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Letícia Spiller: "não tenho sangue de barata"

18 out 2009 - 09h31
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Valeu a pena esperar por duas horas o término das gravações da novela Viver a Vida em um shopping da Barra. É lá que Letícia Spiller e Carlos Casagrande fizeram a cena em que Betina fica atordoada com a presença dele, a ponto de errar de carro no estacionamento. Depois, já despida da personagem, Letícia encontrou o repórter num restaurante japonês. "Estou de TPM, acordei às 6h da manhã", avisou.

Mas durante uma hora, a atriz falou sem parar e com bom humor sobre seu papel na trama de Manoel Carlos, os 20 anos de TV Globo que acaba de completar e refletiu sobre temas como beleza, exposição, casamento e traição, é claro! "A lealdade é mais importante que a fidelidade", garante Letícia Spiller, apropriando-se da frase da pintora mexicana Frida Kahlo, que teve casamento conturbado com o pintor Diego Rivera. Mas esta é apenas a opinião da intérprete da Betina de Viver a Vida.

A personagem, que vem sendo enganada por Gustavo (Marcello Airoldi) com a própria prima, Malu (Camila Morgado), bem poderia ter saído de uma crônica de Nelson Rodrigues, só que no universo de Manoel Carlos dificilmente vai terminar em tragédia carioca. "Ela é muito bem resolvida, chique. Vai tramar por trás ou pedir a separação se descobrir", acredita. O troco parece ser o mais provável. Afinal de contas, Betina fica perturbada toda vez que esbarra com Carlos (Carlos Casagrande), que já demonstrou suas intenções com flertes quase fatais. "Ela agora está se sentindo mais atraída. Mas acha que não vai chegar às vias de fato. Betina está acomodada, só vai mudar se for preciso", acredita Letícia.

A atriz, que foi casada com Marcello Novaes - com quem tem um filho, Pedro, de 12 anos -, conta que mantém um excelente relacionamento com o ex. "O amor não acaba, mas se transforma. Eu e Marcello nunca deixamos de nos falar. O Pedro mora comigo, mas está sempre na casa dele porque moramos perto, aqui na Barra. Continuamos amigos", revela ela, que está namorando, mas prefere não dizer quem. "Ele é cineasta, mas não quero divulgar", diz, sobre Lucas Loureiro, com quem está desde julho. Letícia vê semelhanças com a personagem da novela. "Não gosto de imaginar quem eu amo com outra pessoa. Já fui bem ciumenta, a gente amadurece. Abrimos concessões. Isso acontece naturalmente, contanto que haja respeito. É preciso proteger o outro, não expor. Mas não tenho sangue de barata", diz.

Letícia, que se considera "simples e normal", só sai do sério mesmo com o assédio dos paparazzi e com algumas atrizes que estão começando e 'se acham'. "Se o sucesso tivesse que subir à minha cabeça, já tinha subido há muito tempo. Vejo umas meninas que começaram ontem dando piti, isso me dá uma preguiça...", diz ela, consciente da fama. "Sei que faz parte, mas paparazzi para mim é subemprego. Outro dia fiquei irritada. Colocaram coisas que eu não disse na minha boca", reclama.

Feliz da vida por estar em sua primeira novela de Manoel Carlos, Letícia é só elogios ao autor e elenco. "O texto do Maneco é muito gostoso. Ele escreve bem demais para as mulheres. Eu imagino que Betina tenha alguma formação em design ou moda. Mas só pega piscina, é paquerada... É ela quem vive a vida mesmo na novela", divaga a atriz, constantemente vista ao lado de Lilia Cabral e Natália do Valle. "A Lilia é mais teatral, adoro observá-la. Admiro muito a Natália. São boas demais. Estou adorando o trabalho da Christine Fernandes e da Maria Luísa Mendonça", elogia.

