Arun Mansukhani, psicólogo, sobre os aposentados: 'O hábito de acumular pode se tornar um vício. Há pessoas que não conseguem seguir em frente, mudar, quando chegam à aposentadoria'
A explicação não está apenas nas finanças, mas também na educação e na cultura de toda uma geração
Chegar à aposentadoria deveria ser sinônimo de aproveitar melhor o tempo livre, realizar tudo o que ficou pendente e não foi possível fazer antes, realizar algum outro sonho, um capricho... mas, para algumas pessoas, aproveitar plenamente essa fase é complicado. "Há pessoas que não conseguem fazer a transição, mudar, quando chegam à aposentadoria", explica o psicólogo clínico Arun Mansukhani em uma entrevista.
E é que esse problema se manifesta em vários níveis: tanto econômico quanto emocional, cultural e até mesmo geracional. A poupança se tornou um estilo de vida para uma geração que teve que aprender da maneira mais difícil, a geração do pós-guerra.
A incerteza sempre foi sua constante e, ao chegar à aposentadoria, continua sendo: quanto dinheiro vou precisar para viver?, o custo de vida vai diminuir?...
A época em que vivemos traz muito mais sobressaltos do que antes, e isso gera muita insegurança, sobretudo entre os mais idosos. As notícias sobre inflação, conflitos internacionais, crises econômicas ou problemas de sustentabilidade alimentam essa sensação de ameaça permanente, e o resultado é que muitos idosos optam por reforçar ainda mais seus hábitos de poupança.
"Possivelmente, são as que menos toleram a incerteza em geral. São pessoas que sentem mais satisfação em economizar do que em gastar. Porque o fato de não gastar, em geral, diminui o medo e a ansiedade, lhes dá tranquilidade e reduz a incerteza. É uma emoção positiva, mas elas não aproveitam", diz o especialist...
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