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"Quem duvidou nos incentivou mais a fazer", dizem diretores estreantes

Em Gramado, estreantes falam da dificuldade em lançar 'A Bruta Flor do Querer'

14 ago 2013 - 18h44
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Debate Longas Metragens, elenco do filme 'A Bruta Flor do Querer', dos diretores Andradina Azevedo e Dida Andrade
Debate Longas Metragens, elenco do filme 'A Bruta Flor do Querer', dos diretores Andradina Azevedo e Dida Andrade
Foto: Cleiton Thiele/PressPhoto / Divulgação

Assim como fizeram os famosos irmãos Coen, os amigos de faculdade Andradina Azevedo e Dida Andrade começam suas carreiras fechados em uma parceria aparentemente inseparável. Com dois curtas no currículo, os jovens lançaram, na chuvosa e gelada noite de terça-feira (13), no Festival de Gramado, seu primeiro longa, batizado A Bruta Flor do Querer, colocando em voga no evento o drama da geração da faixa dos 20 e poucos anos dos dias atuais - indecisa, sonhadora, problemática. Mas o caminho entre a ideia original e a exibição da produção foi longo e tortuoso.

Em um mercado cada vez mais difícil, não só para iniciantes como para profissionais experientes, Azevedo e Andrade demoraram tempos para conseguir encerrar o filme, que chegou a 100 minutos de duração, passando por 90, 80, até chegar ao formato atual, de 72 minutos. E se viram em meio a uma avalanche de opiniões contrárias a seus sonhos de lançar carreira no cinema. "Foi muito difícil nosso processo e é muito gratificante estar aqui hoje", disse Azevedo no debate sobre o filme, realizado no início da tarde desta quarta (14), no dia seguinte à sua exibição entre os concorrentes da categoria Longa Metragem Brasileiro.

"Só a gente sabe tudo o que passou para fazer este filme. Tentamos de tudo mesmo. Uma vez chegamos a um produtor, um amigo nosso, contamos mais ou menos onde queríamos chegar com a produção, e ele disse, 'é roubada'. Talvez ele tivesse razão até...digo que aqueles que duvidaram acabaram nos dando mais vontade de fazê-lo", contou o cineasta, que, assim como o parceiro, também atua no longa.

A Bruta Flor do Querer segue um curto período da vida do problemático Diego, interpretado por Andrade, um estudante recém-formado em cinema que passa por uma severa crise de identidade relacionada à sua carreira e vida pessoal. Enquanto observa à sua volta uma falta de perspectiva para se tornar o cineasta que um dia sonhara, ele faz bicos como filmador de casamentos, ofício que detesta, e busca apoio do melhor amigo (Andradina) em sua dificuldade para lidar com um amor platônico e com o andamento profissional.

"Muita gente fala que o filme deve ser autobiográfico, mas na verdade ele é basicamente um pouco da vida dessa pessoa, que transformamos em mais do que um personagem, em uma pessoa de verdade", explicou Andrade, jovem de discurso articulado, por vezes poético. "Sentimos que os dois curtas que fizemos antes talvez não tivessem nossa voz. Então tentamos buscar uma ação mais direta, com a nossa própria voz, e talvez aproximarmos da linguagem do público. Buscamos fazer algo para pessoas de verdade", completou Andradina.

De fato, o longa mostra muito da realidade de um grande número de jovens - por vezes nem tão jovens - que se veem perdidos em um mundo com mercado de trabalho em baixa, relações efêemeras e um desejo intenso por realizar os sonhos aqui e agora. É nesse contexto que Diego, após uma desilusão amorosa, se afunda no submundo das drogas e se vê, a cada dia, mais desesperançoso com a vida, mais angustiado.

"Acho que quando o filme entra nessa fossa é aquele negócio de que de vez quando parece que tudo o que precisamos na vida é sermos amados, é ter alguém para amar", teorizou Andrade. "Nossa intenção inicial era fazer uma comédia romântica, com algumas sacadas engraçadas, essas coisas, mas quando nos formamos na faculdade e começamos a trabalhar a história vimos que éramos muito ingênuos em relação a isso."

Se possui realmente alguns momentos mais bem humorados, calcados principalmente nos diálogos entre o protagonista e seu melhor amigo - um espelho dos diretores na vida real -, com ritmo de videoclipe e canções nostálgicas da MPB, A Bruta Flor do Querer é no geral um drama leve, porém concomitantemente de enorme profundidade, daquela fase de indecisões da vida que todos parecem algum dia enfrentar. 

"Acho que o poder de identificação que as pessoas têm com o filme é aquilo que ele tem de mais forte", resumiu Andradina.

Fonte: Terra
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