Acostumada com personagens mais intensas nas tramas, Letícia está podendo exercitar outra faceta na novela. "Esta é minha personagem mais naturalista. Normalmente, faço tipos mais populares, fortes. É gostoso", conta a intérprete das vilãs Maria Regina e Viviane, das novelas Suave Veneno e Senhora do Destino, ambas escritas por seu ídolo, Aguinaldo Silva. "Adoro o Aguinaldo! Fiquei sabendo que ele vai fazer uma novela em 2011 e quero muito fazer. Espero que ele leia isso", torce.

Ex-paquita que subiu na vida

Ex-paquita, Letícia começou a carreira no extinto Xou da Xuxa, com 16 anos. "Outro dia minha mãe ligou para me dizer que faz 20 anos que eu estou na Globo", diverte-se ela. Hoje, aos 36 anos, a atriz acredita que está com tudo em cima. "A beleza vem de dentro. Tenho uma criança forte dentro de mim. Não vou ficar velha", diz ela, habituada a fazer sessões de spinning e dança quase diariamente para manter a boa forma. "Tem os ritos tibetanos também e uma boa alimentação. O que não quero é perder as marcas de expressão", completa, enquanto come um combinado no japonês.

Letícia só lamenta mesmo ter sido preterida algumas vezes por conta da beleza. "Às vezes, atrapalha. Não me querem por eu ser loura, ter olhos claros e trabalhar na Globo. Mas tem uns novos diretores que estão me descobrindo", celebra, aliviada.

"Quero fazer um musical 'underground', em progresso, sabe?", diz ela, sobre espetáculos que tomam forma durante os ensaios. "As pessoas não conhecem esse meu outro lado. Isso é a minha cara. Vou produzir um longa, O Casamento de Goretti, uma tragicomédia em que farei uma cega que nunca foi beijada", adianta ela, que está no filme Tudo Que Deus Criou, sem lançamento previsto. Uma coisa Letícia não tem dúvidas: está vivendo um dos melhores momentos de sua vida. "Estou com muita sorte. Tenho um bom trabalho, meu filho e projetos mil", agradece. Nós também.

"Eu ralava muito no Xou da Xuxa"

Letícia Spiller estava apenas em busca de um emprego quando foi ser paquita, aos 16 anos, no extinto Xou da Xuxa, em 1989. "Desde os 14 anos eu queria trabalhar. Lá em casa éramos sete irmãos. Meus pais passavam uns apertos. Eu queria pagar meus cursos de teatro. Um dia vi um anúncio da Xuxa e resolvi mandar minha foto", conta, sobre o início da carreira, na Globo.

"Eu ralava muito. Dormia no recreio da escola", conta. Em 1992, surgiu a oportunidade de fazer a novela Despedida de Solteiro: "Trabalhei com Guga Coelho, Patrícia Perrone. Era do núcleo jovem". Mas o estouro veio com a manicure Babalu, em Quatro Por Quatro, de Carlos Lombardi (1994). "Foi muito bom. Mas eu tenho um xodó mesmo com a participação que fiz na primeira fase de O Rei do Gado (1996). As pessoas não conhecem muito o meu lado dramático e pudemos fazer cinema na TV, na época", explica.

A primeira vilã, Maria Regina, da novela Suave Veneno (1999), de Aguinaldo Silva, é a favorita. "Nossa! Eu me divertia demais. Fui mãe da Cecília Dassi. Agora ela é minha filha pela segunda vez. E está ótima fazendo a ninfeta, com aquela carinha de criança". Com Aguinaldo, ela fez ainda a interesseira Viviane, em Senhora do Destino, e a perua Maria Eva de Duas Caras (2007).

Letícia Spiller  enfrentou chuva, frio e uma preguicinha básica para gravar no sábado chuvoso
Letícia Spiller enfrentou chuva, frio e uma preguicinha básica para gravar no sábado chuvoso
Foto: Adilson Lucas / Redação Terra
Fonte: O Dia
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