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Filme chileno realiza viagem pela história da América Latina

26 jul 2011 - 19h33
(atualizado às 22h10)
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Uma reflexão e uma prospecção "crítica" da história republicana dos países latino-americanos e caribenhos, justo quando muitos deles lembram seus 200 anos de independência, pautam o documentário La Independência Inconclusa, do cineasta chileno Luis R.Vera.

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O filme, que será apresentado nesta terça-feira no Museu da Memória de Santiago do Chile, realiza uma emocionante viagem pela história republicana de cada uma das nações latino-americanas e caribenhas, destacando tanto os momentos culminantes de suas peripécias cronológicas como aqueles mais "obscuros".

"A celebração do bicentenário de independência acontece em vários países da América Latina e eu me perguntava, não só como cineasta mas como cidadão, sobre que tipo de independência íamos comemorar, se hoje em dia seguimos mantendo múltiplas dependências", assinalou nesta terça-feira R.Vera à Agência Efe.

"Estas comemorações são uma boa oportunidade para refletirmos e pensarmos e, sobretudo, para nos aproximarmos e nos conhecermos, porque nós, os latino-americanos, temos muitos clichês, pensamos que somos muito latino-americanos, mas à hora de saber quem somos, percebemos que nos conhecemos muito pouco", afirmou o cineasta.

Para o diretor, um dos pontos importantes do processo independentista realizado há 200 anos, e a ideia que inspirou o filme, vinha do caráter "multinacional" que formou o processo independentista, e na forma "conjunta" na qual os povos latino-americanos conquistaram sua liberdade.

"Hoje o desafio de uma independência moderna continua sendo o mesmo, o de um processo em conjunto, não de um só país", ressaltou R.Vera, que destacou que o documentário conta com a coprodução de 10 países.

A produção e a filmagem de La Independência Inconclusa levou três anos, devido, sobretudo, ao coro de vozes que intervêm no filme - desde políticos como Evo Morales e Rafael Correa, passando por intelectuais como Carlos Fuentes e Eduardo Galeano, até cidadãos anônimos -, e ao intenso processo de pesquisa.

O documentário, que tem uma duração de três horas em sua versão mais curta e de cinco horas na estendida, mantém uma linha narrativa atemporal, de "rupturas" tanto dos espaços como dos tempos, com a qual busca provocar uma sensação de realidade "compartilhada" com o espectador.

"Eu rompo o conceito de países para falar de regiões, rompo o conceito de períodos de história para falar de marcos, isso faz com que o espectador tenha que estar atento e ativo em sua participação para assumir a proposta do longa", explicou Vera.

"É um filme que instiga o intelecto e as emoções, porque você se depara com períodos culminantes e muito obscuros (da história latino-americana), como a década de 1980 e a Operação Condor", disse.

A apresentação desta terça-feira de La Independência Inconclusa vai contar com a participação ao líder estudantil Camilla Vallejo, presidente da Federação de Estudantes universitários do Chile, e Patrício Fernández, diretor do semanário chileno The Clinic, além do próprio R.Vera.

Foto: Getty Images
EFE   
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