'Perdida' leva romance no Brasil de 1830 para o cinema a partir de best-seller de Carina Rissi
Filme estrelado por Giovanna Grigio é adaptação de livro da autora brasileira que já vendeu mais de 500 mil exemplares
A escritora Carina Rissi é um fenômeno no Brasil: suas obras, todas românticas, passam dos 500 mil exemplares vendidos. E os fãs são daqueles aguerridos, que acompanham de perto as histórias e novidades. Por isso, não é surpresa a estreia de Perdida nos cinemas: é a adaptação do livro mais querido de Rissi.
A história acompanha Sofia (Giovanna Grigio, de Chiquititas), uma jovem de nosso tempo que encontra um portal que a leva para a primeira metade do século XIX no Brasil. É, enfim, o sonho da jovem, que sempre repete seu desejo de viver na mesma época dos romances de Jane Austen. E é nessa viagem no tempo que ela conhece Ian Clarke (Bruno Montaleone), homem de gestos e roupas totalmente distintos, mas que a arrebata.
Como viver entre dois mundos? De um lado, a jaqueta de couro e o tênis All Star. Do outro, modos, etiqueta e vestidos com dezenas de camadas. "Todo mundo teve que se preparar para viver esses personagens de época, enquanto eu fiz o inverso para manter essa aura contemporânea da Sofia", contextualiza Giovanna Grigio em entrevista ao Estadão. "O que a gente mais trabalhou, na preparação, foi criar relações entre personagens e as camadas".
O resultado, na tela, é divertido: ainda que passe bem longe da genialidade de um Questão de Tempo ou até de Meia-Noite em Paris, por exemplo, Perdida é honesto em assumir que é um conto de fadas para que as pessoas suspirem na poltrona do cinema: seja pela ingenuidade de Sofia, pela elegância e sutileza de Ian ou pelo ambiente idílico do passado.
Montaleone, que faz seu primeiro personagem nos cinemas, passou por um preparo bem distinto: enquanto Giovanna se afastou das aulas de etiqueta, por exemplo, o ator da novela Do Outro Lado do Paraíso mergulhou nos costumes de 1830. "Sempre quis fazer um filme de cinema mesmo. E é tudo que eu esperava", diz o ator ao Estadão. "É um personagem complexo, que me deu muita confiança de subir um degrau na minha vida".
Carina Rissi nas telas
Muito vendida nas livrarias, Carina Rissi agora vai experimentar preocupações quase naturais com bilheteria, comentários de fãs, daqueles que não entendem a história e por aí vai. Será que vem um frio na barriga para uma das autoras brasileiras mais vendidas?
"O frio na barriga começou quando iniciaram as gravações", diz ela, aos risos. "É um momento muito especial. É um sonho antigo e não estou sonhando sozinha: minhas leitoras sonham comigo há quase uma década. A história deixou de ser minha há tempos. Então o frio na barriga não vai passar tão cedo".
Sem escravidão?
Por fim, é sempre bom se adiantar às polêmicas, principalmente uma que já alcançou o livro: apesar de se passar em 1830 no Brasil, a história não aborda a escravidão. Assim como em Bridgerton, série de sucesso da Netflix, muitos dos personagens na trama são negros, como o Dr. Almeida (Hélio de La Peña) e Valentina, uma das pretendentes de Ian, que no livro é loira de olhos azuis, enquanto no filme é interpretada por Emira Sophia. Para quem reclamar, Carina tem a resposta. "Escrevi um conto de fadas, uma viagem para um mundo austiniano. Quero que todas as pessoas possam se imaginar neste conto de fadas".