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Julie Newmar, atriz original da Mulher-Gato, diz que homens deveriam comandar Hollywood: 'Fazem isso melhor'

Ao contrário de muitas mulheres da indústria cinematográfica moderna, a atriz de 92 anos afirmou que não apoia o movimento #MeToo pois "homens são muito bons para as mulheres"

9 jun 2026 - 15h51
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A atriz Julie Newmar, primeira intérprete da Mulher-Gato na série de televisão do Batman (1966-1968), tornou-se alvo de críticas após dizer que os homens deveriam comandar Hollywood e se posicionar contra o movimento #MeToo.

Julie Newmar na série original 'Batman'
Julie Newmar na série original 'Batman'
Foto: Silver Screen Collection/Getty Images / Rolling Stone Brasil

A polêmica aconteceu durante entrevista ao The Guardian, quando a atriz, hoje com 92 anos, foi questionada sobre ter interpretado papéis sexualizados ao longo de sua carreira e a atenção masculina que isso atraiu. "Por sorte, eu gostei", respondeu. "Foi bom. Eu… não sou a primeira da fila do #MeToo."

O Me Too foi um movimento social global contra o assédio e o abuso sexual, que ganhou destaque em 2017 com uma hashtag nas redes sociais. Impulsionado por denúncias contra o produtor de Hollywood Harvey Weinstein, a ação encorajou vítimas a compartilharem suas experiências, aumentou a conscientização sobre o problema e teve um impacto significativo no sistema jurídico estadunidense.

Acordos de confidencialidade (NDAs) em casos de assédio sexual foram proibidos em vários estados, prazos para denúncias de crimes sexuais foram eliminados e novas leis foram criadas para responsabilizar os criminosos. O Me Too também incentivou o diálogo sobre práticas mais seguras no local de trabalho. Weinstein foi alvo de mais de 80 acusações, e atualmente cumpre pena de 16 anos após ser condenado por estupro.

Newmar, entretanto, afirmou acreditar que a forma como os homens da indústria agem não precisa ser corrigida. "Eu amo demais os homens. Eu os entendo. E os chefes dos estúdios, sim, eles arrombam portas e fazem isso ou aquilo. É assim que eles agem. Você acha que vai mudar as coisas? Não muita coisa…", disse. "E sabe de uma coisa? Funciona. Funciona maravilhosamente bem porque os homens são muito bons para as mulheres."

Questionada se a indústria do entretenimento deveria ser dirigida por homens, ela respondeu: "Deveria ser. Eles fazem isso melhor do que ninguém."

Os impactos do movimento #MeToo atualmente

A declaração de Newmar vai na direção contrária do posicionamento de grandes nomes da indústria cinematográfica atual. A vencedora do Oscar Cate Blanchett, por exemplo, refletiu sobre o movimento durante entrevista no Festival de Cannes, observando que ele durou menos do que o necessário e ainda exige avanços.

"Há muitas pessoas com influência que conseguem se manifestar com relativa segurança e dizer que [situações de assédio] já aconteceram com elas. E a mulher comum, a pessoa comum, diz o mesmo. Por que isso é silenciado?", questionou a atriz. "O que isso revelou foi uma camada sistêmica de abuso, não apenas nesta indústria, mas em todas as indústrias, e se você não identifica um problema, não consegue resolvê-lo. Se você silencia essa conversa, não consegue seguir em frente."

Ela ainda afirmou que o desequilíbrio de poder continua existindo nos sets de filmagem. "Ainda é assim, sabe, tem 10 mulheres e 75 homens todas as manhãs", disse.

Kristen Stewart, estrela de Crepúsculo que fez sua estreia na direção com A Cronologia da Água (2025), filme que aborda o abuso sexual, também se manifestou sobre o assunto no ano passado. Ela criticou as dificuldades que cineastas ainda enfrentam devido à desigualdade de gênero em Hollywood.

"Em um momento pós-Me Too, parecia possível que as histórias feitas por e para mulheres finalmente recebessem o reconhecimento que merecem, que pudéssemos ser autorizadas ou até mesmo encorajadas a expressar a nós mesmas e nossas experiências compartilhadas, todas as nossas experiências sem filtro", afirmou a artista (via NME). Porém, segundo Stewart, o auge do movimento se dissipou e as desigualdades de oportunidade ainda são evidentes.

"Quando o conteúdo é muito sombrio, muito tabu, quando a franqueza com que apresenta observações sobre experiências rotineiramente vividas por mulheres frequentemente provoca repulsa e rejeição", comentou. "O retrocesso em relação ao nosso breve momento de progresso é estatisticamente devastador. Um número tão lamentável de filmes do ano passado foi feito por mulheres. Nossa indústria está em estado de emergência".

Um estudo de 2023 da USC Annenberg Inclusion Initiative revelou que apenas 12,1% dos principais filmes lançados em 2023 foram dirigidos por mulheres, enquanto um estudo da San Diego State University descobriu que as mulheres representavam 24% dos diretores, roteiristas, produtores, produtores executivos, editores e diretores de fotografia nos filmes de maior bilheteria de 2024.

Rolling Stone Brasil Rolling Stone Brasil
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