Meirelles diz que desistiu de gravar em português: "agora só para TV"
- Marina Novaes
- Direto de São Paulo
Considerado um dos cineastas mais bem-sucedidos do Brasil, Fernando Meirelles, da O2 Filmes, não esconde a decepção com a baixa audiência que as obras brasileiras têm nos cinemas e, recentemente, admitiu ter desistido de adaptar para as telonas o romance Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. Agora, o diretor de Cidade de Deus e Ensaio sobre a Cegueira afirma ter abandonado, por ora, a ideia de produzir longas em português, dando prioridade à produção de filmes rodados em inglês, no exterior.
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"Aqui no Brasil eu já pus na minha cabeça que quando eu quiser contar histórias em português, e eu gosto muito de contar histórias em português, vou filmar para a televisão, como eu fiz com Som e Fúria (série produzida para TV Globo, em 2009)", disse Meirelles em entrevista ao Terra, realizada na quinta-feira (31). "A produtora continua a fazer longa-metragem, mas como eu tenho esssa possibilidade de fazer filmes fora, vou aproveitando as oportunidades."
O diretor disse ter ficado surpreso com a repercussão do desabafo em relação à desistência de rodar a obra de Guimarães Rosa e afirmou que, se não fosse um projeto tão caro e trabalhoso, encararia o desafio. A decisão ocorreu após ele observar o desempenho nos cinemas do filme Xingu, no qual participou da produção, longa orçado em R$ 14 milhões e que, apesar de "popular e acessível", atraiu um público bem abaixo do esperado.
"Se fosse um projeto mais simples, mais barato, mesmo sabendo que pudesse não dar público, eu encarava. Mas esse aí seria três a quatro anos de trabalho e eu tenho certeza que, mesmo que ficasse bom, ninguém iria ver e eu acabaria ficando muito frustrado", explicou. "Depois de Xingu eu pensei, 'se o expectador não está interessado em índios, ele certamente não vai se interessar por jagunços'."
O cineasta brasileiro, que já gravou quatro filmes no exterior, já se prepara para rodar o próximo, uma adaptação do livro Nêmesis, de Peter Evans, sobre a vida do magnata grego Aristotle Onassis, que foi casado com Jackeline Kennedy. Meirelles preferiu não revelar os nomes dos atores cotados para participar da produção, mas contou que a obra deve ser filmado na Croácia e na Turquia.
Para ele, além da maior facilidade em obter patrocínios no exterior, os filmes gravados em inglês, mesmo quando vão mal, atraem mais público às salas de cinema, o que justifica a decisão. "Filmando em português, se o filme fizer muito sucesso, ele vai atrair de três a quatro milhões de espectadores. Enquanto que, se eu fizer um filme internacional que não vai bem, ele vai ser visto por umas 30 milhões de pessoas. E a gente faz filme para as pessoas assistirem", resumiu.