' (risos)

Você gosta desse carinho do público?
Não estou nem atrás nem fugindo disso. Se você tem uma vida afastada do auê, quando participa um pouco não é pecado. Se me incomodasse, não faria televisão. Tenho um grande prazer de trabalhar com isso.

E agora com o final da novela, novos projetos?
Vou me dedicar ao cinema. Começo a gravar o filme americano Area Q, um drama com ficção científica. Faço três personagens. Será gravado aqui e em Los Angeles. Estou até fazendo aulas de inglês, o meu é péssimo (risos). Quero viver na telona tudo o que ainda não fiz na TV.

Como o Hugo, de Como Esquecer, seu primeiro personagem gay?
Exatamente. Estou lendo sete roteiros. ¿Orquestra dos Meninos¿ me abriu muitas portas.

Você precisou fazer laboratório para construir o Hugo? Foi difícil?
Não. Tenho vários amigos gays. Fui observando e vendo filmes. Deixei minha intuição mostrar o caminho. Um gay não é igual a outro. O Hugo tem um pouco de afetação, mas é humano. Me deu muito prazer fazer. A história é uma delícia, fala de amor, perdas e do vazio que fica no final da relação. Não é um filme fácil. É sofisticado, quase europeu. Estreia no fim deste ano.

Em Como Esquecer, você contracena com a Ana Paula Arósio, que também sofre uma perda. Vocês se envolvem? Terá um beijo gay?
Isso é surpresa. Vocês terão que assistir para comprovar. Agora, claro que vai mostrar um pouco da intimidade dessas pessoas.

Você posaria nu?
Não. Não teria porquê. Nem depois de um filme desses.

Qual personagem você ainda não fez, mas gostaria?
Todos. Muitos. Mas estou louco para fazer um travesti no cinema. Eu quero desafios.

Você é casado com a modelo Fernanda Tavares, que passa bastante tempo fora do País a trabalho. Agora, com a sua carreira também caminhando para o exterior, já pensou em se mudar do Brasil?
Não tenho vontade. Minha história está aqui. Minha família, meu trabalho. Não tenho essa de 'eu quero ir para Hollywood.'

Murilo Rosa durante gravação em 'Caminho das Índias'
Murilo Rosa durante gravação em 'Caminho das Índias'
Foto: AgNews
Fonte: O Dia
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