Flip continua de olho na poesia e anuncia quem será a autora homenageada em 2026; conheça
Evento ocorre entre 22 e 26 de julho, sob curadoria de Rita Palmeira, que estreia na função
A poeta Orides Fontela (1940-1998) será a autora homenageada da 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) O evento ocorre entre os dias 22 e 26 de julho de 2026 e a programação deve ser anunciada entre abril e maio.
Como é tradição desde a primeira edição, a escolha da escritora homenageada deve guiar os debates e temas da Flip 2026. Também promoverá o resgate e novas leituras da obra da autora, considerada uma das vozes que guiaram a transição da poesia modernista para a contemporânea.
Este marca o segundo ano consecutivo em que a Flip escolhe um poeta como homenageado - no ano passado, o escolhido foi Paulo Leminski (1944-1989), contemporâneo de Orides. Também é o retorno de uma mulher como homenageada; a última havia sido Pagu (1910-1962), em 2023.
"A Orides é uma das mais relevantes poetas brasileiras do século 20, e mesmo com essa importância toda, ela segue pouco conhecida", diz ao Estadão Rita Palmeira, editora e crítica literária que faz sua estreia como curadora da Flip após atuar por anos como mediadora de mesas da programação.
Segundo a curadora, a escolha é motivada também pelo bom momento que vive a poesia, com crescimento no mercado editorial e com grandes nomes femininos em destaque, como Mar Becker, Marília Garcia e Ana Martins Marques. "Homenagear uma poeta nesse cenário - e uma poeta mulher - é uma coisa também importante", explica.
"Essa é uma oportunidade de colocar em destaque a obra da Orides, que sempre foi ofuscada pela vida dela, pela precariedade material e instabilidade emocional dela, que compõem uma dobradinha que costuma cobrar um preço bem caro quando é associada a mulheres", completa.
Poeta publicou no Suplemento Literário do 'Estadão'
Nascida em São João da Boa Vista, no interior de São Paulo, Orides Fontela publicou seu primeiro livro, Transposição, em 1969, com a ajuda de seu conterrâneo e crítico literário Davi Arrigucci Júnior. A obra tinha poemas escritos durante sua infância e a adolescência e rapidamente ganhou destaque entre entusiastas da poesia.
O trabalho chamou a atenção de críticos como Antonio Candido (1918-2017) e Décio de Almeida Prado (1917-2000) e, com isso, Orides chegou a publicar poemas no icônico Suplemento Literário do Estadão. Nos anos seguintes, ela publicou livros como Helianto (1973), Rosácea (1986) e Alba (1983), que acabou lhe rendendo um Prêmio Jabuti em 1983. Em 1996, Orides também foi premiada pela Associação Paulista dos Críticos de Arte (APCA) pelo livro Teia.
A obra da autora foi compilada em três publicações e ocasiões distintas: Trevo (1988, Livraria e Editora Duas Cidades), Poesia reunida (2006, Cosac Naify) e Poesia Completa (2015, Hedra). Esta última trouxe, além de seus livros conhecidos, mais de 20 poemas até então inéditos, escritos entre 1997 e 1998. A mesma casa editorial publicou O Enigma Orides, biografia da poeta escrita pelo jornalista e antropólogo Gustavo de Castro.
A Editora Hedra atualmente detém os direitos da obra de Orides e planeja relançar seus livros entre abril e maio deste ano. A escolha da poeta como autora homenageada, aliada ao relançamento de suas obras, deve ajudar em um renascimento de sua poesia entre os leitores. "Fazer esse resgate da Orides entre o grande público é, de alguma forma, também valorizar o trabalho feito por essas pequenas editoras", ressalta Rita Palmeira.