Caso Orelha: MP toma decisão após falta de provas e revolta população
Relatório aponta falta de provas concretas e imagens do crime ocorrido na Praia Brava; decisão final sobre o encerramento do processo cabe agora à Justiça de Santa Catarina
Atenção: A matéria a seguir contém relatos sensíveis envolvendo violência contra animais. Maus-tratos é crime e denúncias podem ser feitas pelo número 190.
O desfecho do caso que comoveu o país e teve repercussão internacional pode terminar sem punições. O Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) solicitou oficialmente o arquivamento das investigações sobre a morte do cão Orelha, um animal comunitário que vivia na Praia Brava, em Florianópolis. O pedido foi formalizado na última sexta-feira (8/5) por meio de um relatório de 170 páginas enviado à juíza Vanessa Bonetti Haupenthal, da Vara da Infância.
Segundo o órgão, as evidências colhidas desde o crime, ocorrido em 4 de janeiro de 2026, não são suficientes para sustentar uma denúncia formal. Embora a Polícia Civil tenha trabalhado inicialmente com a tese de espancamento e chegado a indiciar um adolescente, o Ministério Público afirmou que o aprofundamento das apurações não rendeu provas materiais concretas contra o suspeito.
Lacunas na investigação e laudo inconclusivo
A ausência de registros visuais foi um dos pontos determinantes para o pedido de arquivamento feito pelo MP. A polícia confirmou que não existem imagens de câmeras de segurança ou vídeos de testemunhas que mostrem o momento dos ataques sofridos pelo cachorro. Sem o flagrante ou provas digitais, a sustentação da acusação tornou-se frágil perante os promotores.
Além da falta de imagens, a perícia técnica não conseguiu solucionar o mistério sobre o que de fato aconteceu com o animal. O corpo de Orelha foi exumado pela Polícia Científica, mas o laudo emitido foi considerado inconclusivo. O exame descartou a existência de fraturas ósseas, embora tenha ressaltado que esse detalhe não eliminava totalmente a possibilidade de traumatismo cranioencefálico ou outras lesões internas.
Histórico de reviravoltas
O processo foi marcado por controvérsias desde o início do ano. Em abril, o Ministério Público já havia solicitado novas diligências após apontar falhas no inquérito policial. Agora, com o pedido de arquivamento oficializado, o destino do caso depende da magistrada responsável, que decidirá se encerra o processo ou se haverá novos desdobramentos.
Atenção: Violência e maus-tratos contra animais são crimes previstos em lei. Caso presencie alguma ação desse tipo, a recomendação das autoridades é realizar a denúncia imediatamente através do número 190.
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