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Festival de cinema de Berlim: artistas criticam "silêncio" sobre Gaza

17 fev 2026 - 18h40
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Em carta, mais de 80 figuras da indústria cinematográfica, incluindo vencedores do Oscar, acusam Festival de Berlim de censurar artistas que denunciam conflito no território palestino.Mais de 80 figuras da indústria cinematográfica, incluindo atores vencedores do Oscar como o espanhol Javier Bardem e a escocesa Tilda Swinton, divulgaram nesta terça‑feira (17/02) um comunicado criticando o "silêncio" do Festival de Cinema de Berlim sobre Gaza.

Diretor alemão Wim Wenders é criticado por pedir separação entre cinema e política
Diretor alemão Wim Wenders é criticado por pedir separação entre cinema e política
Foto: DW / Deutsche Welle

Os signatários da carta aberta disseram estar consternados com o "silêncio institucional" do festival e desapontados com seu "envolvimento na censura de artistas que se opõem ao genocídio em curso cometido por Israel contra palestinos em Gaza".

A declaração foi divulgada após o presidente do júri da Berlinale, o diretor alemão Wim Wenders, responder a uma pergunta sobre a postura do governo alemão no conflito dizendo que o cinema deveria ficar "fora da política". "Temos que nos manter fora da política, porque, se fizermos filmes que sejam dedicadamente políticos, entramos no campo da política; mas nós somos o contrapeso da política", afirmou ele na última quinta-feira.

Entre os diretores de destaque que assinaram a carta - coordenada pelo coletivo Film Workers for Palestine - estão o britânico Mike Leigh e o americano Adam McKay. O brasileiro Fernando Meirelles também subscreve o documento.

Os signatários incluem diversos artistas que já exibiram trabalhos no Festival de Berlim. A própria Swinton recebeu no ano passado o Urso de Ouro Honorário, que celebrou sua carreira.

Eles afirmam "discordar veementemente" dos comentários de Wenders, argumentando que cinema e política não podem ser separados. "Assim como o festival fez declarações claras no passado sobre atrocidades cometidas contra pessoas no Irã e na Ucrânia, pedimos que a Berlinale cumpra seu dever moral e declare claramente sua oposição ao genocídio de Israel", diz a carta.

Os signatários criticam também "o papel central do Estado alemão em permitir" as ações de Israel. "Conclamamos a Berlinale a cumprir seu dever moral e declarar claramente sua oposição ao genocídio, aos crimes contra a humanidade e aos crimes de guerra cometidos por Israel contra os palestinos, e a encerrar completamente seu envolvimento em proteger Israel de críticas e de pedidos de responsabilização", conclui o texto.

O governo israelense nega as acusações de genocídio.

"Tempestade midiática"

A Berlinale é conhecida por seu teor mais político, e a programação costuma refletir isso. Na abertura desta edição, artistas desfilaram no tapete vermelho pressionando pelo fim do regime autoritário no Irã, por exemplo.

Após as reações críticas à fala de Wenders, a diretora da 76ª Berlinale, Tricia Tuttle, divulgou uma nota em defesa dos cineastas e jurados. Afirmou que os artistas "são livres para exercer seu direito à liberdade de expressão da forma que desejarem" e não devem "ser obrigados a se pronunciar sobre toda questão política que lhes seja apresentada, a menos que queiram".

A Berlinale também divulgou um segundo comunicado defendendo Wenders da "tempestade midiática", afirmando que suas declarações haviam sido tiradas de contexto.

Além de Wenders, a produtora Ewa Puszczynska, que também integra o júri do festival, havia reagido à pergunta sobre Gaza dizendo que era "um pouco injusto" esperar que eles assumissem uma posição direta sobre o tema.

As falas levaram a premiada escritora indiana Arundhati Roy a cancelar uma participação prevista no festival, dizendo estar "chocada e enojada" com os comentários dos jurados.

À Folha de S.Paulo, o diretor brasileiro Karim Aïnouz, que concorre ao Urso de Ouro com Rosebush Pruning, argumentou que "fazer cinema sempre foi um ato político"

"Acho que Wenders foi infeliz. Até porque ele faz um cinema profundamente político e transformador [...] no sentido em que ele questiona as estruturas de poder. É isso que eu chamo de política. É quando você, de fato, conta uma história em que você questiona", disse ao jornal.

A diretora brasileira Eliza Capai, que disputa prêmio de melhor documentário em Berlim, também afirmou à Folha que "fazer cinema é fazer política".

Controvérsias sobre Gaza

O festival tem sido alvo de diversas controvérsias relacionadas a Gaza nos últimos anos. Em 2024, o prêmio de documentário do festival foi para No Other Land, que acompanha o deslocamento de comunidades palestinas na Cisjordânia ocupada por Israel.

Autoridades do governo alemão criticaram as declarações "parciais" sobre Gaza feitas pelos diretores desse filme e de outros durante a cerimônia de premiação daquele ano.

O conflito em Gaza teve início após o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, que causou quase 1.200 mortes. A retaliação israelense deixou ao menos 71 mil mortos em Gaza, segundo o Ministério da Saúde do território administrado pelo Hamas. Os números são considerados confiáveis pelas Nações Unidas.

gq/ra (AFP, ots)

Deutsche Welle A Deutsche Welle é a emissora internacional da Alemanha e produz jornalismo independente em 30 idiomas.
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