Exposição de artista brasileiro se destaca na programação paralela da temporada de alta-costura em Paris
Começa nesta segunda-feira (6) a maratona de desfiles da alta-costura para a temporada outono-inverno 2026-2027. Como acontece tradicionalmente durante a apresentação das coleções, a agenda cultural da capital francesa ganha uma programação intensa, com exposições e eventos que ampliam o diálogo entre moda, arte e patrimônio. Nesta temporada, um dos destaques é a mostra do artista brasileiro Gustavo Nazareno.
Silvano Mendes, da RFI, em Paris
Diversas exposições pontuam esta semana de alta-costura. A Fundação Alaïa inaugura na terça-feira (7) Azzedine Alaïa et l'Afrique, enquanto a Galerie Dior apresenta atualmente uma nova montagem de seu acervo, reunindo cerca de 150 peças emblemáticas da maison. Já o hotel Sofitel Paris Le Faubourg recebe uma exposição dedicada ao universo da On Aura Tout Vu, grife que tradicionalmente integra o calendário da alta-costura.
Um dos eventos mais comentados desta edição, porém, não está ligado a nenhuma marca ou casa de moda. Trata-se de How to Grow a Flower from a Supernova, exposição dedicada às pinturas a óleo e desenhos em carvão do artista brasileiro Gustavo Nazareno. Aberta ao público de 24 de junho a 17 de julho de 2026 na Opera Gallery, a mostra reúne uma nova série de trabalhos em que o artista entrelaça herança espiritual, alta-costura e referências celestes. O grau de realismo de algumas obras é tão surpreendente que, à primeira vista, elas poderiam ser confundidas com fotografias.
Em seu trabalho, Nazareno coloca em diálogo universos aparentemente distantes. Por um lado, rituais das religiões afro-latino-americanas se encontram com a exuberância visual da arte renascentista e barroca. Mas suas imagens também evocam a sofisticação da fotografia de moda, remetendo ao trabalho de nomes como Irving Penn e Sarah Moon, além da teatralidade das criações de estilistas como Alexander McQueen e John Galliano. Dessa combinação de referências nasce uma série concebida como uma oferenda a Pomba Gira, entidade feminina reverenciada no candomblé.
"A mostra aborda a moda como uma linguagem simbólica e estrutural", analisa Marion Petitdidier, diretora da Opera Gallery Paris, que acolhe a exposição. "O artista trata as roupas como instrumentos narrativos, observando a maneira como elas moldam identidades e comunicam significados sem a necessidade de palavras", aponta Petitdidier.
Estreias na alta-costura
Cerca de 30 marcas e maisons integram o calendário oficial da alta-costura. A programação reúne oito membros permanentes da Chambre Syndicale, quatro marcas estrangeiras correspondentes e 18 convidados. O número representa uma ligeira alta em relação à temporada primavera-verão 2026, quando 28 grifes participaram da semana, confirmando o poder de atração que Paris continua exercendo sobre os mais raros saberes artesanais da moda.
Além dos desfiles das tradicionais maisons de alta-costura - como Schiaparelli, Dior, Chanel, Stéphane Rolland, Alexis Mabille e Franck Sorbier -, um dos momentos mais aguardados desta edição acontece em 8 de julho, quando Pierpaolo Piccioli apresentará sua primeira coleção de alta-costura para a Balenciaga. O estilista assumiu a direção criativa da maison há quase um ano, sucedendo Demna. Na mesma data, outra estreia que promete atrair os holofotes da temporada é a do designer holandês Duran Lantink, que fará sua primeira apresentação de alta-costura à frente da marca Jean Paul Gaultier.
A alta-costura é uma especificidade francesa. Apenas as maisons que cumprem rigorosos critérios definidos pela Federação da Alta-Costura e da Moda - entre eles a confecção de peças sob medida em ateliês franceses especializados e a apresentação regular de coleções em Paris - podem ostentar oficialmente o selo de alta-costura.
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